A nova pesquisa Datafolha revela uma disputa presidencial cada vez mais concentrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio chega a 35%. A diferença caiu em relação ao levantamento anterior, mas os recortes regionais, econômicos, religiosos e sociais mostram um país profundamente dividido.
A pesquisa foi realizada entre 8 e 10 de setembro, com 2.002 eleitores de 16 anos ou mais, em 125 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Globo e pela Folha de S.Paulo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-01833/2026.
No primeiro turno, depois de Lula e Flávio aparecem Augusto Cury (Avante), com 6%; Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Renan Santos (Missão), com 3%; e Romeu Zema (Novo), com 2%. Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Clariana Barão (DC) e Edmilson Costa (PCB) registram 1% cada. Brancos, nulos e nenhum candidato somam 6%, enquanto 4% dos entrevistados ainda estão indecisos.
A evolução dos dois principais candidatos chama atenção. Na pesquisa anterior, realizada em 3 de setembro, Lula tinha 38% e Flávio Bolsonaro, 33%. Agora, o presidente oscilou para 39%, enquanto o senador avançou para 35%, reduzindo a distância de cinco para quatro pontos percentuais.
O mapa regional revela uma eleição dividida
O recorte regional é um dos elementos mais importantes da pesquisa. Lula mantém uma ampla vantagem no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente nas outras três divisões regionais analisadas.
No Nordeste, Lula alcança 53%, contra 25% de Flávio. É a maior vantagem regional registrada por qualquer dos dois principais candidatos: 28 pontos percentuais. Augusto Cury aparece com 5%, Renan Santos com 3%, Caiado com 2% e Zema com 1%.
No Sul, entretanto, o cenário se inverte de maneira expressiva. Flávio Bolsonaro tem 40%, contra 29% de Lula. Augusto Cury e Ronaldo Caiado aparecem com 6% cada, enquanto Renan Santos e Romeu Zema registram 2%.
No Sudeste, Flávio também aparece à frente numericamente, com 37%, contra 35% de Lula. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro, configurando empate técnico. Cury tem 6%, Renan Santos e Caiado aparecem com 3% cada, e Zema com 2%.
Na divisão que reúne Norte e Centro-Oeste, Flávio registra 40%, enquanto Lula aparece com 32%. Ronaldo Caiado alcança 8%, Cury 5%, Renan Santos 2% e Zema 1%.
Renda é outro divisor importante
O levantamento mostra uma diferença ainda mais acentuada quando o eleitorado é dividido pela renda familiar.
Entre aqueles com renda de até dois salários mínimos, Lula lidera com 47%, contra 27% de Flávio Bolsonaro. Já entre eleitores com renda de dois a cinco salários mínimos, Flávio passa à frente, com 42%, contra 31% de Lula.
A diferença aumenta na faixa de renda superior a cinco salários mínimos: Flávio chega a 47%, enquanto Lula registra 27%.
Esse resultado reforça uma das características mais marcantes da atual disputa: a renda continua funcionando como um importante eixo de diferenciação do eleitorado brasileiro, com Lula apresentando maior força entre os grupos de menor renda e Flávio entre os segmentos de renda mais elevada.
Mulheres e homens apresentam comportamentos diferentes
O recorte por gênero também apresenta uma divisão relevante. Entre as mulheres, Lula aparece com 41%, contra 30% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, entretanto, Flávio alcança 40%, enquanto Lula registra 36%.
Por idade, os dois candidatos aparecem em situação de empate técnico nas diferentes faixas etárias, indicando que a disputa entre eles não está concentrada exclusivamente em um determinado grupo de idade.
Religião mantém forte influência no cenário
O componente religioso apresenta uma das maiores diferenças entre os dois principais candidatos.
Entre os católicos, Lula registra 46%, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Entre os evangélicos, a situação se inverte de maneira expressiva: Flávio chega a 50%, enquanto Lula aparece com 22%.
O dado confirma que a religião permanece como uma variável relevante para compreender a distribuição do voto na eleição presidencial de 2026, especialmente na comparação entre os dois principais polos da disputa.
Escolaridade também produz diferenças
Na divisão por escolaridade, Lula apresenta uma vantagem especialmente forte entre eleitores que possuem ensino fundamental: 52% contra 24% de Flávio Bolsonaro.
Nos demais níveis educacionais, a distância diminui e os dois candidatos aparecem em situações de maior equilíbrio estatístico.
Três em cada quatro eleitores dizem já ter decidido
Outro dado importante é o grau de definição do eleitorado. 75% dos entrevistados afirmam estar totalmente decididos sobre seu voto para presidente, enquanto 25% admitem que ainda podem mudar de candidato até a eleição.
Entre os eleitores que já declaram intenção de votar em Lula, 84% dizem estar decididos. Entre os que escolhem Flávio Bolsonaro, 81% afirmam que não pretendem mudar. Os dois grupos apresentam, portanto, os eleitorados mais consolidados entre os principais candidatos.
O Datafolha também perguntou por que os eleitores escolhem determinado candidato. 64% afirmaram que votam pelas propostas, enquanto 28% disseram que a intenção é impedir a vitória de outro concorrente.
Lula e Flávio chegam ao segundo turno praticamente empatados
Se a eleição avançasse para um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a disputa permaneceria aberta. Lula aparece com 46%, contra 44% de Flávio Bolsonaro. Brancos e nulos somam 8%, enquanto 1% está indeciso. O resultado é o mesmo registrado na pesquisa anterior.
O Datafolha também testou Lula contra outros candidatos. O presidente aparece com 45% contra 43% de Augusto Cury; 46% contra 41% de Ronaldo Caiado; 48% contra 39% de Romeu Zema; e 48% contra 37% de Renan Santos.
Votos válidos colocam Lula com 43% e Flávio com 38%
Pela primeira vez nesta eleição, o Datafolha também apresentou os resultados em votos válidos, cálculo que exclui brancos, nulos e indecisos.
Nesse formato, sem Pablo Marçal, Lula aparece com 43% e Flávio Bolsonaro com 38%. Augusto Cury tem 6%, Caiado 4%, Renan Santos 3% e Zema 2%. Os demais candidatos ficam em 1% ou abaixo disso.
Em um cenário que inclui Pablo Marçal, Lula registra 42% dos votos válidos e Flávio 37%. Marçal aparece com 2%.
Uma eleição ainda aberta
Os números mostram uma eleição presidencial marcada por duas características simultâneas: Lula continua liderando nacionalmente o primeiro turno, mas Flávio Bolsonaro reduziu a diferença e apresenta vantagens expressivas em segmentos importantes do eleitorado.
O mapa regional evidencia uma forte concentração de Lula no Nordeste e uma presença competitiva de Flávio no Sul, Sudeste e no bloco Norte/Centro-Oeste. A renda, a religião e o gênero também produzem diferenças consideráveis, enquanto a divisão por idade apresenta um quadro mais equilibrado.
A situação fica ainda mais competitiva quando se olha para o segundo turno: os 46% de Lula contra 44% de Flávio estão dentro da margem de erro e configuram empate técnico. Portanto, embora Lula mantenha a liderança no primeiro turno, a pesquisa não apresenta um cenário de vitória consolidada para nenhum dos dois principais nomes.
Com 23 dias restantes até o primeiro turno, o Datafolha desenha uma corrida eleitoral na qual quatro pontos de vantagem nacional convivem com diferenças muito maiores em determinados grupos sociais e regiões. E, diante de um segundo turno tecnicamente empatado, cada segmento ainda disponível para mudança pode assumir peso decisivo na reta final da eleição brasileira.
Foto: Ricardo Stuckert/PR e Agência Senado
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