O Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA) prepara uma programação estratégica para a 49ª Expointer, que será realizada de 29 de agosto a 6 de setembro de 2026, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, no Rio Grande do Sul. A tradicional Casa do IRGA terá atividades voltadas a produtores, técnicos, pesquisadores, empresas e lideranças do setor, com foco em inovação, sustentabilidade, mercado e fortalecimento da produção de arroz.
A programação deste ano mostra uma mudança importante na forma como o setor orizícola gaúcho pretende enfrentar os próximos anos. Além de apresentar resultados da produção, o IRGA pretende discutir novas tecnologias, práticas ambientais, comercialização e estratégias para aumentar a competitividade do arroz produzido no Rio Grande do Sul.
A Casa do IRGA funcionará como um ponto de encontro entre a pesquisa e o produtor. Durante os dias da Expointer, a instituição disponibilizará sua equipe técnica para atendimento, orientação e troca de informações com agricultores e visitantes.
Um dos primeiros momentos de destaque será a apresentação dos dados de intenção de semeadura de arroz e soja para a safra 2026/2027, acompanhada do lançamento do Dia de Campo Estadual 2027. A divulgação permitirá ao setor observar antecipadamente as expectativas dos produtores e as tendências para a próxima temporada agrícola.
A programação também dará espaço ao protagonismo feminino no campo. O talk-show “A Voz das Mulheres Arrozeiras do Agro” reunirá produtoras e representantes do setor para discutir a participação das mulheres na atividade agrícola e sua crescente presença na gestão e na produção rural.
Outro momento institucional importante ocorrerá com a posse dos conselheiros do novo Conselho Deliberativo do IRGA para o período 2026–2029. A renovação do conselho ocorre em um momento em que o setor enfrenta desafios relacionados a custos, produtividade, sustentabilidade, mercado e competitividade internacional.
A sustentabilidade ocupará posição central na agenda.
O IRGA apresentará iniciativas relacionadas ao Selo Ambiental da Lavoura de Arroz Irrigado, mecanismo destinado a reconhecer produtores que adotam práticas de produção ambientalmente responsáveis. A proposta busca transformar sustentabilidade em um elemento de valorização da produção e não apenas em uma exigência ambiental.
Essa estratégia acompanha uma tendência que já vinha sendo construída pelo instituto.
Em janeiro de 2026, o Dia de Campo Estadual do IRGA teve como tema “A qualidade do arroz gaúcho, do campo à mesa: inovação, sustentabilidade e excelência na produção”, mostrando que esses três conceitos passaram a ocupar posição central na agenda institucional.
A preocupação ambiental também apareceu na programação do IRGA durante a Expointer de 2025, quando a instituição participou de debates sobre sustentabilidade e consumo do arroz gaúcho, em parceria com o Grupo RBS.
A edição de 2026 aprofunda essa agenda.
Entre os temas previstos está o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) relacionado ao arroz, uma proposta que pode abrir uma nova discussão sobre a possibilidade de remunerar produtores por práticas que contribuem para a conservação dos recursos naturais.
O conceito é particularmente relevante para a agricultura irrigada, porque coloca em discussão não apenas quanto o produtor produz, mas também como produz e quais benefícios ambientais sua atividade pode gerar.
A agenda também terá uma dimensão de mercado.
A Comissão de Mercado e Comercialização do Conselho Deliberativo do IRGA deverá discutir estimativas de área e projeções relacionadas aos países do Mercosul, colocando a produção gaúcha dentro de um cenário regional mais amplo.
Para o Rio Grande do Sul, essa discussão é estratégica porque o arroz gaúcho não depende apenas do mercado interno.
A competitividade do produto também está relacionada à capacidade de conquistar mercados externos, ampliar valor agregado e estabelecer relações comerciais de longo prazo.
Essa preocupação já vinha sendo trabalhada pelo IRGA em parceria com a Invest RS. Em 2025, as duas instituições começaram a estruturar uma estratégia para promover o arroz gaúcho no Brasil e também no mercado internacional, incluindo aproximação com empresas, instituições de pesquisa, entidades empresariais e potenciais compradores.
A estratégia inclui reuniões de negócios, missões, participação em congressos e feiras internacionais e ações destinadas a apresentar a qualidade técnica do arroz produzido no Rio Grande do Sul.
Essa visão comercial ajuda a explicar por que a Expointer não será apenas uma vitrine tecnológica.
O IRGA pretende utilizar o evento também como plataforma de relacionamento, geração de parcerias e construção de novas oportunidades para a cadeia produtiva.
A programação prevê encontros com empresas parceiras, entidades representativas e organizações ligadas ao mercado.
Entre os parceiros está a Camil, uma das empresas que participam das atividades de relacionamento promovidas na Casa do IRGA.
Também estão previstos encontros com entidades como o Clube Arroz Amigo e a Bolsa Brasileira de Mercadorias, ampliando o diálogo entre produtores, indústria e mercado.
A inovação tecnológica será outro eixo importante.
O IRGA pretende apresentar projetos e iniciativas voltados para melhoria da produtividade, gestão da lavoura e fortalecimento da capacidade técnica dos produtores.
Essa agenda está diretamente ligada ao futuro do arroz gaúcho.
O setor precisa produzir mais e melhor, mas também precisa enfrentar mudanças climáticas, custos de produção, exigências ambientais, volatilidade dos mercados e competição de outros países produtores.
A tecnologia passa a ser uma ferramenta fundamental para enfrentar esses desafios.
O instituto vem reforçando justamente a aproximação entre pesquisa e produção.
No Dia de Campo de 2026, por exemplo, o IRGA colocou em evidência a necessidade de aproximar pesquisa, extensão rural e toda a cadeia orizícola, levando conhecimento produzido pelos pesquisadores diretamente aos agricultores.
Essa integração poderá ser decisiva para acelerar a adoção de novas técnicas no campo.
A pesquisa somente produz impacto econômico quando seus resultados conseguem chegar ao produtor e transformar a maneira como a lavoura é conduzida.
Por isso, eventos como a Expointer funcionam também como uma ponte entre ciência, tecnologia e produção comercial.
Outro aspecto importante da programação será a discussão sobre manejo e condições de produção.
O setor deverá analisar questões relacionadas à produtividade, condições meteorológicas, controle de doenças e novas práticas de manejo.
A experiência das últimas safras mostrou que clima e sustentabilidade estão cada vez mais ligados ao desempenho econômico da lavoura.
Uma produção mais eficiente precisa considerar não apenas fertilizantes, defensivos e máquinas, mas também a utilização racional da água, conservação do solo e redução de impactos ambientais.
É nesse ponto que o Selo Ambiental e o Pagamento por Serviços Ambientais ganham importância.
Se essas iniciativas avançarem, o produtor poderá ter novos mecanismos para demonstrar a qualidade ambiental de sua produção e, potencialmente, transformar boas práticas em valor econômico.
A discussão também pode fortalecer a imagem do arroz gaúcho perante consumidores e compradores internacionais.
Em mercados cada vez mais preocupados com rastreabilidade e sustentabilidade, demonstrar como o alimento foi produzido pode se tornar tão importante quanto demonstrar sua qualidade física e culinária.
O IRGA também pretende valorizar o arroz como alimento.
A programação inclui atividades gastronômicas e ações destinadas a aproximar o consumidor do produto, mostrando diferentes formas de utilização do cereal na alimentação.
Essa estratégia é importante porque o futuro da cadeia produtiva depende não apenas de produzir mais arroz, mas também de manter e ampliar o consumo.
O aumento da produção sem crescimento correspondente da demanda pode pressionar preços e reduzir a rentabilidade do produtor.
Por isso, promover o arroz como alimento e ampliar suas possibilidades gastronômicas também faz parte de uma estratégia econômica.
A presença do IRGA na Expointer também terá uma dimensão institucional.
A participação de órgãos públicos, entidades de produtores, empresas e pesquisadores permite discutir problemas que não podem ser resolvidos individualmente por cada agricultor.
A competitividade do arroz gaúcho depende de toda a cadeia, desde a pesquisa e produção até beneficiamento, distribuição, comercialização e consumo.
Outro elemento importante é a integração regional.
O debate sobre países do Mercosul mostra que o arroz gaúcho está inserido em um mercado sul-americano no qual existem produtores, consumidores e empresas conectados por relações comerciais.
Isso cria oportunidades, mas também aumenta a concorrência.
Para competir nesse ambiente, o Rio Grande do Sul precisa combinar produtividade, qualidade, sustentabilidade e capacidade comercial.
A busca por mercados externos pode representar uma alternativa para reduzir a dependência de um único mercado consumidor.
A parceria entre IRGA e Invest RS aponta justamente nessa direção, com ações para posicionar o arroz gaúcho não apenas nacionalmente, mas também internacionalmente.
A estratégia de internacionalização também pode beneficiar empresas de diferentes segmentos.
Produtores, beneficiadores, indústrias de alimentos, empresas de logística e fornecedores de tecnologia podem participar de uma cadeia exportadora mais sofisticada.
Quanto maior o valor agregado do arroz gaúcho, maior poderá ser o impacto econômico sobre toda a cadeia.
A Expointer será, portanto, uma oportunidade para mostrar que o futuro do arroz não está limitado à produção agrícola.
O futuro envolve também tecnologia, sustentabilidade, inovação, comercialização, consumo e internacionalização.
A programação do IRGA mostra que o instituto pretende atuar justamente nessa convergência.
O objetivo é aproximar produtores, pesquisadores, empresas e instituições para construir respostas aos desafios que estão surgindo.
A agricultura do futuro será cada vez mais baseada em informação.
Dados climáticos, informações de mercado, tecnologias de precisão e sistemas de acompanhamento da lavoura podem permitir decisões mais rápidas e precisas.
Para o produtor, isso significa potencialmente reduzir desperdícios, aumentar eficiência e melhorar a previsibilidade da produção.
Para o mercado, significa maior capacidade de rastrear e comprovar a origem e as características do produto.
Para o consumidor, significa mais informação sobre o alimento que chega à mesa.
A sustentabilidade também deverá deixar de ser tratada como uma questão isolada.
Ela tende a se transformar em um componente econômico da produção, especialmente se mecanismos como o pagamento por serviços ambientais forem ampliados.
Nesse cenário, produtores que preservam recursos naturais poderão ter novas formas de reconhecimento e remuneração.
A discussão ainda está em evolução, mas a presença do tema na programação do IRGA mostra que o setor começa a olhar para ele de maneira estratégica.
O mesmo ocorre com a inovação.
Inovar não significa apenas adquirir máquinas novas. Pode significar mudar processos, utilizar melhor os dados, aperfeiçoar o manejo, desenvolver novas variedades, reduzir custos ou encontrar novos mercados.
Essa visão mais ampla aparece na agenda do instituto.
O futuro do arroz gaúcho dependerá justamente da capacidade de combinar diferentes tipos de inovação.
A tecnologia precisa chegar ao campo, a pesquisa precisa chegar ao produtor e a produção precisa chegar a novos consumidores.
A Expointer cria um ambiente favorável para que essas conexões aconteçam.
Durante nove dias, o parque de Esteio reunirá produtores rurais, empresas, pesquisadores, autoridades e visitantes de diferentes regiões.
A Casa do IRGA funcionará como um espaço especializado dentro desse grande evento.
Nos dias 5 e 6 de setembro, a instituição voltará ao formato Casa Aberta, permitindo novamente o contato direto entre a equipe técnica, produtores e visitantes.
Essa proximidade é importante porque muitos desafios do campo são identificados primeiro pelo produtor.
A troca de experiências permite que pesquisadores compreendam melhor os problemas encontrados na lavoura e que agricultores conheçam soluções desenvolvidas pela pesquisa.
É dessa interação que podem surgir as próximas inovações do setor.
O futuro também dependerá da capacidade de formar novas lideranças.
A programação prevê discussões sobre desenvolvimento humano e protagonismo, além da participação de mulheres produtoras e representantes do setor.
Isso mostra que a modernização da agricultura não envolve apenas máquinas e tecnologias.
Também envolve pessoas, gestão e novas gerações preparadas para assumir a atividade rural.
O arroz gaúcho enfrenta desafios importantes, mas também possui vantagens competitivas.
O Rio Grande do Sul possui uma longa tradição na produção de arroz irrigado, uma cadeia industrial consolidada, conhecimento técnico acumulado e instituições dedicadas à pesquisa e extensão.
O desafio é transformar essas vantagens em competitividade sustentável para as próximas décadas.
A Expointer 2026 será uma oportunidade para medir até onde essa transformação já avançou.
Mais do que apresentar tecnologias, o IRGA pretende colocar em discussão uma pergunta estratégica: como produzir arroz de maneira mais eficiente, sustentável e valorizada pelo mercado?
A resposta deverá envolver produtores, pesquisadores, indústria, governo e consumidores.
O setor também terá de acompanhar as mudanças no comércio internacional e a evolução dos mercados do Mercosul.
Novas oportunidades de exportação poderão surgir, mas exigirão qualidade, regularidade de fornecimento, competitividade e capacidade de atender às exigências dos compradores.
Por isso, a agenda de internacionalização iniciada pelo IRGA e pela Invest RS pode ganhar importância nos próximos anos.
O arroz gaúcho pode deixar de ser visto apenas como uma commodity agrícola e passar a ser promovido como um produto associado a qualidade, tecnologia, sustentabilidade e origem.
Essa mudança de posicionamento pode abrir espaço para novos mercados e aumentar o valor agregado da produção.
A Expointer será um dos palcos para essa estratégia.
O evento reunirá em um mesmo espaço os principais atores do agronegócio e permitirá que o IRGA apresente suas iniciativas diretamente ao público especializado.
A Casa do IRGA será, em 2026, mais do que um espaço institucional: será um laboratório de discussão sobre o futuro da orizicultura gaúcha.
A programação combina pesquisa, sustentabilidade, mercado, tecnologia, gastronomia, relacionamento institucional e negócios.
Essa combinação revela a direção que o setor pretende seguir.
Produzir melhor, preservar mais, agregar valor, ampliar mercados e aproximar ciência e produtor.
Se essa estratégia avançar nos próximos anos, o arroz do Rio Grande do Sul poderá fortalecer sua posição no mercado nacional e ampliar sua presença internacional.
O resultado dependerá de investimentos, políticas públicas, capacidade de inovação e, principalmente, da participação dos produtores.
A Expointer 2026 será uma oportunidade para iniciar ou aprofundar essas conexões.
O futuro do arroz gaúcho será definido no campo, mas também será construído nos laboratórios, nas universidades, nas empresas, nos mercados e nas decisões estratégicas tomadas agora.
A programação do IRGA mostra que o setor já começou a preparar esse futuro.
Com inovação, sustentabilidade e uma estratégia cada vez mais voltada ao mercado, o arroz gaúcho busca transformar seus desafios atuais em novas oportunidades de crescimento.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileño, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur. Especializado en integración regional, geopolítica y derechos humanos, desarrolla una destacada labor en el ámbito de la comunicación internacional.
Posee un Máster en Desarrollo y Cooperación Internacional y mantiene una amplia red de relaciones profesionales, académicas y diplomáticas en América Latina y Asia.
Entre sus reconocimientos destacan el Micrófono de Oro de la Asociación Nacional de Locutores de México (2021), el Doctorado Honoris Causa de la Universidad Internacional México Blanco (2020) y el título de Amigo de la Niñez y la Adolescencia.
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