
Em 9 de abril de 2026, completam-se 5 anos, 7 meses e 19 dias da morte de Antônio de Souza Almeida, fundador da Editora Kelps e um dos principais responsáveis pela consolidação do mercado editorial em Goiás. Ele faleceu em 21 de agosto de 2020, em Goiânia, aos 69 anos, em decorrência de complicações da Covid-19 associadas a um câncer na coluna.
Mais do que um editor, Antônio Almeida operava como um verdadeiro articulador cultural. Com formação básica, construiu uma trajetória singular: conectava escritores, viabilizava financeiramente publicações, organizava tiragens e garantia circulação. Em um estado historicamente carente de políticas estruturadas para o livro, ele funcionou, na prática, como uma ponte entre autores e leitores.
A dimensão de sua atuação ajuda a medir o impacto de sua ausência. A Editora Kelps, sob sua liderança, acumulou dezenas de milhares de títulos publicados ao longo das décadas, consolidando-se como uma das maiores casas editoriais do Centro-Oeste. Embora não exista um número exato de autores beneficiados diretamente por ele, é razoável afirmar que sua morte afetou milhares de escritores, poetas, pesquisadores e artistas ligados ao livro em Goiás.

Nascido em Rio Verde (GO), em 1951, Almeida mudou-se para Goiânia com os irmãos nos anos 1980, onde iniciou uma pequena gráfica que daria origem à Kelps. Paralelamente, construiu influência institucional: foi vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e presidiu o sindicato das indústrias gráficas. Ainda assim, sua marca mais profunda permaneceu no campo cultural.
A repercussão de sua morte foi imediata e significativa. Em redes sociais, políticos, escritores e editores destacaram não apenas sua atuação profissional, mas sobretudo seu caráter. O ex-governador Marconi Perillo lamentou publicamente a perda, ressaltando sua contribuição para a cultura goiana por meio da publicação de milhares de obras. A própria Editora Kelps o descreveu como uma figura “respeitada e querida”, enquanto escritores próximos enfatizaram sua generosidade e disponibilidade constante para apoiar novos autores.
A memória institucional também se consolidou. Ainda em 2020, a Câmara Municipal de Goiânia criou a Comenda Literária Antônio Almeida, destinada a reconhecer escritores goianos. A honraria segue ativa e se tornou um dos principais símbolos de valorização da produção literária local, perpetuando o nome do editor no circuito cultural.
Passados quase seis anos, sua ausência permanece estrutural. Não se trata apenas da falta de um empresário do setor gráfico, mas da perda de um agente que viabilizava projetos, assumia riscos financeiros e mantinha uma relação direta — muitas vezes pessoal — com autores. Em um ambiente onde publicar ainda é um desafio, a figura de Antônio Almeida continua sendo lembrada como um ponto fora da curva.
Sua trajetória evidencia um dado central: durante décadas, em Goiás, a existência de muitos livros — e, por extensão, de muitos escritores — esteve diretamente ligada à sua atuação. A literatura goiana, desde então, segue existindo, mas sem uma de suas principais engrenagens humanas.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Periodista prensa mercosur
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