
Ainda que a bolsa de valores brasileira tenha deixado a desejar, os investidores embolsaram outro tipo de retorno. As empresas brasileiras pagaram US$ 4,4 bilhões em dividendos no segundo trimestre de 2026, cerca de R$ 22,65 bilhões, uma alta de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. E a maior pagadora da lista superou a Petrobras (PETR3) não é nem negociada na B3, a bolsa de valores brasileira.
Enquanto isso, o Ibovespa acumulou alta de 15,70% desde o início do ano.
As informações fazem parte do Índice Global de Dividendos e Recompras da Janus Henderson.
Entre os 45 países analisados pela Janus Henderson, o Brasil ficou em 26º lugar, ao lado da Bélgica, e representou 38% de todos os pagamentos feitos por empresas da América Latina, a maior fatia da região.
Os dividendos globais atingiram US$ 757,8 bilhões, com crescimento subjacente de 7,3%.
As ações de empresas brasileiras que mais pagaram dividendos
O Brasil distribuiu um valor estimado de US$ 4,4 bilhões em dividendos, com crescimento subjacente de 12,8%, excluindo efeitos cambiais ou extraordinários.
Entre as dez ações brasileiras que mais entregaram dividendos, a JBS é a primeira. A gigante do processamento de carnes teve um aumento expressivo em seu dividendo por ação, de US$ 0,35 para US$ 1,00.
Ainda que seja negociada na bolsa de Nova York, a empresa pode ser acessada pelo BDR JBSS32 na bolsa de valores brasileira.
Em seguida, aparecem Petrobras (PETR3 e PETR4, ordinária e preferencial respectivamente), Vivo (VIVT3), Bradesco (preferencial, BBDC4, e ordinária, BBDC3), Banco do Brasil (BBAS3), Rede D’Or São Luiz (RDOR3), B3 (B3SA3) e Sabesp (SBSP3).
Globalmente, o setor financeiro permaneceu como maior fonte de dividendos globalmente, distribuindo US$ 239,7 bilhões, um aumento de 8,1%.
No total, as 1.500 companhias analisadas pelo índice entregaram US$ 572 bilhões, uma alta nominal de 26,8%, lideradas pela petroleira saudita Aramco, pela Nestlé e pelo banco HSBC.
A petroleira já lidera o ranking há pelo menos quatro trimestres seguidos.
No ranking global, veja quais são as 10 maiores pagadoras:
- Saudi Aramco Oil Co.
- Nestle S.A.
- HSBC Holdings
- Allianz SE
- Microsoft Corporation
- Nvidia
- Tencent Holdings
- Agricultural Bank of China Limited
- PetroChina
- Zurich Insurance Group
Recompras de ações
O mecanismo preferido das companhias para gerar ao retorno ao acionista neste período não foi o pagamento de dividendos.
Os programas de recompras de ações globais atingiram US$ 572,0 bilhões no 2º trimestre de 2026, um aumento de 26,8% em relação ao ano anterior.
Isso porque dividendos regulares são difíceis de reduzir depois de estabelecidos. Por isso, a liderança das companhias estão recorrendo cada vez mais às recompras para devolver retornos sem se comprometer com uma taxa de distribuição permanentemente mais alta.
O setor de tecnologia ultrapassou setor financeiro como maior fonte de recompras, com US$ 121,1 bilhões em ações. O setor de tecnologia também registrou o crescimento subjacente de dividendos mais rápido entre todos os setores, de 23,5%, com pagamentos totalizando US$ 70,5 bilhões.
Em relação às recompras de ações, o Brasil recomprou US$ 1,1 bilhão em ações, tornando-se o maior comprador da região. O México veio em seguida, com US$ 0,4 bilhão em recompras.
Quais as principais tendências em pagamentos de dividendos no mundo?
As projeções atuais para o ano-calendário de 2026 estimam crescimento de 5% a 6% para os dividendos e de 7% a 8% para as recompras de ações.
O relatório aponta uma perspectiva bastante positiva para as distribuições globais, que estão fortes e mais resilientes do que o cenário econômico poderia sugerir.
No entanto, há alguns pontos de atenção. Um deles é a incerteza geopolítica, que aumenta as pressões inflacionárias, mas que ainda não se traduziram em uma deterioração dos pagamentos aos acionistas.
Em segundo lugar, está o ambiente de consumo, cuja confiança permanece frágil e cuja pressão está particularmente visível em compras discricionárias de maior valor.
O crescimento da inteligência artificial é outro destaque. Até agora, o setor de tecnologia conseguiu combinar níveis muito elevados de investimento de capital em tecnologia e infraestrutura com recompras substanciais de ações.
No entanto, se os investimentos continuarem aumentando, como tem sido o caso até agora, o risco é que as empresas passem a gerar menos caixa, «e esse equilíbrio poderá se tornar mais difícil de sustentar», afirma o relatório.
«Se os investimentos em IA continuarem elevados, as empresas poderão eventualmente precisar fazer escolhas mais difíceis entre financiar o crescimento, preservar a flexibilidade dos balanços e sustentar o ritmo atual de recompras.»
ACERCA DEL CORRESPONSAL
JOSé CARLOS FERREIRA
José Carlos Ferreira es corresponsal de Prensa Mercosur en Río de Janeiro, Brasil, con posibilidad de desarrollar su labor periodística en todo el territorio brasileño. Cuenta con experiencia profesional en comunicación y medios, vinculada a WBP Brasil y Rede Globo de Televisão, y posee especial interés en política, noticias regionales, reportajes y entrevistas. Su incorporación fortalece la presencia de Prensa Mercosur en Brasil, aportando experiencia, contenidos y una mirada cercana a la realidad brasileña para informar y conectar al país con la agenda del Mercosur.
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