A América Latina vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que bate recordes de exportação de commodities agrícolas e minerais, a região assiste ao encolhimento de sua indústria de transformação e à perda de espaço dos produtos manufaturados no comércio global.
Diante de um cenário global em que a China domina a manufatura de baixo custo e os países desenvolvidos aplicam subsídios massivos, a América Latina não vai conseguir competir com o Sudeste Asiático na manufatura de baixo valor agregado ou em bens de consumo de massa de baixo custo devido ao valor da mão de obra e políticas aplicada. A oportunidade real está na industrialização associada aos recursos naturais e à transição energética. A região tem o lítio, o cobre, o ferro de alta pureza e a matriz elétrica mais limpa do mundo. Se exportarmos baterias processadas em vez de lítio bruto, ou aço verde em vez de minério sem processamento, mudamos o patamar do nosso comércio exterior, porem países como Brasil exportam petróleo para importar seus derivados, alimentando assim sua dependência internacional.
Um dos pontos propostos pelas novas agendas industriais é o uso de subsídios direcionados e forte atuação de bancos públicos. O subsidiar por subsidiar gera apenas dependência fiscal e renda para setores ineficientes. Se o Estado aplicar recursos públicos via crédito de bancos públicos de desenvolvimento, ou, incentivos fiscais, o contrato deve exigir metas rígidas de produtividade, gastos em P&D, redução de emissões e volume de exportação. Se a empresa não cumprir as metas em prazos curtos, o incentivo é cortado. Sem disciplina fiscal e regras de saída, a política industrial vira apenas mais um fator de pressão sobre a dívida pública regional. Todo investimento precisa apresentar ROI (taxa interno de retorno), caso contrário vira um negócio de captação de recursos.
protecionistas pesadas. Qual a linha tênue entre combater o dumping asiático e isolar o continente da tecnologia de ponta global?
Medidas protecionista que são adotadas por vários países e vários continentes, visam gerar uma defesa comercial e não deve ser confundida com isolacionismo. O combate ao dumping — como a entrada de aço ou químicos com preços artificialmente rebaixados por subsídios estrangeiros — é legítimo e respaldado pela Organização Mundial do Comércio (OMC). O problema é quando o país usa medidas antidumping ou tarifas elevadas para proteger empresas locais que simplesmente não investem em modernização. Para evitar o isolamento, a regra deve ser: protege-se o mercado interno contra práticas desleais temporariamente, mas desoneram-se totalmente as importações de máquinas, componentes de alta tecnologia e bens de capital essenciais que a indústria nacional não fabrica. Protege-se a competição justa, não a ineficiência.
A harmonização regulatória e o fim da burocracia intra-bloco. Hoje é mais fácil uma fábrica brasileira ou argentina exportar para a Europa ou Ásia do que vender um produto manufaturado dentro do próprio Mercosul devido a barreiras burocráticas, divergências de padrões técnicos e regimes aduaneiros arcaicos. Se não conseguirmos integrar as cadeias produtivas regionais para que o Brasil forneça partes e a Argentina ou o Uruguai agreguem valor — ou vice-versa —, a América Latina continuará dependente de ser o celeiro e a mina do mundo, assistindo à desindustrialização dos seus mercados.
Outro ponto grave são as divergências ideológicas que os governos na America Latina adotam, colocando essas diferenças e divergências ideológicas acima dos interesses globais de seus países e continente.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
JOSé CARLOS FERREIRA
José Carlos Ferreira es corresponsal de Prensa Mercosur en Río de Janeiro, Brasil, con posibilidad de desarrollar su labor periodística en todo el territorio brasileño. Cuenta con experiencia profesional en comunicación y medios, vinculada a WBP Brasil y Rede Globo de Televisão, y posee especial interés en política, noticias regionales, reportajes y entrevistas. Su incorporación fortalece la presencia de Prensa Mercosur en Brasil, aportando experiencia, contenidos y una mirada cercana a la realidad brasileña para informar y conectar al país con la agenda del Mercosur.
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