O Paraná parte de uma posição estratégica para aproveitar a abertura comercial criada pelo acordo entre o Mercosul e a União Europeia. O Estado já mantém uma relação comercial expressiva com o bloco europeu e, com a aplicação provisória do acordo desde 1º de maio de 2026, empresas e produtores paranaenses passaram a trabalhar para transformar a redução de barreiras comerciais em novas oportunidades de exportação.
Em 2025, o Paraná exportou US$ 2,46 bilhões para a União Europeia, valor equivalente a 10,4% de todas as vendas externas do Estado. O montante superou as exportações paranaenses para Argentina, Estados Unidos e México consideradas individualmente, mostrando que o mercado europeu já possui um peso significativo na economia estadual.
A força do Paraná está principalmente no agronegócio e na agroindústria. Entre os produtos que já encontram espaço no mercado europeu estão o farelo de soja, madeira compensada e carne de frango. Em 2025, somente o farelo de soja respondeu por cerca de US$ 950 milhões das exportações paranaenses para a UE, enquanto a madeira compensada representou US$ 203 milhões e a carne de frango in natura, US$ 187 milhões.
Mas a oportunidade não se limita às commodities. O Paraná também exporta máquinas de terraplanagem, produtos químicos e componentes para motores de veículos, demonstrando que existe uma base industrial capaz de participar da expansão do comércio bilateral. O acordo pode favorecer justamente empresas que consigam combinar competitividade, qualidade, certificação, rastreabilidade e capacidade de atender às exigências europeias.
Para os pequenos negócios, o cenário também pode ser relevante. O Sebrae Paraná aponta potencial para segmentos como alimentos e bebidas, artesanato, moda, design e produtos com certificação de origem, especialmente quando apresentam identidade territorial e diferenciação. A entrada no mercado europeu, porém, exige preparação para normas técnicas, sanitárias, ambientais e de origem.
Um dos efeitos mais importantes do acordo é a redução progressiva das tarifas. Segundo o governo brasileiro, a oferta europeia prevê desgravação imediata ou gradual em diferentes períodos, incluindo quatro, sete, oito, dez e 12 anos, abrangendo aproximadamente 95% dos bens e 92% do valor das importações europeias de produtos brasileiros.
Para o Paraná, estudos do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) indicam um possível impacto significativo. A estimativa é de que cada aumento anual de 1% nas exportações paranaenses para a União Europeia possa acrescentar R$ 137,5 milhões ao PIB estadual e gerar cerca de 1,1 mil empregos, considerando os efeitos diretos e indiretos sobre a atividade econômica.
O acordo, entretanto, não significa que os resultados aparecerão automaticamente. Empresas interessadas terão de adaptar processos produtivos, obter certificações, cumprir requisitos de origem e atender aos padrões exigidos pelos consumidores europeus. No setor agropecuário, questões sanitárias e ambientais podem ser determinantes para transformar uma redução tarifária em efetivas vendas.
O momento também exige atenção porque o comércio entre Mercosul e União Europeia atravessa uma fase de implementação e ajustes. O acordo comercial provisório entrou em aplicação em 1º de maio de 2026, enquanto a estrutura jurídica definitiva ainda depende das etapas de aprovação previstas nos dois blocos.
Ao mesmo tempo, os primeiros números nacionais indicam que a relação comercial já apresenta movimento. Em agosto, as exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 46,4% em valor e 30,3% em volume na comparação anual, embora parte desse resultado possa refletir fatores conjunturais e o início dos efeitos do acordo.
Para o Paraná, portanto, a questão central não é apenas vender mais, mas vender produtos de maior valor agregado e conquistar espaço permanente em um mercado de aproximadamente 450 milhões de consumidores europeus. O próprio Mercosul estima que o acordo eliminará tarifas para 92% das exportações do bloco para a UE e concederá acesso preferencial para outros 7,5%.
O Paraná chega a essa nova etapa com uma vantagem importante: já possui mercado, infraestrutura produtiva e experiência exportadora. O desafio agora é transformar essa posição em expansão concreta, levando produtos do campo, da indústria e dos pequenos negócios paranaenses para consumidores europeus. Se as empresas conseguirem cumprir as exigências e aproveitar gradualmente as novas condições tarifárias, o acordo Mercosul–União Europeia poderá representar não apenas mais exportações, mas também investimentos, empregos e uma maior internacionalização da economia paranaense.
Foto: Divulgação / Jornal DiaDia
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileño, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur. Especializado en integración regional, geopolítica y derechos humanos, desarrolla una destacada labor en el ámbito de la comunicación internacional.
Posee un Máster en Desarrollo y Cooperación Internacional y mantiene una amplia red de relaciones profesionales, académicas y diplomáticas en América Latina y Asia.
Entre sus reconocimientos destacan el Micrófono de Oro de la Asociación Nacional de Locutores de México (2021), el Doctorado Honoris Causa de la Universidad Internacional México Blanco (2020) y el título de Amigo de la Niñez y la Adolescencia.
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