O Brasil tem uma longa tradição de famílias que atravessam gerações pela música, mas o trio Gilsons encontrou uma maneira própria de transformar esse legado em uma sonoridade contemporânea. Formado por José Gil, Francisco Gil e João Gil, respectivamente filho e netos de Gilberto Gil, o grupo combina MPB, samba, pop, reggae, música eletrônica e referências afro-baianas para construir uma identidade que dialoga diretamente com o público mais jovem.
A história dos Gilsons começou oficialmente em 2018, depois que José Gil foi convidado para realizar uma apresentação no Rio de Janeiro e chamou os sobrinhos João e Francisco para acompanhá-lo. O encontro funcionou tão bem que aquilo que inicialmente seria apenas uma participação em um show acabou dando origem a um novo projeto musical. O nome Gilsons foi sugerido por Preta Gil, mãe de Francisco, como uma brincadeira com o sobrenome da família e uma homenagem à tradição musical representada por Gilberto Gil.
Antes de formarem o trio, os músicos já haviam experimentado o trabalho coletivo com a banda Sinara, ao lado de Luthuli Ayodele e MagnoBrito. Essa experiência ajudou a construir a dinâmica entre os integrantes e também mostrou que a nova geração da família poderia desenvolver caminhos próprios dentro da música brasileira.
O primeiro grande passo dos Gilsons veio em 2019, com o EP “Várias Queixas”, que reuniu cinco faixas. A música que dá nome ao trabalho é uma releitura de uma composição associada ao Olodum e tornou-se uma das portas de entrada do grupo para um público mais amplo. O projeto também apresentou canções autorais como “Vento Alecrim”, “A Voz”, “Cores e Nomes” e “Love Love”.
O grupo conseguiu construir uma sonoridade que não depende apenas do sobrenome famoso. A influência de Gilberto Gil está presente, mas os Gilsons procuram estabelecer sua própria identidade, combinando elementos tradicionais da música baiana com uma produção contemporânea que incorpora pop, eletrônico, reggae, samba, afoxé e outras referências da música brasileira.
Essa mistura também explica parte da força do trio nas plataformas digitais. Suas músicas trabalham frequentemente com temas universais — amor, encontros, despedidas, desejo e relações humanas — apresentados de maneira leve e contemporânea. Para a Novabrasil, essa capacidade de aproximar romantismo e sonoridades modernas ajudou os Gilsons a encontrar espaço entre os novos nomes da MPB.
Uma herança que não ficou presa ao passado
A relação com a família Gil é inevitável, mas também representa um desafio. Ser filho e netos de um dos nomes mais importantes da música brasileira poderia fazer com que o trio fosse permanentemente comparado com as gerações anteriores.
Em vez de rejeitar essa herança, os Gilsons incorporam elementos dela e os transformam. A presença da cultura afro-baiana, dos ritmos populares e das referências musicais que fazem parte da trajetória da família aparece ao lado de linguagens contemporâneas, criando uma ponte entre tradição e novas formas de produzir e consumir música.
O resultado é uma música que preserva referências brasileiras sem parecer presa a uma época específica. É justamente essa combinação entre ancestralidade e contemporaneidade que coloca os Gilsons em destaque dentro da nova geração da música popular brasileira.
“Pra Gente Acordar” consolidou o projeto
Em 2022, o trio lançou “Pra Gente Acordar”, seu primeiro trabalho autoral de maior alcance, reunindo nove músicas. O álbum aprofundou a proposta apresentada desde o EP de estreia e mostrou que os Gilsons não pretendiam depender apenas de releituras ou da força do sobrenome familiar.
A trajetória continuou avançando e, em 2026, o grupo entrou em uma nova etapa com o desenvolvimento de um novo álbum. Entre os lançamentos do início do ano está “Minha Flor”, composta em parceria com Arnaldo Antunes e com participações de Caetano Veloso, Moreno Veloso e Tom Veloso, além de “Bem Me Quer”, escrita com Narcizinho Santos, compositor relacionado à história de “Várias Queixas”.
Essa nova fase também amplia o alcance internacional do trio. Programações de 2026 indicam uma turnê com apresentações no Brasil e no exterior, incluindo países da Europa e da Oceania, mostrando que a música brasileira contemporânea continua encontrando novos públicos fora do país.
Por que conhecer os Gilsons?
Os Gilsons representam uma geração que não precisa escolher entre tradição e inovação. Eles carregam uma das famílias mais importantes da história da música brasileira, mas utilizam essa herança como ponto de partida, não como limite.
Para quem ainda não conhece o trabalho do trio, músicas como “Várias Queixas”, “Love Love” e “Pra Gente Acordar” ajudam a compreender rapidamente essa proposta: melodias acessíveis, romantismo, ritmos brasileiros, referências afro-baianas e uma produção sonora conectada ao presente.
Mais do que um grupo formado por descendentes de Gilberto Gil, os Gilsons estão construindo uma trajetória própria. O sobrenome explica de onde vieram; a música mostra para onde estão indo.
Foto: Divulgação / Novabrasil
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileño, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur. Especializado en integración regional, geopolítica y derechos humanos, desarrolla una destacada labor en el ámbito de la comunicación internacional.
Posee un Máster en Desarrollo y Cooperación Internacional y mantiene una amplia red de relaciones profesionales, académicas y diplomáticas en América Latina y Asia.
Entre sus reconocimientos destacan el Micrófono de Oro de la Asociación Nacional de Locutores de México (2021), el Doctorado Honoris Causa de la Universidad Internacional México Blanco (2020) y el título de Amigo de la Niñez y la Adolescencia.
- ★Salud: ¿qué dice el color de la orina sobre el organismo y cuándo conviene consultar?
- ★La edad que sentimos no siempre coincide con la que tenemos y la ciencia explica por qué
- ★El Salvador: acuerdos con Bolivia y Belice abren nuevas rutas para las exportaciones salvadoreñas
- ★Brasil: Gilsons transforma herança musical da família Gil em uma das novas vozes da MPB
- ★Perú: Pica Pica regresa a Lima con música, baile y teatro infantil para toda la familia


