
O Vinci Shopping Centers (VISC11) vem mexendo no portfólio na tentativa de recompor o caixa e reduzir suas obrigações financeiras. Somente entre julho e agosto, o fundo imobiliário havia vendido participações em 19 dos 32 ativos que detinha. Em setembro, foram mais cinco. Agora, entrou em cena outra movimentação relevante.
O FII assinou um memorando de entendimentos para vender frações minoritárias em três shopping centers de seu portfólio por um valor indicativo total de R$ 160 milhões.
Em comunicado ao mercado, o veículo informou que a compradora é a Argoplan Desenvolvimento e Gestão, que já administra dois dos empreendimentos envolvidos na transação: o Campinas Shopping, em Campinas (SP), e o Prudenshopping, em Presidente Prudente (SP).
O terceiro ativo é o Shopping Praia da Costa, localizado em Vila Velha (ES), que, como parte da operação, também passará a ser administrado pela mesma empresa. Atualmente, o serviço é realizado pela Soul Malls.
Ao todo, a negociação prevê a venda de 10% do Prudenshopping, outros 10% do Campinas Shopping e 15% do Shopping Praia da Costa. No final da transação, porém, o VISC11 continuará com participações relevantes nos três empreendimentos, de 63%, 45% e 83,7%, respectivamente.
Sócia e administradora
Para além da recomposição do caixa e da redução das obrigações financeiras, a operação também tem um componente estratégico, segundo o fundo.
Isso porque, com a entrada da Argoplan como sócia dos três ativos e a transferência da administração do Shopping Praia da Costa, o VISC11 espera ampliar o alinhamento de interesses entre os proprietários e os responsáveis pela gestão dos centros comerciais.
De acordo com o veículo, a parcela do resultado operacional líquido (NOI) proveniente de shoppings administrados por empresas que também detêm participação nos respectivos empreendimentos saltará de 58% para 82% em seu portfólio.
A avaliação é que esse modelo incentiva uma gestão mais comprometida com a obtenção de ganhos e a valorização dos imóveis no longo prazo.
Quanto a venda pode render ao VISC11?
O pagamento dos R$ 160 milhões será dividido em quatro parcelas iguais de R$ 40 milhões. A primeira será paga à vista, no momento do fechamento da transação, e as demais em 12, 24 e 36 meses, corrigidas pela variação positiva do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Pelas contas do VISC11, a negociação deve gerar um ganho de capital bruto de aproximadamente R$ 50 milhões para os seus cofres, equivalente a R$ 1,74 por cota.
O valor líquido estimado, no entanto, é menor, de cerca de R$ 48 milhões, ou R$ 1,66 por papel. A diferença considera despesas financeiras que serão antecipadas com o pré-pagamento de obrigações vinculadas aos shoppings vendidos.
Segundo o comunicado, os recursos da transação, à medida que forem recebidos e após o pagamento antecipado dessas obrigações, devem contribuir para recompor a posição de caixa do fundo em aproximadamente R$ 100 milhões. Atualmente, o VISC11 dispõe de R$ 247,6 milhões.
A expectativa também é que, com a conclusão da operação, as obrigações líquidas do FII caiam 24%, de R$ 463 milhões para R$ 351 milhões.
Para ser finalizada, a transação ainda depende do cumprimento de algumas condições precedentes, incluindo diligências, aprovações aplicáveis, liberação de garantias e assinatura dos documentos definitivos.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
JOSé CARLOS FERREIRA
José Carlos Ferreira es corresponsal de Prensa Mercosur en Río de Janeiro, Brasil, con posibilidad de desarrollar su labor periodística en todo el territorio brasileño. Cuenta con experiencia profesional en comunicación y medios, vinculada a WBP Brasil y Rede Globo de Televisão, y posee especial interés en política, noticias regionales, reportajes y entrevistas. Su incorporación fortalece la presencia de Prensa Mercosur en Brasil, aportando experiencia, contenidos y una mirada cercana a la realidad brasileña para informar y conectar al país con la agenda del Mercosur.
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