| IAções PLATAFORMA DE RESEARCH · BRASIL HORIZONTE OPINIÃO DO IANALISTA Gerdau S.A. – GGBR4 Siderurgia — B3 Nível 1 · NYSE (GGB) Resumo Executivo · 28 de outubro de 2026 |
Preço R$ 23,71 · Market Cap R$ 44,1 Bi · P/L aj. 9,4x · P/VPA 0,81x · EV/EBITDA 4,1x · Div. Yield 3,3%
Resumo Executivo
A Gerdau (GGBR4) vende quase o mesmo volume de aço no Brasil e na América do Norte, mas o lucro mora ao norte: no 3T26, a operação norte-americana gerou 76% do EBITDA ajustado, com margem de 27,7%, a maior em quatro anos. O consolidado chegou a EBITDA de R$ 3,8 bi e margem de 20,2%, a melhor desde 2023, e fluxo de caixa livre de R$ 1,4 bi. No Brasil, importação em alta e juros de 13,75% mantêm a margem em 10,7%, depois de uma baixa contábil de R$ 1,96 bi no 4T25.
O balanço é leve (dívida líquida de 0,58x o EBITDA; Fitch e S&P com perspectiva positiva) e o fim do ciclo de investimento libera caixa para dividendos crescentes — R$ 0,34/ação no 3T26 — e recompra. A R$ 23,71, a ação negocia a 0,81x o patrimônio e 9,4x o lucro recorrente; a reavaliação depende de o Brasil voltar a margens de dois dígitos sem que a proteção tarifária nos EUA se desfaça.
PILARES DA TESE
- América do Norte: 76% do EBITDA, carteira >100 dias, preço +US$ 70/t no tri.
- Balanço: 0,58x DL/EBITDA, dívida de 7,5 anos, ratings com perspectiva positiva.
- Caixa ao acionista: dividendos trimestrais crescentes + recompra e cancelamentos.
PONTOS DE ATENÇÃO
- Brasil: margem de 10,7%, importação de aço plano +34% t/t e baixa de R$ 1,96 bi.
- Política comercial dos EUA: tarifas, USMCA e eleições sustentam o preço.
- 4T26: companhia sinaliza compressão de margem no Brasil.
“A Gerdau virou uma siderúrgica americana com sede em São Paulo: três de cada quatro reais de EBITDA vêm do norte. A bolsa ainda a precifica pelo Brasil — e o Brasil, por enquanto, subtrai. O teste não é a próxima margem americana, é a primeira margem brasileira de dois dígitos.” — IAnalista
SNAPSHOT — INDICADORES
| PREÇO (28/10, ~15H30)R$ 23,71 | MARKET CAPR$ 44,1 Bi | P/L AJUSTADO9,4x | P/VPA0,81x |
| EV/EBITDA AJ.4,1x | DIV. YIELD 12M3,3% | RECEITA 12MR$ 70,3 Bi | EBITDA AJ. 3T26+37,8% a/a |
| LUCRO AJ. 12MR$ 4,67 Bi | DL / EBITDA0,58x |
DESEMPENHO DA AÇÃO
| PERF. | SEM | MÊS | 6M | YTD | 12M |
| GGBR4 | -10,6% | -5,5% | +5,1% | +15,6% | +23,2% |
COTAÇÃO — 12 MESES
Out/25 — Out/26 · 12M: +23,2%

| Relatório Completo — Gerdau (GGBR4)O que é a companhia, quem a controla, de onde vem cada real de lucro, onde pode perder dinheiro, como o preço reage ao macro e o que o múltiplo embute — com base nos documentos e séries do nosso banco de dados. |
1. O QUE É A GERDAU
Perfil, escala e onde estão os ativos
A Gerdau S.A. é uma siderúrgica com usinas no Brasil, nos Estados Unidos, no Canadá e em três países da América do Sul (Argentina, Peru e Uruguai), com 125 anos completados em janeiro de 2026. Produz vergalhão, perfis, barras, fio-máquina e aços especiais (para a indústria automotiva) a partir de duas rotas: usinas a sucata (fornos elétricos, que derretem metal reciclado) e a usina integrada de Ouro Branco (MG), que parte do minério de ferro e concentra a produção de aços planos (bobinas). Tem mineração própria em Minas Gerais e ações também listadas na NYSE (ADR nível II).
A companhia reporta três segmentos. Nos últimos doze meses vendeu cerca de 11,5 milhões de toneladas de aço e faturou R$ 70,3 bilhões. O dado que reorganiza a leitura da empresa está no 3T26: Brasil e América do Norte venderam volumes quase iguais (45% e 44% das toneladas), mas a América do Norte gerou 56% da receita e 76% do EBITDA ajustado. A Gerdau de 2026 é, no resultado, uma siderúrgica norte-americana com sede em São Paulo.
| VENDAS 3T262,91 Mtestável t/t; −5,6% a/a | RECEITA 12MR$ 70,3 bi4T25 a 3T26 | EBITDA AJ. 12MR$ 12,5 bimargem 17,8% | AM. DO NORTE76%do EBITDA no 3T26 |
2. ESTRUTURA SOCIETÁRIA E GOVERNANÇA
Quem controla, quem administra e o que protege o preferencialista
Capital e controle. O capital é dividido em 716,7 milhões de ações ordinárias (GGBR3) e 1.261,0 milhões de preferenciais (GGBR4), após o cancelamento de 277,6 mil ON aprovado em 26/10/2026. O controle é da Metalúrgica Gerdau S.A. (GOAU3/GOAU4), holding da família fundadora, que detém 98,0% das ordinárias e 35,4% do capital total (Formulário de Referência 2026). As preferenciais não votam, mas o estatuto lhes garante tag along de 100% — preço igual ao pago pelas ações do bloco de controle numa eventual venda — e participação no dividendo mínimo de 30% do lucro ajustado. A companhia está no Nível 1 da B3, não no Novo Mercado.
QUEM É DONO DA GERDAU
% do capital total · controle e free float pelo FRE 2026; BlackRock pelo comunicado de 09/10/2026; tesouraria pelo release 3T26

O free float é de 63,5% do capital (1,26 bilhão de ações, segundo o release do 3T26), concentrado nas PN. Entre os acionistas relevantes, a BlackRock passou a deter 10,03% das preferenciais em 06/10/2026; a T. Rowe Price caiu para 4,92% das PN em 16/10, o Bank of America para 4,12% em 21/08 e a FMR reduziu posição em fevereiro. A rotação entre gestoras estrangeiras ao longo de 2026 é frequente — na prática, quase todas as PN estão fora do bloco de controle.
Administração. O Conselho de Administração tem 6 membros, todos eleitos pelo controlador: três representantes da família (presidente e dois vice-presidentes), dois independentes (33%) e um conselheiro não independente. Há separação entre controle e gestão — a diretoria estatutária (cerca de 9 membros) é profissional. O Conselho Fiscal é permanente, com 3 membros efetivos, um deles eleito pelos preferencialistas. Mandatos vão até a AGO de 2027.
| REMUNERAÇÃO (R$ MI) | 2023 | 2024 | 2025 | 2026 (PREV.) |
|---|---|---|---|---|
| Conselho de Administração | 20,4 | 18,6 | 19,4 | 19,6 |
| Diretoria estatutária | 11,0 | 14,4 | 14,1 | 14,8 |
| Conselho Fiscal | 0,6 | 0,6 | 0,6 | 0,7 |
| Total da administração | 32,0 | 33,6 | 34,1 | 35,1 |
| % do lucro contábil do ano | 0,4% | 0,7% | 2,4% | — |
Fonte: FRE 2026 (versão 5, 02/09/2026), total por órgão. 2026 é previsão da companhia, não realizado. Só 3 dos ~9 diretores são remunerados pela Gerdau S.A.; os demais recebem pelas controladas — o número da diretoria subestima o custo total da gestão.
Em 2025, com o lucro contábil derrubado pela baixa de ativos, a remuneração da administração subiu a 2,4% do lucro (1,0% do lucro ajustado). Quase metade do pacote do conselho e da diretoria é paga em ações. Partes relacionadas (FRE): o maior item são garantias de R$ 601,6 mi (saldo de R$ 243,0 mi) a financiamentos da Gerdau Corsa, joint venture no México; seguem contribuições de R$ 145,4 mi ao fundo de pensão, compras e vendas de dezenas de milhões com controladas em conjunto e dois contratos com veículos da família — a venda de um imóvel em Porto Alegre a uma holding do controlador (6 parcelas anuais de R$ 3,5 mi) e uma locação de R$ 0,6 mi. Os valores são pequenos diante do porte da companhia. A auditoria é da PwC desde 2022 (R$ 11,8 mi em honorários de auditoria em 2025).
Movimentação de insiders (VLMO). Pessoas ligadas ao bloco de controle vêm vendendo PN em lotes pequenos e regulares (85,6 mil ações a R$ 25,41 em 23/09; 99,2 mil a R$ 25,20 em 10/08), sem mexer nas 703 milhões de ON que sustentam o controle; diretores também venderam lotes entre maio e setembro, e um conselheiro comprou 165 mil PN a R$ 24,06 em junho. Nada disso altera a estrutura de poder.
3. CONTEXTO RECENTE
Fatos relevantes, comunicados e atas — últimos 12 meses
Os documentos de 2026 desenham quatro frentes: retorno ao acionista (dividendos trimestrais crescentes, recompra e cancelamentos sucessivos de ações), crédito (duas agências mudaram a perspectiva para positiva e a linha global foi ampliada), energia própria (compra integral da Dona Francisca Energética) e troca de guarda entre gestoras estrangeiras no free float. A íntegra dos documentos está na página de GGBR4 na plataforma iAções.
| DATA | TIPO | DOCUMENTO |
|---|---|---|
| 26/10/2026 | Capital | Cancelamento de 277,6 mil ações ON em tesouraria; capital passa a 716,7 mi ON e 1.261,0 mi PN |
| 26/10/2026 | Proventos | Dividendos do 3T26: R$ 0,34/ação (R$ 667,0 mi), pagamento em 15/12/2026 |
| 26/10/2026 | Resultado | Release do 3T26 — EBITDA ajustado de R$ 3,8 bi e margem de 20,2% |
| 22/10/2026 | Rating | S&P Global revisa a perspectiva para positiva e mantém BBB / brAAA |
| 20/10/2026 | Acionista | T. Rowe Price reduz para 4,92% das ações preferenciais |
| 09/10/2026 | Acionista | BlackRock passa a 10,03% das ações preferenciais |
| 31/08/2026 | Dívida | Nova linha de crédito global de US$ 1,125 bi (antes US$ 875 mi), prazo até 2031 |
| 06/08/2026 | M&A | Conclusão da compra de 23,03% da Dona Francisca Energética (DFESA) da Copel |
| 04/08/2026 | Capital | Cancelamento de 163,1 mil ON e 6,975 mi PN; dividendos do 2T26 de R$ 0,23/ação |
| 20/07/2026 | M&A | Conclusão da compra de 23,03% da DFESA da Celesc (EV de R$ 150 mi) |
| 02/07/2026 | Rating | Fitch revisa a perspectiva para positiva e mantém BBB / brAAA |
| 27/04/2026 | Proventos | Dividendos do 1T26 de R$ 0,18/ação |
| 23/02/2026 | Capital | Programa de Recompra 2026: até 55 mi PN e 1,44 mi ON em 18 meses |
RESULTADO · 26/10/2026
3T26: melhor margem desde o 2T23
EBITDA ajustado de R$ 3,77 bi (+9,9% t/t; +37,8% a/a) e margem de 20,2%, com receita de R$ 18,7 bi e lucro líquido de R$ 1,56 bi (ajustado R$ 1,52 bi, excluindo R$ 60 mi de recuperação de créditos). A companhia atribui R$ 559 mi do ganho trimestral de EBITDA aos reajustes de preço capturados no ano, quase todos na América do Norte. Fluxo de caixa livre de R$ 1,44 bi. Na apresentação de 27/10, a leitura para o 4T26 (que a companhia diz não ser guidance) é de margens estáveis na América do Norte e compressão no Brasil. A GGBR4 fechou em queda de 2,8% em 27/10 e recuava 4,2% em 28/10, por volta das 15h30.
CRÉDITO · 02/07 E 22/10/2026
Fitch e S&P apontam para cima
As duas agências mantiveram rating BBB (escala global, grau de investimento) e brAAA, e mudaram a perspectiva de estável para positiva. A S&P cita a resiliência da América do Norte, os ganhos de competitividade dos investimentos no Brasil, a expectativa de maior geração de caixa e a política financeira conservadora. A Moody’s segue em Baa2 estável. Em 31/08, a linha de crédito rotativa global subiu de US$ 875 mi para US$ 1,125 bi, integralmente disponível, com nove bancos e vencimento em 2031.
ENERGIA · 20/07 E 06/08/2026
Dona Francisca passa a ser 100% da Gerdau
Em duas compras de 23,03% cada — da Celesc (EV de R$ 150 mi, desembolso de ~R$ 154 mi) e da Copel (R$ 150,7 mi) —, a Gerdau consolidou a totalidade da hidrelétrica Dona Francisca (RS). O desembolso total, de cerca de R$ 300 mi segundo o release do 3T26, é justificado pela companhia como ampliação da autoprodução de energia renovável, insumo crítico para o forno elétrico.
4. MOTOR OPERACIONAL
Volume, preço e utilização por região — o que antecipa a DRE na siderurgia
| CARTEIRA EUA>100 dias~50% acima da média histórica | PREÇO AM. NORTE+4,7% t/tem US$/t · ~US$ 70/t | UTILIZAÇÃO BRASIL77%79% no 2T26; 85% no 3T25 | EXPORTAÇÃO BRASIL13%das vendas; 21% no 3T25 | ||
| INDICADOR (3T26) | 3T26 | 2T26 | Δ T/T | 3T25 | Δ A/A |
| Brasil — vendas (mil t) | 1.351 | 1.352 | −0,1% | 1.582 | −14,6% |
| Mercado interno | 1.179 | 1.113 | +5,9% | 1.252 | −5,8% |
| Exportação | 172 | 239 | −28,0% | 330 | −47,9% |
| Produção de aço bruto | 1.471 | 1.560 | −5,7% | 1.641 | −10,4% |
| Margem EBITDA ajustada | 10,7% | 10,5% | +0,1 p.p. | 9,9% | +0,8 p.p. |
| Am. do Norte — vendas (mil t) | 1.313 | 1.347 | −2,5% | 1.293 | +1,5% |
| Utilização da capacidade | 83% | 87% | −4 p.p. | 79% | +4 p.p. |
| Margem EBITDA ajustada | 27,7% | 25,7% | +2,0 p.p. | 19,8% | +7,9 p.p. |
| Am. do Sul — vendas (mil t) | 309 | 282 | +9,7% | 289 | +7,1% |
| Margem EBITDA ajustada | 11,1% | 16,0% | −4,9 p.p. | 17,0% | −5,9 p.p. |
| Consolidado — margem EBITDA aj. | 20,2% | 19,2% | +1,0 p.p. | 15,2% | +5,0 p.p. |
Fonte: release de resultados 3T26 (26/10/2026). Margens sobre a receita de cada segmento.
América do Norte: preço, não volume. O segmento vendeu 1,31 Mt no trimestre, praticamente o mesmo de um ano antes, mas a receita por tonelada em dólares subiu 4,7% só contra o 2T26 — reajustes implementados ao longo do ano, sustentados por demanda de construção não residencial, data centers e energia renovável e por uma carteira de pedidos acima de 100 dias. A margem bruta foi de 16,8% para 26,1% em doze meses. O pano de fundo é o rebalanceamento do mercado americano depois dos ajustes tarifários da Seção 232 (citados pela companhia no release do 4T25) e processos antidumping contra vergalhão importado. Custos com sucata e paradas (Midlothian, Texas, em obra de expansão até o fim de 2026) são o contrapeso de curto prazo.
Brasil: mix melhor, volume menor, importação em alta. As vendas totais caíram 14,6% contra o 3T25, mas a companhia trocou exportação por mercado interno (exportação foi de 21% para 13% das vendas), o que elevou o preço realizado e levou a margem EBITDA a 10,5–10,7% nos dois últimos trimestres (9,2% no 1T26) — ainda abaixo dos 12,2% do 9M25. Segundo o Aço Brasil citado no release, o consumo aparente cresceu 6,3% no trimestre, mas segue 4,6% abaixo no acumulado do ano, e as importações de aço plano subiram 33,8% t/t. A capacidade de aço bruto no país foi reduzida de 7,9 para 7,7 Mt/ano com a paralisação da aciaria da Açonorte (PE). Na América do Sul, a margem caiu a 11,1% por paradas na Argentina e demanda fraca, apesar do recorde de vendas no Peru em agosto.
5. COMO A GERDAU GANHA DINHEIRO
Spread entre o preço do aço e o custo do metal, multiplicado por volume e câmbio
O lucro de uma siderúrgica a sucata é essencialmente um spread: preço de venda do aço menos o custo do metal (sucata, gusa, minério) e da energia, multiplicado pelo volume e convertido em reais. A Gerdau tem três alavancas sobre esse spread — e hoje elas apontam em direções opostas por região.
- Preço norte-americano: R$ 2,9 bi de EBITDA no 3T26, margem de 27,7%, a maior em quatro anos; segundo a companhia, preços explicam ~R$ 2,3 bi de ganho de EBITDA consolidado contra o 3T25.
- Joint ventures no México e EUA: R$ 536 mi de EBITDA proporcional no 9M26 (+51%).
- Mix doméstico no Brasil: menos exportação, mais aço plano e especial no mercado interno.
- Disciplina de despesas: vendas, gerais e administrativas em 2,8% da receita.
O ponto central para o acionista: com o ciclo de investimento perdendo ritmo (capex de R$ 6,1 bi em 2025 para R$ 4,7 bi planejados em 2026; R$ 3,1 bi gastos até setembro), o EBITDA mais alto passa a virar caixa livre — R$ 1,69 bi no 9M26, contra consumo de R$ 1,02 bi no 9M25.
6. COMO A GERDAU PERDE DINHEIRO
Onde a tese pode quebrar
- Dependência de uma política comercial. Três quartos do EBITDA dependem de preços nos EUA sustentados por tarifas (Seção 232) e antidumping. A apresentação do 3T26 lista as negociações do USMCA e os desdobramentos das eleições americanas como fontes de volatilidade. Uma reversão tarifária atinge diretamente o segmento que carrega o resultado.
- Brasil que não volta a ganhar dinheiro. Margem bruta de 6,3% no 3T26 (7,6% no 9M25), importação de aço plano em alta, juros elevados freando a indústria e insumos (carvão) caros. A própria companhia prevê compressão de margem no 4T26. Em 2025, a deterioração já virou baixa contábil de R$ 1,96 bi em ativos do Brasil (sem efeito caixa), por baixa utilização de plantas.
- Ciclo do aço. A margem bruta consolidada saiu de 26,6% (2021) para 11,4% (2025). Preço e spread revertem rápido; a ação acompanhou (máxima de R$ 27,92 em jan/2023, mínima de R$ 14,00 em abr/2025).
- Execução de projetos: o ramp-up de Miguel Burnier e de Pindamonhangaba e a parada longa de Midlothian podem gerar custos acima do previsto nos próximos trimestres.
- Capital de giro: R$ 16,2 bi (78 dias de receita), com estoques de R$ 16,5 bi — 12% acima de dezembro, em parte para cobrir a parada de Midlothian. Queda de preço com estoque alto comprime margem.
7. EVOLUÇÃO FINANCEIRA (2021–2026)
Do pico do ciclo ao vale — e o começo da recuperação, puxada por fora do Brasil
| R$ BI | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | 12M (3T26) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Receita líquida | 78,35 | 82,41 | 68,92 | 67,03 | 69,86 | 70,25 |
| Margem bruta | 26,6% | 22,8% | 16,4% | 13,7% | 11,4% | 14,7% |
| EBITDA ajustado | — | — | — | 10,84 | 10,07 | 12,53 |
| Lucro operacional (EBIT) | 21,02 | 17,75 | 10,45 | 7,49 | 3,74 | 6,09 |
| Lucro líquido contábil | 15,56 | 11,48 | 7,54 | 4,60 | 1,42 | 2,75 |
| Lucro líquido ajustado | — | — | — | 4,29 | 3,38 | 4,67 |
| Margem líquida contábil | 19,9% | 13,9% | 10,9% | 6,9% | 2,0% | 3,9% |
Fonte: DRE consolidada (brapi, exercícios) e releases 4T25 e 3T26. 12m = 4T25 a 3T26. Ajustado exclui não recorrentes, principalmente a baixa de R$ 1,96 bi no 4T25. EBITDA ajustado anterior a 2024 não consta na base estruturada.
A série mostra a descida do ciclo: a receita recuou de R$ 82 bi (2022) para a faixa de R$ 67–70 bi, e a margem bruta perdeu mais da metade. Os doze meses até setembro marcam a primeira inflexão — margem bruta de 14,7% e EBITDA ajustado de R$ 12,5 bi, acima dos dois anos anteriores. O lucro contábil de R$ 2,75 bi ainda carrega a baixa do 4T25; sem ela, o lucro recorrente de doze meses é de R$ 4,67 bi, a base que deve guiar a leitura de múltiplos.
COMO A GERDAU GANHA DINHEIRO — 3T26
Da receita por região ao lucro líquido · R$ mi · release de resultados 3T26

A companhia divulga a receita por segmento antes das eliminações (soma de R$ 18,9 bi); os R$ 209,5 mi de vendas entre segmentos — o Brasil abastece parte da América do Sul — foram descontados do nó Brasil para fechar com a receita consolidada. O EBITDA ajustado (R$ 3,77 bi) não aparece no fluxo porque inclui depreciação (R$ 938 mi) e o EBITDA proporcional das joint ventures.
RECEITA E MARGEM LÍQUIDA — ÚLTIMOS 8 TRIMESTRES
R$ mi · margem líquida contábil · o 4T25 inclui a baixa de R$ 1,96 bi em ativos do Brasil

8. BALANÇO E SOLVÊNCIA
Alavancagem baixa e dívida longa — o balanço não é o problema
| DÍVIDA LÍQUIDAR$ 7,69 biset/26; R$ 8,77 bi em set/25 | DL / EBITDA AJ.0,58x0,81x um ano antes | PRAZO MÉDIO7,5 anos53% em dólar | LIQUIDEZR$ 11,8 bicaixa + linha global |
A dívida bruta era de R$ 13,7 bi em 30/09/2026 (R$ 18,6 bi um ano antes, antes do resgate antecipado de bonds concluído em dez/2025), contra caixa e aplicações de R$ 6,0 bi. O custo médio é de 6,13% ao ano na parcela em dólar e CDI −0,21% na parcela em reais. Somando a linha rotativa de US$ 1,125 bi (R$ 5,8 bi, integralmente disponível), a liquidez chega a R$ 11,8 bi para uma amortização de curto prazo de apenas R$ 0,6 bi. A metade da dívida em dólar casa com a geração em dólar da América do Norte.
Dois números de endividamento convivem: a base de mercado registra dívida bruta de R$ 13,6 bi (2T26); somando os arrendamentos (R$ 1,75 bi em set/26), o passivo financeiro total sobe a ~R$ 15,5 bi. A alavancagem de 0,58x reportada pela companhia não inclui arrendamentos. O patrimônio líquido do controlador é de R$ 54,7 bi, dos quais R$ 11,3 bi são ágio — majoritariamente de aquisições na América do Norte.
9. REMUNERAÇÃO AO ACIONISTA
Dividendos trimestrais, recompra e cancelamento de ações
| RESULTADO DE REFERÊNCIA | VALOR POR AÇÃO | MONTANTE | DATA COM | PAGAMENTO |
|---|---|---|---|---|
| 4T25 | R$ 0,10 | R$ 197,5 mi | mar/2026 | 18/03/2026 |
| 1T26 | R$ 0,18 | R$ 354,1 mi | 13/05/2026 | 09/06/2026 |
| 2T26 | R$ 0,23 | R$ 451,3 mi | 19/08/2026 | 11/09/2026 |
| 3T26 | R$ 0,34 | R$ 667,0 mi | 10/11/2026 | 15/12/2026 |
| Soma de 4 trimestres | R$ 0,85 | R$ 1,67 bi | — | — |
Fonte: atas do Conselho de Administração e releases. No 3T26 a ação negocia ex-dividendo a partir de 11/11/2026. A base de dividendos da brapi registra a data com no campo de data-ex.
A política é distribuir no mínimo 30% do lucro líquido societário da controladora, e os dividendos crescem trimestre a trimestre em 2026, acompanhando o lucro. Sobre a cotação de R$ 23,71, os R$ 0,79 com data com nos últimos doze meses dão dividend yield de 3,3%; os R$ 0,85 declarados sobre os quatro últimos trimestres, 3,6%.
A recompra complementa. O Programa 2025 adquiriu 64,5 mi de ações (cerca de 3% das ações em circulação), e a companhia informou payout total de 182% do lucro de 2025 com dividendos e recompras (R$ 2,4 bi). O Programa 2026 autoriza até 55 mi PN e 1,44 mi ON em 18 meses; até 09/10 foram compradas 17,9 mi de ações (32% do programa) por R$ 344,1 mi. As ações recompradas vêm sendo canceladas (fevereiro, agosto e outubro), o que aumenta a fatia de cada acionista restante. Somando dividendos dos quatro trimestres e recompra de 2026, o retorno em caixa equivale a ~4,6% do valor de mercado.
10. EXPOSIÇÃO MACRO — BETAS IMPLÍCITOS
Como o preço da ação reage a 9 fatores macroeconômicos
Leitura quantitativa de como GGBR4 responde a choques macro. Coeficientes da regressão mensal do retorno em excesso (sobre o CDI) contra nove fatores tratados como inovações, com erros-padrão robustos (HAC Newey–West) e fatores ortogonalizados — isto é, “limpos” da influência mútua — para isolar o efeito próprio de cada um.
SENSIBILIDADE DE GGBR4 AOS FATORES MACRO (Β ORTOGONALIZADO)
Janela de 96 meses · R² = 47,9% · estimativa de out/2026 · (*) significativo (p < 0,05)

| FATOR MACRO | Β (ORTO.) | P-VALOR | LEITURA |
|---|---|---|---|
| EMBI (risco-país) | −1,71 | <0,001 | Alta do risco-país derruba a ação · significativo |
| Mercado / Ibovespa | +0,79 | 0,001 | Menos volátil que o índice · significativo |
| Brent (petróleo) | +0,12 | 0,010 | Sobe com commodities/energia · significativo |
| IPCA (inflação) | +0,14 | 0,08 | Inflação positiva (fraco; preço repassável) |
| IBC-Br (atividade) | −0,64 | 0,16 | Não significativo |
| Dólar (USD/BRL) | −0,24 | 0,31 | Não significativo |
| Selic (juros) | +1,97 | 0,75 | Não significativo — erro-padrão alto |
| Inclinação da curva | +0,01 | 0,59 | Não significativo |
| Incerteza (DEI) | −0,01 | 0,60 | Não significativo |
Fonte: modelo de Betas Macro Brasil Horizonte (macro_betas_monthly), 96 observações mensais.
Três fatores explicam o preço com significância. O risco-país é o mais forte: a ação é negociada como ativo brasileiro, e piora da percepção sobre o país pesa mesmo que três quartos do EBITDA venham de fora. O beta de mercado de 0,79 indica movimentos menores que os do Ibovespa. O Brent positivo funciona como termômetro de commodities e de custo de energia repassado ao preço do aço.
O resultado que surpreende é o dólar não significativo. A receita norte-americana em dólar sugere que real fraco ajudaria a ação — e ajuda o resultado em reais —, mas o modelo não capta esse efeito no preço: os episódios de dólar alto costumam coincidir com risco-país alto, e a ortogonalização atribui o choque ao EMBI. Para o investidor, a leitura prática é que o principal risco macro de GGBR4 é doméstico, não cambial.
11. TERMÔMETRO MACRO ATUAL
O ambiente que a tese enfrenta — e o que o mercado projeta
| INDICADOR | ATUAL | FOCUS 2026 | FOCUS 2027 | LEITURA PARA A GERDAU |
|---|---|---|---|---|
| Selic | 13,75% | 13,25% | 11,50% | Juros altos freiam construção e indústria no Brasil |
| IPCA (12m) | 4,58% (set) | 5,20% | 4,47% | Pressão em insumos e salários no Brasil |
| Câmbio (R$/US$) | 5,33 | 5,00 | 5,13 | Real forte reduz o EBITDA dos EUA em reais |
| PIB | — | 1,78% | 1,24% | Demanda doméstica de aço sem tração |
| Desemprego | 5,3% (ago) | — | — | Sustenta habitação de baixa renda |
Fonte: BCB/SGS (Selic 28/10/2026; IPCA set/2026; câmbio 27/10/2026; desocupação ago/2026) e Boletim Focus de 23/10/2026.
O cenário doméstico é o adverso: Selic de 13,75% com corte esperado de apenas 0,5 p.p. até dezembro, crescimento abaixo de 2% e inflação acima da meta — exatamente as condições que a companhia cita para a demanda fraca de aço no Brasil. O dólar médio do 3T26 (R$ 5,14) foi 5,7% menor que um ano antes, e o Focus projeta R$ 5,00 no fim de 2026: cada real de apreciação reduz, na conversão, o resultado que vem da América do Norte. O ambiente americano, ao contrário, segue favorável segundo a própria companhia, com demanda de infraestrutura e data centers.
12. CATALISADORES — PRÓXIMOS 12 MESES
Gatilhos positivos e negativos
- Start-up de Miguel Burnier (4T26) e redução do custo de minério em Ouro Branco.
- Decisões finais de antidumping no Brasil (bobina a quente e fio-máquina da China), com prazo regulatório até o fim de 2026.
- Conclusão da expansão de Midlothian (fim de 2026) e fim das paradas programadas.
- Eventual elevação de rating, com as duas perspectivas positivas.
- Continuidade da recompra (68% do programa 2026 ainda disponível).
- Compressão de margem no Brasil no 4T26, sinalizada pela companhia.
- Revisão do USMCA e mudanças tarifárias nos EUA após as eleições americanas.
- Sucata mais cara e sazonalidade de inverno na América do Norte.
- Nova rodada de baixas contábeis se a utilização no Brasil não melhorar.
- Real mais forte reduzindo a conversão do EBITDA em dólar.
13. VISÃO DE LONGO PRAZO
Janela de 5 a 10 anos
CENÁRIO CONSTRUTIVO
Uma operadora americana com base de custo brasileira
A América do Norte mantém preços sob proteção comercial e cresce com infraestrutura e reindustrialização; o Brasil, com minério próprio, sucata própria e energia própria, deixa de destruir valor e volta a margens de dois dígitos; o capex cai ao nível de manutenção e o caixa livre é devolvido via dividendos e recompras, reduzindo continuamente o número de ações.
CENÁRIO ADVERSO
Duas siderúrgicas sob pressão
A proteção tarifária nos EUA é revista, o ciclo de preço reverte e a margem americana volta aos 15–20% de 2025; no Brasil, a importação chinesa se mantém e novas baixas de ativos seguem a de 2025. Nesse caso, o retorno sobre o patrimônio fica abaixo do custo de capital por anos, e o desconto sobre o valor patrimonial se perpetua.
14. DESEMPENHO DA AÇÃO — 5 ANOS
Cotação de fechamento · out/2021 a out/2026
GGBR4 — COTAÇÃO EM 5 ANOS
R$ por ação, ajustada por bonificações · máxima de 19/01/2023 e mínima de 08/04/2025 · último ponto: cotação de 28/10/2026, ~15h30

Em cinco anos, a ação praticamente não saiu do lugar (+3,8% no preço, sem contar dividendos), mas o caminho espelha o ciclo: pico de R$ 27,92 em janeiro de 2023, vale de R$ 14,00 em abril de 2025 — e alta de 69% desde então, à medida que a América do Norte passou a dominar o resultado. Em 2026, a ação sobe 15,6% no ano e 23,2% em doze meses, mesmo depois de recuar cerca de 10% desde a máxima de 21/10 (R$ 26,52).
15. VALUATION
O que o preço atual embute
| P/L AJUSTADO9,4xlucro recorrente 12m R$ 4,67 bi | P/L CONTÁBIL16,0xlucro 12m R$ 2,75 bi | EV/EBITDA AJ.4,1xEV R$ 51,9 bi c/ dívida líq. | P/VPA0,81xROE aj. ~8,6% |
O valor de mercado é de R$ 44,1 bi: 1.245,0 mi de PN a R$ 23,71 e 716,7 mi de ON a R$ 20,30 (cotações de 28/10/2026), excluídas as ações em tesouraria. A base de mercado registra R$ 45,8 bi e P/L de 21,0x porque não separa ON e PN, conta as ações em tesouraria e usa o lucro de doze meses até junho (R$ 2,24 bi), que ainda não inclui o 3T26.
O múltiplo que resume a tese é o P/VPA de 0,81x: a bolsa avalia a companhia abaixo do patrimônio contábil porque o retorno recorrente sobre esse patrimônio (~8,6%) está abaixo do custo de capital brasileiro, com Selic de 13,75%. A reavaliação depende de o ROE subir de forma sustentada — o que exige o Brasil voltando a margens de dois dígitos, já que a América do Norte opera perto do pico de quatro anos.
Comparáveis — siderurgia e metalurgia (B3)
| EMPRESA | PERFIL | VALOR DE MERCADO | P/L | P/VPA | ROE | D.Y. |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Gerdau (GGBR4) | Aços longos; 3 regiões | R$ 44,1 bi | 16,0x (aj. 9,4x) | 0,81x | 5,0% (aj. 8,6%) | 3,3% |
| Metalúrgica Gerdau (GOAU4) | Holding (35,4% da Gerdau) | R$ 14,0 bi | 17,7x | 0,73x | 4,1% | 4,1% |
| Usiminas (USIM5) | Aços planos; Brasil | R$ 6,9 bi | negativo | 0,33x | −11,2% | — |
| CSN (CSNA3) | Planos + mineração + cimento | R$ 6,3 bi | negativo | 0,47x | −21,6% | — |
| Ferbasa (FESA4) | Ferroligas | R$ 2,5 bi | 12,6x | 0,57x | 4,5% | 12,3% |
| Mediana dos pares (sem GGBR4) | — | — | — | 0,52x | −3,5% | — |
Fonte: GGBR4 recalculada (release 3T26, cotação de 28/10/2026); pares pela base de mercado (brapi, 12 meses até o 2T26). D.Y. da Ferbasa pode refletir evento não recorrente.
Comparação heterogênea: Usiminas e CSN, concentradas em aço plano no Brasil (o segmento mais exposto à importação), operam no prejuízo; nenhum par listado na B3 tem a exposição da Gerdau à América do Norte.
16. SÍNTESE FINAL
A Gerdau entrega em 2026 a melhor margem desde 2023, mas por um caminho estreito: a América do Norte, com preços protegidos por tarifas e carteira cheia, responde por três quartos do EBITDA, enquanto o Brasil — metade das toneladas — opera com margem de 10–11% e acaba de absorver uma baixa de R$ 1,96 bi. O balanço é o mais leve do setor (0,58x de alavancagem, grau de investimento com perspectiva positiva), o ciclo de capex está acabando e o caixa livre já financia dividendos crescentes, recompras e cancelamentos.
A cotação embute ceticismo sobre a durabilidade dessa combinação: 0,81x o patrimônio e 9,4x o lucro recorrente. As variáveis que mudam a leitura são três — a política comercial americana depois das eleições, a recuperação de margem no Brasil com Miguel Burnier e a defesa comercial, e o câmbio que converte os dólares em reais. A própria companhia sinaliza um 4T26 mais fraco no Brasil.
Os indicadores e documentos de GGBR4 são atualizados diariamente em app.brasilhorizonte.com.br/ativo/GGBR4.
| iAções · Brasil Horizonte — Gestão, Consultoria e Research · app.brasilhorizonte.com.br Fontes: CVM/RAD (release 3T26, fatos relevantes, atas, FRE 2026, VLMO), brapi, BCB/SGS e Boletim Focus, motor Qualitativo AI e modelo de Betas Macro (Brasil Horizonte). Dados de mercado de 28/10/2026. Aviso Legal: Material exclusivamente informativo e educacional, elaborado por inteligência artificial (IAnalista) com curadoria de Gabriel Dantas de Andrade Melo (CNPI 10155), da equipe Brasil Horizonte. Não constitui recomendação de compra, venda ou manutenção de qualquer ativo, nem oferta de serviços de consultoria de valores mobiliários. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Múltiplos, betas e projeções contêm estimativas sujeitas a imprecisão. Antes de investir, consulte um profissional habilitado. |
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