
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, nesta quinta-feira, um aceno ao mercado financeiro, indicando uma política econômica austera e com equilíbrio nas contas públicas. Segundo Lula, o Brasil precisa ter uma “economia arrumada” para atrair novos investimentos. Durante a reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, o presidente reeleito no dia 25 de outubro reforçou que o Brasil precisa ter responsabilidade jurídica e fiscal.
Lula discorreu sobre como manter a economia previsível para os mercados, para que outros países se sintam seguros de investir no Brasil. “Para a gente atrair [investidores], temos que ter uma economia arrumada. Ninguém vai fazer investimento numa economia desordenada. As pessoas querem saber se nós estamos falando sério”, disse.
O presidente afirmou que não deseja que o Estado “seja o senhor supremo da exploração, da transformação, da industrialização”, referindo-se às terras raras e minerais críticos. “Nós queremos construir parceria, precisamos aprender. Precisamos construir com outros países que queiram participar conosco do processo de transformação e exploração dessa riqueza. Se a gente quiser atrair capital, temos que ter seriedade”, disse.
Lula também fez uma reverência aos mais de 64 milhões de eleitores que garantiram seu quarto mandato, lembrando da mobilização da população nas urnas e nas ruas para reelegê-lo. “Quem ganhou essa eleição não foi um partido nem um candidato. Quem ganhou essa eleição foi o povo brasileiro que acordou para não permitir que o país caísse num abismo de incerteza”, disse o presidente, lembrando dos jovens que foram às ruas para uma série de atos de apoio à sua reeleição e do esforço dos idosos para votar, mesmo doentes ou com dificuldade de locomoção.
“Precisamos provar ao voto do dia 25 de outubro que valeu a pena o povo brasileiro fazer o que fez nas ruas, nas redes, e os nossos velhinhos que fizeram o sacrifício que fizeram para votar num projeto que pode dar dignidade de decência a esse país chamado Brasil”.
A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) protocolou, nesta quinta, uma Carta Aberta ao presidente. O documento foi construído em deliberação do Conselho Político da ACD, após a constatação de que o mercado financeiro intensificou a pressão sobre o governo eleito, com o objetivo de aprofundar a perversa política de superávit primário.
Segundo a ACD, a sociedade civil organizada e todos(as), que compreendem a gravidade do momento, devem ampliar a mobilização para exigir o fim dessa política e a adoção de medidas concretas de enfrentamento ao Sistema da Dívida.
Na carta, a ACD frisa: “a produção de superávit primário é uma política econômica extremamente nociva, pois impede a destinação de recursos para o atendimento das necessidades sociais e a devida manutenção da estrutura do Estado. Adicionalmente, impede a alocação de recursos em investimentos que poderiam alavancar o nosso desenvolvimento socioeconômico e ambiental, tendo em vista que os montantes gastos em investimentos também são considerados no cálculo do superávit. Dessa forma, todas as políticas públicas são sacrificadas para que sobrem mais recursos para os vultosos gastos com juros e amortizações da chamada dívida pública, que sequer possui contrapartida em investimentos no Brasil, como já comprovou o Tribunal de Contas da União, e funciona como o que denominamos Sistema da Dívida.”
A entidade ainda pede uma reunião com o presidente: “Pedimos para sermos ouvidos por Vossa Excelência, pois temos muito a contribuir, de forma voluntária, colocando todo o nosso conhecimento acumulado ao longo de décadas à disposição do enfrentamento do Sistema da Dívida, para que os recursos que têm sido sangrados para alimentar esse sistema (mais de 40% do orçamento federal anualmente) se revertam em investimentos produtivos e de interesse da maioria do povo brasileiro.”
Para ler a carta na íntegra, basta clicar no link: https://auditoriacidada.org.br/wp-content/uploads/2026/11/CARTA-ABERTA-AO-PRESIDENTE-LULA.pdf
Com Agência Brasil
https://monitormercantil.com.br/lula-acena-ao-mercado-financeiro-e-acd-pede-fim-da-politica-de-superavit-primario/
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