A véspera do 7 de Setembro foi marcada por diferentes estratégias dos candidatos à Presidência do Brasil para manter a mobilização eleitoral, enquanto o país se preparava para as celebrações do Dia da Independência. Com menos de um mês para o primeiro turno, os presidenciáveis combinaram atividades presenciais, encontros com apoiadores, caminhadas, entrevistas e comunicação pelas redes sociais.
A movimentação ocorreu em um momento particularmente importante da campanha. Embora a data nacional não seja oficialmente um dia de votação, o 7 de Setembro oferece aos candidatos uma oportunidade para disputar espaço no debate público e apresentar suas diferentes visões sobre o futuro do país. Parte das campanhas optou por atos presenciais, enquanto outras mantiveram uma agenda mais discreta ou concentraram esforços no ambiente digital.
Entre os nomes que mantiveram atividades públicas no domingo estavam Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Wilson Grassi. Zema cumpriu agenda em Uberlândia, onde vistoriou o Anel Viário e participou de um adesivaço no Parque do Sabiá. Caiado esteve na Feira do Garavelo, em Aparecida de Goiânia, enquanto Renan Santos participou de atividades políticas em São Luís. Wilson Grassi, por sua vez, realizou uma reunião on-line com seu comitê de planejamento.
O fim de semana também evidenciou a diversidade de pautas apresentadas pelos candidatos. Flávio Bolsonaro dedicou parte de sua agenda à segurança pública e afirmou defender a criação de mais de 500 mil vagas no sistema penitenciário, além de mudanças na legislação para ampliar o enfrentamento a organizações criminosas. No sábado, ele visitou Filipe Martins, ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro, que cumpre pena em Ponta Grossa.
Lula, candidato à reeleição, esteve no sábado em São José do Rio Preto, no interior paulista, onde voltou a apresentar a educação como uma das prioridades de seu programa. O presidente afirmou que pretende ampliar as escolas em tempo integral caso seja reeleito. No mesmo período, o governo também colocou no centro do discurso presidencial a defesa da soberania brasileira. Em pronunciamento nacional realizado na noite de sábado, Lula afirmou que o Brasil não aceitará interferências estrangeiras em suas decisões políticas, econômicas e comerciais.
A agenda de Ronaldo Caiado esteve fortemente relacionada ao setor produtivo. Depois de participar da Expointer, no Rio Grande do Sul, o candidato esteve em Goiás e afirmou que pretende reduzir a taxa básica de juros para 7% caso chegue ao Palácio do Planalto. A declaração coloca a política monetária e o ambiente para pequenos negócios entre os temas econômicos que deverão ganhar espaço na reta final da campanha.
Já Renan Santos concentrou sua campanha em segurança pública e recuperação econômica. Durante atividades no Ceará e no Maranhão, o candidato criticou o avanço das facções criminosas e afirmou que pretende enfrentar o domínio territorial dessas organizações. Também relacionou a segurança à recuperação do turismo e da economia em regiões afetadas pela criminalidade.
Na esquerda, Hertz Dias, do PSTU, manteve uma agenda ligada a questões sociais e raciais. Em Salvador, participou de panfletagem e apresentou propostas relacionadas ao combate ao racismo, emprego, educação, moradia, saúde, cultura e oportunidades para a juventude negra. Samara Martins, da Unidade Popular, esteve em Belém, onde visitou comunidades ribeirinhas e quilombolas.
Rui Costa Pimenta, do PCO, esteve em Belo Horizonte e defendeu a reestatização de empresas públicas, o fim da escala de trabalho 6×1 e a elevação do salário mínimo. Edmilson Costa, do PCB, cumpriu compromissos partidários em Lisboa, enquanto Clariana Barão, do Democracia Cristã, participou de entrevista televisiva.
A campanha de Augusto Cury, do Avante, também percorreu o interior paulista. No sábado, o candidato esteve em Araçatuba, visitou o comércio local e participou de uma carreata. Entre suas propostas está a modernização do Sistema Único de Saúde, incluindo maior utilização da telemedicina.
Enquanto alguns candidatos foram às ruas, boa parte dos presidenciáveis não teve agenda pública no domingo. A situação evidencia uma estratégia diferenciada diante da importância simbólica do feriado: algumas campanhas preferiram aproveitar a data para comunicação institucional e digital, evitando competir diretamente com as grandes cerimônias cívicas do país.
Outro elemento relevante desta etapa da eleição é a situação de Pablo Marçal. O candidato do PRTB permanece com a campanha suspensa por determinação da Justiça Eleitoral, que também proibiu sua participação em debates e no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
A movimentação dos últimos dias mostra que a eleição presidencial brasileira entra em uma fase de maior intensidade. Segurança pública, educação, juros, economia, soberania nacional, combate à desigualdade e relação com o setor produtivo aparecem entre os temas utilizados pelos candidatos para diferenciar suas campanhas.
O 7 de Setembro acrescenta ainda uma dimensão simbólica à disputa. Enquanto o país celebra sua independência, os candidatos procuram associar suas propostas a diferentes conceitos de soberania, desenvolvimento, segurança e futuro nacional. O pronunciamento de Lula, por exemplo, colocou explicitamente a soberania econômica e política no centro da mensagem presidencial.
Com a aproximação do primeiro turno, a disputa deixa progressivamente de ser apenas uma apresentação de candidaturas e passa a concentrar-se na capacidade de cada campanha de mobilizar eleitores, ocupar espaços públicos e digitais e transformar suas principais bandeiras em propostas capazes de influenciar a decisão do eleitor brasileiro.
Foto: Reprodução/G1
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