
Minas Gerais registra, em média, 35 desaparecimentos de pessoas por dia, segundo dados do Sistema Integrado de Segurança Pública do estado fornecidos pela Polícia Civil de Minas Gerais. O levantamento mais recente aponta 24.075 alertas ativos de desaparecimento, dos quais 2.836 foram registrados somente em 2026. Por trás dessa dimensão estatística estão milhares de famílias que passam dias, semanas ou até meses sem saber onde estão seus parentes.
O número chama atenção não apenas pela quantidade de ocorrências, mas pela complexidade de cada caso. Um desaparecimento pode estar relacionado a diferentes circunstâncias, desde pessoas que deixam voluntariamente suas residências até situações envolvendo problemas de saúde, desorientação, acidentes, violência ou outras condições ainda não esclarecidas. Por isso, cada comunicação precisa ser investigada individualmente e não existe um único perfil de pessoa desaparecida.
Um exemplo recente mostra como a angústia pode se prolongar. Em Belo Horizonte, familiares e amigos procuram o músico e artista plástico Fábio Batista Silva, de 57 anos, desaparecido em 13 de setembro. Segundo os familiares, ele apresentou mudanças de comportamento antes de sair e não foi mais localizado. O caso foi divulgado publicamente e informações sobre seu paradeiro podem ser comunicadas pelo telefone 0800 28 28 197.
Outro caso que chamou atenção ocorreu em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte. Sandra Gonçalves Lopes, de 44 anos, desapareceu em 29 de agosto e continuava sendo procurada semanas depois. A família registrou o desaparecimento e passou a distribuir cartazes pela região enquanto a Polícia Civil realizava diligências.
A dimensão do problema também pode ser observada no interior. Em Uberaba, por exemplo, a Polícia Civil registrou 130 comunicações de desaparecimento entre 1º de janeiro e 18 de agosto de 2026, o equivalente a aproximadamente uma ocorrência a cada dois dias. No mesmo período, 93 pessoas tiveram sua localização registrada no município.
Nem todo desaparecimento termina sem resposta
Os números de alertas ativos não significam que todas essas pessoas estejam definitivamente desaparecidas. Os registros podem permanecer nos sistemas enquanto as investigações ou procedimentos de localização continuam, e novos casos podem ser encerrados quando a pessoa é encontrada.
Um exemplo recente demonstra a importância das operações de busca. Uma mulher de 95 anos desaparecida em uma área de mata em Caeté, na Grande Belo Horizonte, foi localizada com vida depois de uma operação que envolveu cães farejadores e um drone equipado com câmera térmica. Ela estava debilitada, após permanecer sem água e alimentação durante um período prolongado, mas foi resgatada e encaminhada para atendimento médico.
Esse tipo de operação demonstra como a tecnologia passou a desempenhar papel importante na localização de pessoas. Drones, câmeras térmicas, sistemas de comunicação, bancos de dados e equipes especializadas podem reduzir áreas de busca e aumentar as possibilidades de encontrar alguém em regiões de difícil acesso.
O que fazer quando alguém desaparece?
A Polícia Civil de Minas Gerais orienta que o desaparecimento seja comunicado às autoridades e disponibiliza o registro pela Delegacia Virtual, inclusive para situações em que a pessoa esteja em local incerto e não sabido. O próprio governo estadual informa que a comunicação pode ser feita pela internet ou pelo aplicativo MG App.
As autoridades também orientam que sejam verificados, quando possível, locais como residência de amigos, trabalho, hospitais e o Instituto Médico-Legal antes do registro. Entretanto, diante de uma situação de desaparecimento que gere preocupação, a família deve procurar as autoridades responsáveis e fornecer o máximo possível de informações, incluindo fotografia recente, características físicas, roupas utilizadas, documentos, telefone, veículo e locais que a pessoa costumava frequentar.
A localização de uma pessoa que possui registro de desaparecimento também pode ser comunicada às autoridades. Em Minas Gerais, o serviço oficial permite informar o paradeiro de uma pessoa desaparecida, com previsão de preservação da identidade de quem fornece a informação.
Uma estatística que representa milhares de histórias
Os 24.075 alertas ativos apresentados no levantamento ajudam a dimensionar o tamanho do problema, mas não conseguem mostrar integralmente o impacto humano. Para uma família, o desaparecimento não é apenas um número registrado em um sistema policial: significa esperar por uma ligação, verificar mensagens, percorrer hospitais, procurar informações e conviver diariamente com a ausência de uma resposta.
A média de 35 desaparecimentos por dia também revela a necessidade de manter mecanismos permanentes de prevenção, investigação e localização. Quanto mais rapidamente uma ocorrência é comunicada e quanto mais informações são reunidas, maiores são as possibilidades de orientar as equipes responsáveis pela busca.
Minas Gerais enfrenta, portanto, um desafio que ultrapassa a dimensão policial. Cada registro representa uma família em busca de respostas e, em muitos casos, uma corrida contra o tempo. Enquanto as autoridades aprimoram sistemas de investigação e ferramentas tecnológicas, parentes continuam desempenhando um papel fundamental ao fornecer informações, divulgar fotografias e manter ativos os pedidos de ajuda.
Foto: Reprodução / R7
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