

Uma das bandas mais bem-sucedidas do pop rock brasileiro dos anos 2000, o LS Jack está de volta e de cara nova. Bem, para falar a verdade, nem tão nova assim. Afinal de contas, o grupo, agora um power trio, reaparece com um EP de releituras de músicas clássicas de grandes artistas brasileiros, como Rádio Táxi e Guilherme Arantes.
Em “Canções Que Ficaram Entre Nós”, a banda traz à tona músicas que influenciaram a trajetória do grupo carioca em sua formação, como explica o baixista e agora vocalista, Vitor Queiroz. “Canções Que Ficaram Entre Nós”, que sai em dezembro, já conta com três singles: “Cheia de Charme”, releitura de Guilherme Arantes, “Garota Dourada”, do Rádio Táxi, e “Se”, de Djavan
“Essas músicas já estão tocando em boa parte do Brasil. É um álbum que estamos super felizes de ter feito e agora já começamos a tocar algumas músicas nos shows, o que está sendo muito bacana também”, contou Vitor, em entrevista ao Folha Vitória.
Formado em 1997, o LS Jack começou de forma bem diferente do formato que o tornou conhecido. Naquela época, pelas noites cariocas, a banda era dada a experimentações, indo do rock n’ roll ao acid jazz. Naquele tempo, o gênero era pouco conhecido no Brasil, mas começou a ganhar público entre os amantes de música pop com o estouro da banda britânica Jamiroquai.
Por conta da facilidade em transitar por gêneros diversos, Vitor conta que fazer versões sempre foi fácil para o LS Jack, principalmente se tratando de músicas de artistas que não, necessariamente, fazem rock.
“Essa ideia de abraçar releituras de artistas que não são necessariamente roqueiros foi algo muito bom, porque queríamos trazer coisas até que viessem do centro do Brasil. Por exemplo, ‘Sinônimos’, que é do Zé Ramalho, ficou muito conhecida com Chitãozinho e Xororó. Queríamos muito fazer algo com essa música e, no final, ela soou como se fosse nossa mesmo”, disse.
Nostalgia
Nostalgia é uma palavra muito utilizada hoje em dia para classificar músicas ou filmes que trazem sensações de saudade a quem ouve ou assiste. Desse sentimento, o LS Jack entende.
Na década de 2000, sucessos como “Carla” e “Amanhã Não Se Sabe” eram inesquecíveis para quem ouvia rádio ou assistia à televisão, principalmente na finada MTV.
Para Vitor, esse sentimento é mais do que bem-vindo para quem vai a um show da banda. Quem está ali, segundo ele, quer mesmo é sentir uma energia boa vinda das caixas de som.
Essa palavra vem permeando nossa carreira já há algum tempo, não só pela internet, mas a gente sente na vibração do público a energia de tudo que eles viveram e está acontecendo de novo naquele momento. Não é uma coisa de requentar o passado, mas de criar novas memórias, é algo bem real e genuíno. Outra coisa é que, como a banda repaginou essas músicas do EP, acaba trazendo um frescor a tudo isso
Vitor Queiroz, baixista e vocalista do LS Jack
Reinvenção
Bem antes de Vitor assumir os vocais, o LS Jack contava com outro frontman: Marcus Menna, que precisou se afastar da banda em 2005, após quase perder a vida em uma cirurgia.
Com a perda do vocalista, a banda encarou o palco por anos com o cantor Vinny, conhecido por sucessos como “Heloísa, Mexe a Cadeira”. Para se dedicar mais à própria carreira, o cantor também precisou deixar a banda, o que deixou o grupo temporariamente desnorteado.
Por Serginho e Bicudo estarem mais acostumados à voz de Vitor, ele foi o escolhido para assumir o microfone.
“Claro que foi por motivos diferentes, mas quando o Vinny saiu, ficamos desnorteados. Foi a mesma sensação de perder a figura central, porque já estávamos fazendo muitos shows pelo Brasil, gravando, indo a programas de TV. Mas, a partir dali, a seta apontou pra mim. Sempre me senti confortável sendo o baixista, mas quanto mais ensaiávamos e o formato power trio se adequou à minha voz, ficou impossível ter outra pessoa”.
Sucesso
O sucesso com o grande público pode ser extremamente intimidador para os artistas, mas Vitor conta que, pelo fato de o LS Jack ter sido sempre uma banda bastante “estradeira”, a exposição acabou se tornando confortável.
No início dos anos 2000, a banda contava com uma consolidação invejável, criando um público próprio e cativo. E, como o próprio vocalista diz, não há como negar: quem forma uma banda sonha e quer tocar para muita gente.
“Estamos felizes demais com o trabalho que gravamos. Tudo está caminhando e as portas se abrindo novamente. Olha, não sei nem como dizer, mas o público tem nos abraçado. Quando você cria essa conexão, é sinal de que a chama segue viva. Já voltamos para a estrada e tocamos de sul a norte do Brasil, é extraordinário. É muito bom saber que isso se mantém vivo. O que foi realmente definitivo para nossa carreira foram as canções”, afirmou.
https://www.folhavitoria.com.br/cultura/musica/ls-jack-ressurge-com-ep-de-releituras-de-classicos-da-musica-brasileira/
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