
Governos precisam transformar promessas em ações concretas em nível nacional, com o devido suporte financeiro, o fim dos incentivos à destruição da natureza e o respeito aos direitos dos Povos Indígenas e comunidades locais, alerta Greenpeace.

Erevan, Armênia, 31 de outubro de 2026 – Chega ao fim a 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), a COP17, com resultados aquém da urgência para reverter a crise da biodiversidade. A conferência também mostrou que o mundo está muito longe de alcançar as metas do Marco Global de Biodiversidade de Kunming–Montreal (KM-GBF, na sigla em inglês).
A COP17 traçou um caminho para a implementação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming–Montreal, mas sem eliminar barreiras críticas ao direcionamento de recursos financeiros suficientes para que países em desenvolvimento consigam implementar as metas; também houve esforços para enfraquecer o reconhecimento dos direitos dos Povos Indígenas e das comunidades locais na proteção da biodiversidade, levantando sérias preocupações quanto ao respeito a esses direitos, incluindo o direito à autodeterminação.
Bonaventure Bono, porta-voz de florestas e biodiversidade do Greenpeace África, afirma:
“A COP17 falhou ao não reconhecer o direito à autodeterminação dos Povos Indígenas e comunidades locais, nem estabeleceu diretrizes robustas sobre os seus direitos. Os governos não podem alegar estar no caminho certo para alcançar as metas de biodiversidade de 2030 enquanto, simultaneamente, reduzem os direitos e desvalorizam as contribuições daqueles que protegem a natureza.
Criar espaços institucionais para Povos Indígenas e comunidades locais não é suficiente. É fundamental garantir a sua influência real na governança, participação efetiva, uma representação equitativa e a capacidade de tomar decisões que afetem os seus territórios, direitos e o seu futuro. Sem o respeito pelos seus direitos, a sua liderança e a sua autodeterminação, as metas de 2030 permanecerão inalcançáveis”
A especialista em política internacional do Greenpeace Brasil, Camila Jardim, comenta:
“Uma semana antes do início da Convenção sobre a Mudança do Clima, a COP31, a sua convenção irmã COP17 de Biodiversidade não conseguiu manter o ritmo e a ambição necessários para tratar da urgente questão das sinergias entre biodiversidade e mudança do clima. As crises climática e de biodiversidade são emergências interligadas que exigem respostas coordenadas — e as florestas encontram-se no epicentro dessas crises.
Contudo, teremos uma janela de oportunidade para conectar convenções do clima e da biodiversidade com o lançamento do Mapa do Caminho de Florestas pela presidência brasileira da COP30, previsto para acontecer nos próximos dias. As florestas estão na interseção das crises climática e de biodiversidade. Por isso, deter e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030 é fundamental tanto para manter o aumento da temperatura global dentro de limites mais seguros, quanto para reduzir a perda de biodiversidade”
A especialista em políticas de biodiversidade do Greenpeace Internacional, An Lambrechts, afirma:
“As promessas políticas feitas em Yerevan demonstram boas intenções, mas não eliminam os grandes obstáculos à sua implementação, tais como o financiamento insuficiente, as restrições fiscais e de endividamento, o esvaziamento dos cofres do Fundo de Cali e a necessidade urgente de reformar subsídios prejudiciais à proteção da biodiversidade.
O setor privado deve ser responsabilizado. Há dois anos, na COP16, grandes corporações fizeram o possível para que a adesão ao Fundo de Cali permanecesse voluntária e, na COP17, empenharam-se em impedir o funcionamento do fundo. É inaceitável que grandes empresas multinacionais obtenham lucros gigantescos a partir da exploração da natureza e, em contrapartida, contribuam muito pouco para a sua preservação, deixando populações ao redor do mundo à mercê dos impactos da crise da biodiversidade”.
Sobre o Greenpeace Brasil
O Greenpeace Brasil é uma organização ativista ambiental sem fins lucrativos, que atua desde 1992 na defesa do meio ambiente. Ao lado de todas as pessoas que buscam um mundo mais verde, justo e pacífico, a organização atua há mais de 30 anos pela defesa do meio ambiente denunciando e confrontando governos, empresas e projetos que incentivam a destruição das florestas.
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