
Estudo do IESS mostra avanço dos contratos menores
O perfil dos contratantes dos planos de saúde coletivos empresariais vem mudando em um mercado de trabalho também em transformação. O tema é abordado no estudo “Trabalho em transformação: reflexões sobre emprego, novas formas de ocupação e saúde suplementar”, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), organização sem fins lucrativos dedicada à produção de estudos técnicos e conceituais sobre o setor. O estudo foi divulgado nesta quarta-feira .
O plano de saúde empresarial é uma modalidade de assistência médica coletiva contratada por uma pessoa jurídica (empresa, MEI ou profissional autônomo com CNPJ) junto a uma operadora registrada na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), autarquia vinculada ao Ministério da Saúde responsável pelo monitoramento dos planos de saúde.
Diferente dos planos individuais (cujo teto de reajuste é definido anualmente pela própria ANS), os reajustes dos planos coletivos empresariais são negociados livremente entre a empresa e a operadora com base na sinistralidade do contrato. As operadoras são obrigadas a cobrir a lista de consultas, exames, cirurgias e tratamentos definida periodicamente pela ANS.
O plano de saúde empresarial está em transformação reunindo empresas de diferentes portes e “perfis profissionais mais diversos e uma população coberta que também está envelhecendo”, afirma Denizar Vianna, superintendente executivo do IESS.
Segundo ele, a expansão dos contratos menores não reduz a importância das grandes empresas, que ainda concentram parcela expressiva dos beneficiários. “O que os dados mostram é que essas duas realidades hoje convivem na saúde suplementar”, analisa o superintendente.
Entre os beneficiários de planos empresariais, o número de titulares cresceu 24,5% entre 2020 e 2025, enquanto o de dependentes avançou 15,5%. A participação dos titulares passou de 52,1% para 54%. O estudo ressalta que os dados não permitem concluir, isoladamente, que tenha aumentado a proporção de contratos formados apenas pelo titular.
Em 2014, 15,7% dos beneficiários de planos empresariais estavam cobertos por contratos com menos de 30 beneficiários. Nos dados disponíveis até maio de 2026, essa participação chegou a 28,5%. Nos contratos com até cinco beneficiários, passou de 5,4% para 18,9% no mesmo período. Por sua vez, os contratos com dois mil beneficiários ou mais ainda reuniam 31,5% dos beneficiários em maio de 2026.
Dados consolidados até 2025 apontam na mesma direção. Entre 2020 e 2025, o número de contratantes de planos coletivos empresariais cresceu 60,7%, de 1,56 milhão para 2,51 milhões, enquanto o número de beneficiários aumentou 20,2%, de 31,97 milhões para 38,43 milhões. Com isso, a média caiu de 20,5 para 15,3 beneficiários por contratante empresarial.
Mudança
O estudo destaca que os dados sobre o porte dos contratantes indicam mudança. Em 2025, entre os contratantes classificados por porte, 88,7% tinham de um a quatro vínculos e reuniam 18,2% dos beneficiários. No outro extremo, aqueles com mil vínculos ou mais correspondiam a pouco mais de 0,1% e concentravam 40,4% dos beneficiários.
Entre o segundo trimestre de 2019 e o mesmo período de 2026, o número de empregados do setor privado com carteira assinada cresceu 16,8%, acima dos aumentos de 11,2% da população ocupada e de 10,8% dos trabalhadores por conta própria. A participação dos empregados com carteira na população ocupada passou de 36,4% para 38,2%. Os dados não indicam, portanto, substituição generalizada do emprego formal por formas independentes de trabalho.
Em agosto de 2026, o país registrava 48,2 milhões de vínculos celetistas. No segundo trimestre de 2026, 26,1 milhões de pessoas trabalhavam por conta própria e, em setembro de 2026, havia cerca de 17,1 milhões de MEIs. Os indicadores representam universos distintos e não devem ser somados, mas mostram a presença, em grande escala, de diferentes formas de inserção econômica. O estudo também ressalta que não é possível atribuir diretamente o crescimento dos contratos menores à expansão de MEIs, PJs ou outras formas de ocupação.
Envelhecimento
A composição etária da saúde suplementar mudou. Em junho de 2026, os planos médico-hospitalares reuniam cerca de 8,3 milhões de beneficiários com 60 anos ou mais, equivalentes a 15,6% do total. Em dezembro de 2000, eram 3,3 milhões, ou 10,7%. O contingente de beneficiários com 80 anos ou mais passou de aproximadamente 398 mil para 1,5 milhão no período.
Já os beneficiários de 15 a 29 anos somavam cerca de 10,2 milhões em 2026, ante 7,5 milhões em 2000. Apesar do crescimento em números absolutos, sua participação recuou de 24,4% para 19,1%, diante do crescimento mais acelerado das faixas etárias mais elevadas.
“O envelhecimento dos beneficiários é uma transformação que precisa ser acompanhada. O desafio é preservar o acesso aos planos e, ao mesmo tempo, o equilíbrio entre as diferentes gerações que participam do sistema”, afirma Vianna.
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