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A entrada em vigor da aplicação comercial do acordo entre o Mercosul e a União Europeia não trouxe apenas a redução de tarifas para milhares de produtos exportados pelos países do bloco. O novo cenário também estabelece uma série de exigências relacionadas à sustentabilidade, governança corporativa e rastreabilidade, tornando obrigatório que empresas forneçam informações auditáveis sobre suas operações para continuar integrando cadeias de valor europeias. Especialistas alertam que organizações que não se adaptarem aos novos padrões poderão perder espaço no mercado europeu, independentemente do setor em que atuam.
Entre as principais mudanças está a necessidade de comprovar práticas relacionadas aos critérios ESG (Ambiental, Social e Governança). As empresas que exportam diretamente para a Europa, ou que fornecem produtos e serviços para companhias europeias, precisarão apresentar dados auditáveis, sistemas de rastreabilidade digital e relatórios capazes de demonstrar conformidade com as normas ambientais e sociais adotadas pela União Europeia.
As novas exigências decorrem de regulamentações europeias como a CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive), que amplia as obrigações de divulgação de informações sobre sustentabilidade; a CSDDD (Corporate Sustainability Due Diligence Directive), que estabelece deveres de diligência em toda a cadeia de fornecedores; o CBAM (Carbon Border Adjustment Mechanism), voltado ao controle das emissões de carbono; o EUDR (Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento); e o PPWR (Packaging and Packaging Waste Regulation), relacionado às embalagens sustentáveis.
Segundo Alejandro Chiappe, sócio da Grant Thornton Argentina, as regras comerciais entre América Latina e Europa passaram por uma transformação significativa. Na avaliação do especialista, já não basta declarar que uma empresa adota práticas sustentáveis: será necessário comprovar essas práticas por meio de documentação técnica, metodologias reconhecidas e informações verificáveis, uma exigência que se estenderá a toda a cadeia de fornecimento.
O impacto não se limita ao agronegócio ou à indústria tradicional. Empresas de tecnologia, software, fintechs, logística, consultoria e prestação de serviços também poderão ser alcançadas pelas novas regras, uma vez que companhias europeias deverão demonstrar conformidade de todos os seus fornecedores para atender às normas da União Europeia.
Ao mesmo tempo, especialistas destacam que as novas exigências representam uma oportunidade de negócios, especialmente para o setor de tecnologia. Cresce a demanda por plataformas de rastreabilidade, monitoramento de emissões, gestão de resíduos, auditoria digital e sistemas de geração de relatórios ESG, criando um mercado promissor para empresas especializadas em soluções digitais e compliance.
Dados apresentados pela Grant Thornton indicam que 48,7% das empresas argentinas já identificam a sustentabilidade como instrumento para reduzir custos operacionais, enquanto 37,2% consideram que essas iniciativas fortalecem sua capacidade de exportação. Paralelamente, a Economia do Conhecimento consolidou-se como um dos principais setores exportadores da Argentina, ultrapassando US$ 10 bilhões em exportações e empregando cerca de 300 mil trabalhadores formais, cenário que pode ser favorecido pelas novas demandas do mercado europeu.
Especialistas recomendam que pequenas e médias empresas iniciem imediatamente processos de adaptação, mesmo para normas cuja implementação ocorrerá de forma gradual nos próximos anos. A preparação antecipada permitirá reduzir custos futuros, facilitar o acesso aos mercados internacionais e fortalecer a competitividade diante das novas exigências impostas pelo acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
Para analistas do comércio internacional, o novo acordo representa uma mudança estrutural na relação econômica entre os dois blocos. A redução de tarifas amplia as oportunidades de exportação, mas o verdadeiro diferencial competitivo passará a ser a capacidade das empresas de demonstrar transparência, sustentabilidade, rastreabilidade e governança, fatores que tendem a definir quais organizações conseguirão consolidar sua presença no mercado europeu nos próximos anos.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileño, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur. Especializado en integración regional, geopolítica y derechos humanos, desarrolla una destacada labor en el ámbito de la comunicación internacional.
Posee un Máster en Desarrollo y Cooperación Internacional y mantiene una amplia red de relaciones profesionales, académicas y diplomáticas en América Latina y Asia.
Entre sus reconocimientos destacan el Micrófono de Oro de la Asociación Nacional de Locutores de México (2021), el Doctorado Honoris Causa de la Universidad Internacional México Blanco (2020) y el título de Amigo de la Niñez y la Adolescencia.
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