A paralisação da construção da ponte internacional entre Pozo Hondo (Paraguai) e Misión La Paz (Argentina) passou a representar um dos principais obstáculos para a conclusão da Rota Bioceânica, considerada um dos maiores projetos de integração logística da América do Sul. Segundo autoridades paraguaias, a falta de definições por parte do governo de Javier Milei, somada aos atrasos nas obras de acesso em território brasileiro, compromete o cronograma do corredor internacional e aumenta a preocupação sobre o futuro de uma infraestrutura estratégica para o Mercosul.
O governo do presidente Santiago Peña considera a obra prioritária para consolidar o Paraguai como um dos principais centros logísticos do continente. O projeto da ponte sobre o rio Pilcomayo é fundamental para conectar o extremo oeste paraguaio à província argentina de Salta e completar um dos trechos mais importantes da Rota Bioceânica, que ligará os portos brasileiros do Atlântico aos portos chilenos no Oceano Pacífico.
De acordo com o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) do Paraguai, toda a documentação técnica solicitada pela Argentina já foi encaminhada às autoridades de Buenos Aires. No entanto, o projeto permanece sem aprovação definitiva, impedindo o início das obras da nova travessia internacional. Diante desse cenário, a Chancelaria paraguaia intensificou as gestões diplomáticas para tentar destravar o empreendimento.
Outro fator de preocupação é o ritmo das obras na fronteira entre Paraguai e Brasil. Embora a estrutura principal da ponte entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho apresente elevado nível de execução, os 13 quilômetros de acessos rodoviários em território brasileiro continuam atrasados. Segundo o diretor de Planejamento Viário do MOPC, Julio Ríos, o trecho brasileiro registra cerca de 35% de avanço físico, enquanto as obras correspondentes no lado paraguaio estão praticamente concluídas.
A Rota Bioceânica, oficialmente identificada como Rodovia PY15, percorre aproximadamente 531 quilômetros através do Chaco paraguaio, ligando Carmelo Peralta, na fronteira com o Brasil, a Pozo Hondo, na fronteira com a Argentina. O corredor integra um projeto internacional que conectará os portos brasileiros do Atlântico aos portos chilenos de Antofagasta, Iquique e Tocopilla, reduzindo distâncias e custos logísticos para o comércio sul-americano.
Segundo analistas, além das dificuldades técnicas, as recentes tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina aumentam a incerteza em torno da execução dos projetos de infraestrutura regional. A reportagem destaca que a deterioração das relações políticas entre os dois principais membros do Mercosul pode dificultar a coordenação necessária para concluir obras compartilhadas e acelerar investimentos considerados estratégicos para a integração continental.
Na tentativa de garantir recursos para o empreendimento, o presidente Santiago Peña solicitou apoio do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM) durante a última Cúpula do Mercosul, realizada em Luque. O objetivo é assegurar financiamento para projetos considerados essenciais ao desenvolvimento da infraestrutura regional e à consolidação do Paraguai como plataforma logística do Cone Sul.
Especialistas em infraestrutura destacam que a conclusão da Rota Bioceânica poderá transformar profundamente o comércio sul-americano, reduzindo o tempo de transporte entre o Atlântico e o Pacífico, fortalecendo a competitividade das exportações do Mercosul e criando uma alternativa estratégica aos corredores logísticos tradicionais. Entretanto, alertam que a continuidade dos atrasos e das indefinições políticas poderá adiar um projeto considerado fundamental para a integração econômica da América do Sul.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Periodista prensa mercosur
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