
Horas após a ofensiva militar que deixou um rastro de 40 mortos, o presidente dos Estados Unidos afirmou que irá administrar o país e que petroleiras norte-americanas passarão a explorar as reservas de petróleo venezuelanas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que o objetivo da ofensiva militar contra a Venezuela é assumir o controle do petróleo do país. Em coletiva de imprensa, Trump declarou que os Estados Unidos irão “administrar” a Venezuela de forma interina, anunciou a entrada de grandes petroleiras norte-americanas em território venezuelano e afirmou que pretende ampliar o que chamou de “domínio americano no Hemisfério Ocidental”.
As declarações foram feitas após uma série de ataques militares realizados na madrugada deste sábado contra alvos estratégicos na Venezuela. Segundo o jornal norte-americano The New York Times, ao menos 40 pessoas morreram durante a ofensiva. A ação do governo de Donald Trump resultou ainda na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, informação confirmada pelo próprio mandatário dos Estados Unidos, mas que ainda gera reações e pedidos de esclarecimento por parte de autoridades venezuelanas e organismos internacionais.
Sem apresentar qualquer respaldo jurídico internacional, Trump afirmou que, com base no controle político que alega estar implementando no país, companhias petrolíferas dos Estados Unidos poderão explorar diretamente os recursos energéticos venezuelanos. O presidente norte-americano não citou autorização do Conselho de Segurança da ONU nem respaldo no direito internacional para a intervenção.
Questionado sobre a duração da ocupação, Trump afirmou que pretende agir “o mais rápido possível”, mas admitiu que a operação “leva tempo”. “Estamos reconstruindo. Precisamos reconstruir toda a infraestrutura. A infraestrutura está deteriorada e é perigosa”, declarou, em discurso semelhante ao adotado pelos Estados Unidos em outras intervenções militares ao longo das últimas décadas.
Em outra declaração que gerou forte repercussão internacional, Trump afirmou que, para obter controle total do território e do petróleo venezuelano, seria necessário “explodir o território”, alegando riscos na extração do recurso. A fala foi interpretada por analistas como uma admissão explícita do uso de força militar em larga escala, inclusive em áreas civis.
No encerramento da coletiva, Trump ameaçou uma nova escalada militar. Segundo ele, o Pentágono está preparado para lançar uma “segunda onda de ataques, muito maior”, caso considere necessário. “O primeiro ataque foi tão bem-sucedido que provavelmente não precisaremos de um segundo, mas estamos preparados”, afirmou.
O governo venezuelano classificou a ofensiva como uma invasão motivada por interesses econômicos e denunciou a violação da soberania nacional. Autoridades do país acionaram organismos multilaterais e pediram condenação internacional à ação dos Estados Unidos, alertando para o risco de ampliação do conflito na América Latina.
Fuente: Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre
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