
O Ibovespa fechou em queda de 0,82% nesta quinta-feira (5), aos 166.191,45 pontos, acompanhando o movimento negativo das bolsas internacionais, especialmente nos Estados Unidos, onde uma forte onda de vendas atingiu as empresas de tecnologia.
O dólar, por sua vez, avançou 0,68%, a R$ 5,4886, pressionado pela aversão ao risco no exterior e pelas incertezas sobre a política fiscal do próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O principal índice da bolsa brasileira oscilou entre a mínima de 166.189,74 pontos e a máxima de 168.994,33 pontos ao longo do pregão. O volume financeiro somou R$ 25 bilhões.
No câmbio, a moeda americana foi negociada entre R$ 5,4270 e R$ 5,4948 durante a sessão, aproximando-se novamente do patamar de R$ 5,50.
Além da pressão internacional, investidores acompanharam a reunião de Lula com integrantes da atual equipe econômica, ex-ministros e economistas próximos ao PT, em busca de sinalizações sobre os rumos das contas públicas no próximo mandato.
Queda das empresas de tecnologia pressiona bolsas globais
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Artur Horta, head de análise da GTF Capital, afirmou que a forte queda das bolsas americanas, especialmente da Nasdaq, refletiu o aumento da cautela dos investidores com as avaliações das empresas ligadas à inteligência artificial.
Segundo o analista, apesar das perdas expressivas, o movimento não representa necessariamente o estouro de uma bolha no setor de tecnologia.
Horta avaliou que, diferentemente de crises anteriores, muitas das grandes empresas de inteligência artificial apresentam lucros consistentes e demanda elevada por seus produtos, embora precisem realizar investimentos bilionários para sustentar o crescimento.
Na avaliação do especialista, o movimento de venda também levou investidores a buscar ativos considerados mais seguros, como títulos de dívida de países com contas públicas mais equilibradas e metais preciosos.
O analista destacou que a aversão ao risco global acabou afetando o mercado brasileiro, embora a queda do Ibovespa tenha sido menos intensa do que a observada nas bolsas americanas.
Lula reúne equipe econômica, mas governo não anuncia medidas fiscais
No cenário doméstico, as atenções se voltaram para a reunião de Lula com integrantes do governo e economistas próximos ao PT, em um momento de pressão dos investidores por definições sobre a política fiscal.
Após o encontro, o ministro Dario Durigan afirmou que a reunião foi “boa” e “convergente em termos de diagnóstico”, mas ressaltou que ainda não é o momento de discutir medidas específicas.
Durigan reafirmou o compromisso do governo com as metas fiscais e indicou que nenhuma medida será anunciada antes da viagem de Lula ao exterior, prevista para a próxima semana.
Horta afirmou que uma recuperação mais consistente dos ativos brasileiros dependerá de sinalizações concretas sobre a trajetória da dívida pública e o controle das despesas.
Segundo o analista, o mercado espera medidas capazes de demonstrar compromisso com a sustentabilidade fiscal, especialmente após a deterioração das expectativas econômicas provocada pelas incertezas do período pós-eleitoral.
Horta avaliou que, sem mudanças relevantes na condução das contas públicas, a pressão sobre o dólar e a dificuldade de recuperação da bolsa podem persistir.
Dólar sobe e se aproxima de R$ 5,50
Enquanto o real perdeu valor frente ao dólar, a moeda americana apresentou pouca variação em relação às principais divisas internacionais.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, operava praticamente estável, com recuo de 0,02%, aos 101,550 pontos.
O euro caía 0,05%, a US$ 1,1224, enquanto a libra recuava 0,10%, cotada a US$ 1,3457.
No mercado futuro brasileiro, o contrato de dólar para dezembro avançava 0,58% às 17h07, negociado a R$ 5,5180.
A valorização da moeda americana no Brasil refletiu tanto a busca por proteção diante da turbulência internacional quanto as dúvidas sobre a condução da política econômica doméstica.
Horta também destacou que a manutenção da Selic em 13,75% ao ano pelo Banco Central, anunciada na quarta-feira (4), reforçou os desafios para a economia brasileira.
Na avaliação do analista, a combinação entre inflação acima da meta, endividamento público elevado e falta de sinalizações fiscais concretas tende a manter a pressão sobre o câmbio.
Investidores seguem atentos ao pronunciamento de Lula previsto para domingo (8) e aos próximos anúncios do governo, que poderão influenciar as expectativas para a bolsa, o dólar e os juros brasileiros.
https://timesbrasil.com.br/investimentos/bolsa/ibovespa-cai-082-com-tombo-das-bolsas-nos-eua-dolar-sobe-a-r-548-sem-sinal-fiscal-de-lula/
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