:format(webp))
Cerca de metade das rodovias federais e estaduais do Brasil e dois terços das terras disponíveis para a agricultura não têm sinal de 4G ou 5G, segundo estimativas citadas pela AST SpaceMobile. É nesse vazio que a americana, rival da Starlink na conexão de satélites direto ao celular, acaba de ganhar terreno no país.
A companhia, listada na Nasdaq, anunciou que recebeu autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para usar 30 MHz de espectro na banda S, uma das principais faixas para a comunicação direta entre satélites e smartphones.
A AST também obteve aval para o uso secundário de até 20 MHz na faixa de 700 MHz. Esse espectro será cedido por quatro operadoras regionais: Brisanet, Unifique, Iez! Telecom e Amazônia 5G. Em paralelo, a empresa constrói quatro estações terrestres no país.
Em comunicado, a AST afirma que o Brasil é um mercado prioritário e que montou equipes locais dedicadas ao país. A ambição é alcançar as mais de 200 milhões de linhas de celular brasileiras, sem que o usuário precise trocar de aparelho, instalar antena ou baixar aplicativo.
Como o satélite vira uma torre de celular
A tecnologia, chamada de Direct-to-Device (D2D), faz o satélite funcionar como uma antena de telefonia no espaço. Para o aparelho, o satélite se comporta como uma torre distante, o que permite mensagens, chamadas de voz, internet e vídeo em smartphones comuns.
Para isso, a AST combina dois tipos de espectro. Na banda S, a autorização da Anatel de 9 de outubro garante à empresa 15+15 MHz nas faixas de 1.995 MHz a 2.010 MHz e de 2.185 MHz a 2.200 MHz: um bloco para o envio de dados e outro para o recebimento.
Na faixa de 700 MHz, usada pelo 4G e presente em praticamente todos os celulares, a AST poderá operar com até 10+10 MHz em caráter secundário, dentro das áreas licenciadas de cada operadora parceira. Segundo a empresa, essa frequência mais baixa amplia a cobertura e melhora o sinal dentro de ambientes fechados.
Essa faixa foi arrematada pelas quatro regionais no leilão da Anatel de 4 de maio, que arrecadou cerca de R$ 23 milhões. A Brisanet levou os lotes do Nordeste e do Centro-Oeste, a Unifique ficou com o do Sul e a Amazônia 5G, com o do Norte e de São Paulo. A Iez! Telecom também arrematou um dos lotes.
Os quatro gateways em construção vão conectar a constelação de satélites BlueBird diretamente ao núcleo das redes das operadoras, levando voz, vídeo e dados entre o espaço e a infraestrutura em solo.
A estrutura local também tem uma função regulatória. Segundo a AST, a arquitetura foi desenhada para garantir que os dados dos usuários brasileiros permaneçam no país, sob a chamada soberania de dados.
Os BlueBird são, de acordo com a empresa, os maiores satélites de comunicação comercial já colocados em órbita baixa. Cada unidade da nova geração tem uma antena de cerca de 223 metros quadrados. Segundo a AST, o tamanho permite cobrir uma área maior com menos satélites.
Vender para a operadora, não para o consumidor
Na conexão direta ao celular, AST e Starlink seguem o mesmo desenho: as duas vendem capacidade de satélite às operadoras, que levam o serviço aos próprios clientes. A diferença está na escala da Starlink, que já domina a banda larga fixa por satélite no país.
“Estamos reunindo o espectro, os relacionamentos com operadoras e a infraestrutura terrestre para entregar uma terceira camada de conectividade em todo o Brasil”, afirmou Abel Avellan, fundador, presidente do conselho e CEO da AST SpaceMobile, em comunicado.
A estratégia se apoia em parcerias. A AST soma mais de 60 operadoras parceiras no mundo, que juntas atendem mais de 3 bilhões de assinantes, e afirma ter mais de 3.900 patentes registradas ou pendentes.
Em 2025, a empresa registrou receita de US$ 70,9 milhões. Ela diz ter mais de US$ 1,2 bilhão em compromissos de receita já contratados com parceiros.
No Brasil, o movimento das regionais veio a público na sexta-feira, 23. Nesse dia, Brisanet, Unifique e Iez! Telecom divulgaram fato relevante sobre o acordo comercial. Pelo desenho, as operadoras cedem o espectro e conectam suas redes aos gateways da AST.
Para as regionais, o satélite resolve um problema concreto. Os lotes de 700 MHz vieram com obrigações de cobertura em cidades com menos de 30 mil habitantes e em rodovias. A Anatel estima que a faixa beneficie mais de 864 localidades e cerca de 6,5 mil quilômetros de estradas federais.
A Amazônia 5G entrou na lista de parceiras com o anúncio desta semana. A operadora está em processo de venda de controle para a Unifique, operação que depende de aprovação da Anatel.
A disputa com a Starlink pela banda S
A banda S virou o principal campo de batalha regulatório do satélite no celular no Brasil. Em maio, a Anatel autorizou a constelação de 248 satélites da AST no país. Na mesma decisão, limitou a empresa a um bloco de 10+10 MHz e dividiu a faixa em três blocos desse tamanho, com no máximo um por empresa.
A Starlink, que pedia 30+30 MHz, o equivalente a toda a banda S disponível para esse uso, contestou a divisão. Em 9 de outubro, a Anatel concedeu 15+15 MHz à empresa de Elon Musk e, na mesma votação, ampliou a faixa da AST.
Segundo a AST, a decisão separa as frequências de cada provedor de satélite e garante acesso equitativo à banda S. Pelos termos da autorização, uma parte de 5+5 MHz vale até junho de 2029 e o restante, até setembro de 2039, de acordo com o Tele.Síntese.
No varejo, a Starlink tem como parceira a Vivo, que lançou nesta semana o Vivo Satélite. A Anatel estendeu até abril de 2029 o prazo de testes da tecnologia pela operadora.
O que muda para o usuário
A AST não vai definir preços nem planos. Segundo a empresa, cada operadora decidirá se o satélite entra nos planos atuais ou se será cobrado à parte, e os valores serão divulgados pelas parceiras à medida que o serviço chegar ao mercado.
Também não há data de lançamento. O início do serviço depende da conclusão dos gateways e da integração com as redes das operadoras, e o cronograma será definido em conjunto com as parceiras. A oferta vale tanto para smartphones quanto para aplicações de internet das coisas (IoT), como sensores no campo.
A cobertura também depende de quantos satélites a AST consegue colocar em órbita. A empresa tem 13 BlueBird no espaço, após o lançamento de três unidades em 5 de agosto, a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, dona da própria Starlink.
A meta inicial era chegar a 45 a 60 satélites até o fim de 2026, mas o cronograma foi adiado. A companhia agora mira cerca de 45 unidades no início de 2027 e 243 até o fim de 2028. Em abril, o BlueBird 7 foi perdido depois de ser colocado em órbita mais baixa que a planejada pelo foguete New Glenn, da Blue Origin
ACERCA DEL CORRESPONSAL
JOSé CARLOS FERREIRA
José Carlos Ferreira es corresponsal de Prensa Mercosur en Río de Janeiro, Brasil, con posibilidad de desarrollar su labor periodística en todo el territorio brasileño. Cuenta con experiencia profesional en comunicación y medios, vinculada a WBP Brasil y Rede Globo de Televisão, y posee especial interés en política, noticias regionales, reportajes y entrevistas. Su incorporación fortalece la presencia de Prensa Mercosur en Brasil, aportando experiencia, contenidos y una mirada cercana a la realidad brasileña para informar y conectar al país con la agenda del Mercosur.
- ★O orçamento aceita tudo: como acertar no planejamento do budget da sua empresa
- ★Juros da casa própria subiram. O que acontece com quem comprou imóvel na planta?
- ★Rival da Starlink avança no Brasil e quer levar satélite a 200 milhões de celulares
- ★Petrobras aumenta preço do querosene de aviação em 7,2% a partir deste domingo
- ★Por que o Brasil precisa se importar com as eleições de meio de mandato dos EUA?



















