
O El Niño pode trazer desafios para bares e restaurantes, com impactos que vão do abastecimento de alimentos ao funcionamento dos estabelecimentos. Com a possibilidade de calor intenso, estiagens e chuvas acima da média em diferentes regiões do Brasil, a preparação pode ajudar a evitar prejuízos e interrupções na operação.
Segundo boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e por outros órgãos federais, há alta probabilidade de o fenômeno persistir até o início de 2027.
Para Luiza Campos, líder de ASG da Abrasel, os empreendedores precisam entender que os efeitos das mudanças climáticas não são eventos isolados e devem influenciar cada vez mais o cotidiano dos negócios.
“Os bares e restaurantes devem se preparar para reduzir os impactos sobre suas operações. Isso passa por incorporar o tema ao planejamento do negócio, identificar oportunidades e vulnerabilidades e estabelecer alternativas antes que uma emergência aconteça”, afirma Para Luiza Campos, líder de Ambiental, Social e Governança (ASG) da Abrasel,
Segundo ela, essa preparação ajuda a proteger pessoas e negócios, reduzir perdas e também pode estimular a inovação em serviços e produtos.
Para orientar os empreendedores, a entidade desenvolveu a cartilha gratuita “Mudanças climáticas e negócios resilientes”, com medidas práticas para prevenir perdas e adaptar a operação a cenários de ondas de calor, estiagens, chuvas intensas e alagamentos.
Como preparar seu estabelecimento para o El Niño
- Identifique os riscos da região
O primeiro passo é entender quais eventos climáticos podem afetar o estabelecimento. Verifique se o endereço está em uma área sujeita a alagamentos, enchentes, deslizamentos, queimadas ou interrupções frequentes no fornecimento de água e energia.
Para isso, consulte o histórico de ocorrências do município, converse com moradores, comerciantes vizinhos e fornecedores locais e avalie se o próprio negócio já foi afetado por alguma dessas situações.
Com essas informações, liste os riscos com maior probabilidade de comprometer a operação.
- Cadastre-se nos alertas da Defesa Civil
Acompanhar as condições climáticas ajuda o empreendedor a tomar decisões com antecedência. A Defesa Civil disponibiliza alertas por SMS, WhatsApp, Telegram e outros canais.
Uma das formas de receber os avisos é enviar o CEP da região de interesse por SMS para o número 40199. Assim, o estabelecimento pode acompanhar possíveis situações de risco e se preparar para mudanças no funcionamento.
- Liste os itens essenciais para a operação
Faça um levantamento dos produtos e insumos que podem ser afetados por problemas no abastecimento.
A lista deve incluir não apenas alimentos, mas também itens necessários para manter o negócio funcionando, como água, gelo, gás e embalagens.
Entre os produtos que merecem atenção estão carnes, pescados, hortaliças e bebidas. Identificar quais são indispensáveis permite avaliar possíveis substituições e organizar melhor o estoque em caso de dificuldade de fornecimento.
- Cadastre e teste fornecedores alternativos
Depender de um único fornecedor pode deixar o restaurante vulnerável caso uma rota seja interrompida ou a entrega atrase. Por isso, a recomendação é manter contatos de fornecedores alternativos já cadastrados e testados.
Além dos dados de contato, registre informações sobre rotas, prazos de entrega, capacidade de fornecimento e condições sanitárias.
O ideal é verificar se esses parceiros realmente conseguem atender às necessidades do estabelecimento antes de precisar acioná-los em uma emergência.
- Prepare um cardápio de contingência
Ter opções de pratos previamente definidas facilita a adaptação quando determinados ingredientes ficam indisponíveis ou mais caros.
A Abrasel recomenda selecionar preparações de execução simples, com boa margem de lucro e menor dependência de produtos sujeitos a instabilidades no abastecimento.
Antes de colocar as substituições em prática, porém, é importante atualizar as fichas técnicas, os rendimentos e os custos para garantir que os pratos continuem rentáveis.
- Revise equipamentos e instalações
A manutenção preventiva pode evitar problemas em momentos críticos. Geladeiras, freezers, termômetros, geradores, coifas, aparelhos de ar-condicionado e fornos devem passar por revisões periódicas.
A atenção também precisa chegar à estrutura do imóvel. Calhas, bombas, instalações elétricas, encanamentos, descargas, ralos, torneiras e caixas d’água devem ser verificados para reduzir o risco de falhas durante temporais, alagamentos ou períodos de estiagem.
- Defina limites para o funcionamento
Nem sempre será possível manter a operação normal diante de um evento climático extremo.
Por isso, o estabelecimento deve estabelecer previamente em quais situações será necessário reduzir o cardápio, suspender o delivery ou fechar temporariamente.
Os critérios precisam estar claros e os protocolos devem ser testados para que a equipe saiba como agir rapidamente. A falta de água potável suficiente, por exemplo, pode exigir a suspensão de determinadas atividades ou até o fechamento do negócio.
- Treine a equipe
Os funcionários precisam saber o que fazer diante de situações como falta de água ou energia, atraso na entrega de fornecedores, indisponibilidade de ingredientes, temporais e vendavais.
A orientação é estabelecer responsabilidades e treinar os procedimentos periodicamente. Dessa forma, cada pessoa sabe como agir, a quem recorrer e quais são as prioridades em uma emergência, reduzindo riscos, perdas e conflitos.
- Comunique clientes e parceiros
Se houver mudanças no funcionamento, a comunicação deve ser rápida e transparente. O estabelecimento precisa avisar clientes e parceiros sobre situações como suspensão do delivery, cancelamento de reservas ou fechamento temporário.
Redes sociais, aplicativos de mensagem, site e telefone são alguns dos canais que podem ser usados para informar as alterações e evitar deslocamentos desnecessários ou expectativas que não poderão ser atendidas.
- Revise o plano mensalmente
O planejamento não deve ficar esquecido depois de pronto. A recomendação é revisar o plano de contingência todos os meses, atualizando contatos de fornecedores, informações sobre estoque, rotas de entrega, previsão climática e situação financeira.
Como o cenário pode mudar, manter essas informações atualizadas ajuda o negócio a responder melhor a novos riscos.
Quatro planos que todo estabelecimento deve ter
Além dos dez passos, a Abrasel recomenda organizar a preparação em quatro frentes principais:
- Abastecimento: identifique os ingredientes críticos, possíveis substitutos e fornecedores alternativos, com prazos de entrega e condições de pagamento. Mantenha o estoque organizado e controle os prazos de validade para evitar desperdícios.
- Água e energia: reúna contatos de manutenção, registros das inspeções periódicas e uma lista dos equipamentos prioritários, com os responsáveis por cada um. Também é importante documentar eventuais interrupções no fornecimento, com fotografias, vídeos e outros comprovantes, e definir quando será necessário reduzir o atendimento ou paralisar as atividades.
- Pessoas e comunicação: determine quem acompanha os alertas meteorológicos, quem comunica clientes e fornecedores, quem protege o estoque e controla o abastecimento e quem tem autoridade para decidir pela interrupção da operação.
- Reserva financeira: projete cenários de aumento de custos e queda de faturamento, avalie a contratação e a revisão de seguros e reserve recursos para enfrentar possíveis emergências.
Erros que bares e restaurantes devem evitar
Um dos erros que os empresários podem cometer é confundir previsão sazonal com previsão diária. As projeções de longo prazo ajudam no planejamento de compras e investimentos, mas decisões sobre horários, cardápio, delivery e equipes devem considerar os alertas locais da Defesa Civil e de outros órgãos competentes.
Outro cuidado é evitar compras em grandes volumes sem capacidade adequada de conservação. Além de ocupar espaço e deixar dinheiro parado no estoque, a prática aumenta o risco de perdas em caso de queda de energia.
Também é importante não depender de um único fornecedor, não funcionar sem água potável suficiente e não reabrir imediatamente após uma enchente. Antes de retomar as atividades, o estabelecimento deve passar por avaliações estruturais, elétricas e sanitárias, seguindo as orientações das autoridades locais.
Em caso de falha elétrica, o registro das temperaturas dos alimentos é essencial para avaliar se eles continuam seguros para consumo. Já as mudanças no cardápio precisam vir acompanhadas de novos cálculos de custos e margens, para que a tentativa de contornar a falta de ingredientes não comprometa a rentabilidade.
Por fim, a equipe deve conhecer os protocolos antes de uma emergência. Esperar o problema acontecer para definir responsabilidades pode levar a decisões contraditórias e expor funcionários e clientes a riscos desnecessários.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
JOSé CARLOS FERREIRA
José Carlos Ferreira es corresponsal de Prensa Mercosur en Río de Janeiro, Brasil, con posibilidad de desarrollar su labor periodística en todo el territorio brasileño. Cuenta con experiencia profesional en comunicación y medios, vinculada a WBP Brasil y Rede Globo de Televisão, y posee especial interés en política, noticias regionales, reportajes y entrevistas. Su incorporación fortalece la presencia de Prensa Mercosur en Brasil, aportando experiencia, contenidos y una mirada cercana a la realidad brasileña para informar y conectar al país con la agenda del Mercosur.
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