
247 – O governo do Catar rejeitou nesta quinta-feira (29) as acusações de interferência nas eleições legislativas de Israel, apresentadas por integrantes do bloco político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu após o avanço dos partidos árabes nas urnas. De acordo com informações da agência France–Presse (AFP), o Ministério das Relações Exteriores catariano negou qualquer financiamento destinado a influenciar a votação e classificou as denúncias como “ridículas” e “perigosas”. As suspeitas surgiram em meio às dificuldades enfrentadas por Netanyahu para conquistar a maioria parlamentar necessária à formação de um novo governo.
O porta-voz Majed al Ansari afirmou que o governo catariano não aceita que disputas internas israelenses utilizem seu país como alvo de acusações sem comprovação. “O Qatar não deveria ser utilizado como bode expiatório para os fracassos políticos de alguns políticos israelenses”, declarou.
Aliados do primeiro-ministro israelense acusaram legendas árabes de compra e roubo de votos, sem apresentar provas que sustentassem as denúncias. O desempenho dessas organizações nas eleições de terça-feira (27) ampliou sua representação no Parlamento e pode torná-las decisivas nas negociações para a formação do próximo gabinete. O porta-voz da diplomacia do Catar, Majed al Ansari, afirmou que políticos israelenses tentam responsabilizar seu país por resultados eleitorais desfavoráveis.
“Negamos com veemência as acusações de que o Qatar tenha interferido nas eleições israelenses ou financiado qualquer atividade para influenciar seu resultado”, declarou o representante do Ministério das Relações Exteriores.
O diplomata também criticou a sucessão de suspeitas levantadas contra Doha por diferentes grupos políticos de Israel. Segundo ele, as acusações apresentam o país do Golfo como responsável por influenciar forças que ocupam posições opostas no cenário político israelense. “Acusam o Qatar de comprar Benjamin Netanyahu, a esquerda política israelense e agora, nesta última campanha, o voto árabe (…) As acusações são tão ridículas quanto perigosas”, acrescentou.
Partidos árabes ganham peso na formação do governo israelense
A controvérsia ocorre após as eleições legislativas produzirem uma configuração parlamentar que dificulta a permanência de Netanyahu no comando do governo. Nenhum dos principais blocos políticos conseguiu assegurar isoladamente os 61 assentos necessários para controlar o Knesset, Parlamento israelense composto por 120 integrantes.
Segundo os resultados da apuração, o bloco de Netanyahu conquistou 53 cadeiras, enquanto a oposição liderada por Gadi Eisenkot alcançou 48. As duas listas árabes obtiveram 19 assentos, resultado que ampliou sua capacidade de influência sobre a composição do próximo governo.
A distribuição das cadeiras colocou os representantes árabes no centro das negociações parlamentares. O apoio dessas legendas, ou sua disposição de permitir a formação de um gabinete sem integrar formalmente a coalizão, poderá interferir nas possibilidades de reorganização do poder político israelense.
O avanço eleitoral também provocou reações de integrantes do bloco governista. Aliados de Netanyahu passaram a levantar suspeitas sobre a origem de recursos utilizados por organizações ligadas à mobilização de eleitores árabes, atribuindo parte dessas atividades a um suposto financiamento estrangeiro.
As acusações ainda não contam com comprovação pública. Representantes das legendas árabes rejeitaram as denúncias e criticaram as tentativas de colocar em dúvida a legitimidade dos votos recebidos.
Presidente de Israel pede investigação e alerta contra estigmatização
O presidente israelense, Isaac Herzog, defendeu a apuração das suspeitas de irregularidades eleitorais. Ao mesmo tempo, advertiu que as investigações não devem transformar toda a população árabe de Israel em alvo de acusações coletivas.
A manifestação ocorreu em meio ao aumento das pressões para que as autoridades investiguem denúncias de compra de votos e possível utilização de recursos estrangeiros em atividades relacionadas ao processo eleitoral.
O presidente da Comissão Eleitoral Central, Noam Sohlberg, solicitou ao serviço de segurança interna Shin Bet que examinasse informações sobre uma suposta interferência estrangeira. O pedido busca esclarecer a procedência dos relatos e identificar eventuais violações da legislação eleitoral.
O dirigente do partido árabe Raam, Mansur Abbas, também rejeitou as acusações. Sua legenda integra o grupo de organizações que ampliaram a representação parlamentar e passaram a ocupar uma posição de importância nas discussões sobre a formação do governo.
https://www.brasil247.com/mundo/catar-rejeita-acusacoes-de-netanyahu-sobre-interferencia-nas-eleicoes/
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