
247 – Integrantes do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atuaram para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) retirasse de uma carta a declaração de que seria o verdadeiro presidente eleito do Brasil. A intervenção ocorreu após representantes do Departamento de Estado identificarem riscos diplomáticos na manifestação do candidato derrotado nas eleições presidenciais brasileiras. A informação foi revelada nesta quinta-feira (29) pela jornalista Mariana Sanches, em reportagem publicada no UOL.
Segundo a apuração, autoridades americanas consideraram que a autoproclamação de Flávio poderia comprometer as relações entre Washington e Brasília, especialmente diante da necessidade de manter interlocução com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno de domingo (25). O relato foi confirmado ao UOL, sob condição de anonimato, por três fontes ligadas à diplomacia americana e corroborado por um interlocutor estrangeiro.
A atuação ocorreu na quarta-feira (28), depois que a primeira versão da carta começou a circular em Washington. Aproximadamente 40 minutos após a divulgação inicial, Flávio publicou em suas redes sociais uma versão modificada do documento, substituindo a expressão “presidente eleito do Brasil” por “líder do Brasil”.
A alteração evidencia a resistência de setores do governo americano a respaldar formalmente a contestação do resultado eleitoral brasileiro, embora a administração Trump tenha autorizado a entrada do senador e de sua família nos Estados Unidos.
Um embaixador americano familiarizado com as relações bilaterais explicou ao UOL que acolher Flávio por razões de segurança não significa reconhecer sua pretensão de exercer a Presidência da República.
“Deixar Flávio entrar sob argumento de asilo, questões de segurança, é uma coisa. Muito diferente é passar a tratar como presidente eleito, porque isso forçaria a não ter relações com o governo do Brasil e isso é algo que os EUA não estão dispostos a fazer, até porque não atende aos interesses americanos”, afirmou o diplomata, sob condição de anonimato.
Outro representante da diplomacia americana relatou a existência de divergências dentro da administração Trump sobre o tratamento a ser dado à eleição brasileira. Segundo ele, o secretário de Estado Marco Rubio tende a adotar uma postura pragmática, enquanto integrantes do entorno presidencial procuram estimular questionamentos sobre a legitimidade do resultado.
“Rúbio tende a ser pragmático, mas há pessoas no entorno tentando levar o presidente, erradamente, a falar em fraude na eleição no Brasil e fomentando essa ideia de que Flávio poderia ter apoio em se colocar nesse lugar de ‘eleito’”, declarou.
Trump evita reconhecer Flávio como presidente
O presidente Donald Trump foi questionado na quarta-feira (28) sobre a declaração de Flávio de que seria o verdadeiro vencedor da eleição brasileira. O republicano evitou endossar a reivindicação do senador, embora tenha voltado a levantar suspeitas sobre o processo eleitoral.
“Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver . Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, afirmou Trump.
O Departamento de Estado não havia se manifestado oficialmente sobre a carta até a publicação da reportagem do UOL. O órgão, entretanto, já havia anunciado a concessão de vistos para Flávio e seus familiares.
Um representante da instituição explicou que a medida tinha como objetivo proteger a segurança e a integridade física de um aliado político dos Estados Unidos na América Latina.
A distinção entre conceder proteção ao senador e reconhecer sua reivindicação presidencial tornou-se central nas discussões internas da administração americana, conforme os relatos obtidos pela jornalista.
Aliado de Flávio nega interferência dos Estados Unidos
O comentarista político Paulo Figueiredo, um dos aliados envolvidos na articulação que levou Flávio aos Estados Unidos, contestou a informação de que autoridades americanas teriam determinado alterações na carta.
Questionado pelo UOL, Figueiredo ironizou a possibilidade de interferência do governo Trump na elaboração do documento.
“Brasão da República proposital, EUA modificando texto… Vocês estão todos malucos. Quem dos EUA ligou pra mim pra mudar o texto??? O Rubio? De como houve de fato a mudança. Não há nada demais. Influência americana é vozes da cabeça… Quem seria louco de achar que a Casa Branca vai dizer ao Flávio o que falar”, declarou.
O comentarista atribuiu as diferenças entre as versões do documento ao processo de elaboração do texto, que, segundo ele, contou com o uso de inteligência artificial.
“Fizemos várias versões e no final acabou-se usando um trecho de versão antiga… Coisas de AI”, explicou.
A reportagem também ouviu um aliado americano dos bolsonaristas, próximo ao movimento político de Trump, que afirmou que Marco Rubio teve acesso a pelo menos uma das versões da carta antes de sua divulgação definitiva.
Figueiredo, entretanto, negou essa informação. Procurado pela jornalista, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro não se manifestou.
Governo Trump teme prejuízos nas relações diplomáticas com o Brasil
Uma das preocupações apontadas por interlocutores americanos envolve a indicação de Danny Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
O governo Trump espera obter a concordância brasileira para a nomeação antes do encerramento de 2026. Uma eventual decisão de reconhecer Flávio como presidente legítimo poderia ampliar as tensões com Brasília e dificultar o andamento do processo.
A manutenção da indicação diplomática é interpretada por setores pragmáticos da administração americana como demonstração de interesse em preservar os canais oficiais de relacionamento com o governo Lula.
Até a publicação da reportagem, Washington ainda não havia reconhecido formalmente a reeleição do presidente brasileiro, apesar de continuar conduzindo iniciativas diplomáticas relacionadas ao país.
A controvérsia envolve também as possíveis consequências políticas de apoiar uma liderança paralela à autoridade reconhecida pelas instituições brasileiras.
Caso Guaidó influencia avaliação americana
Segundo a apuração do UOL, integrantes do governo Trump querem evitar a repetição da experiência do opositor venezuelano Juan Guaidó, que recebeu reconhecimento de Washington como presidente interino da Venezuela em oposição ao governo de Nicolás Maduro.
A estratégia americana de apoiar Guaidó não resultou na transferência efetiva do poder político venezuelano para o opositor. O reconhecimento internacional de uma administração paralela criou dificuldades diplomáticas para países que precisavam manter relações institucionais com Caracas.
Interlocutores americanos consideram que uma iniciativa semelhante envolvendo o Brasil, país de grande peso político e econômico na América Latina, poderia trazer consequências ainda mais abrangentes para os interesses dos Estados Unidos na região.
A reportagem afirma que aliados de Flávio chegaram a mencionar a experiência venezuelana ao discutir as intenções do senador após sua saída do Brasil.
Resultado da eleição foi confirmado pelo TSE
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil depois de ser derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro.
De acordo com os resultados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%, uma diferença de 4.430.191 votos.
A medida havia sido adotada após pedidos apresentados pelas campanhas do PT e do PL. O resultado eleitoral foi reconhecido pelo TSE, por representantes de instituições brasileiras e pelo próprio partido de Flávio.
O documento também agradeceu aos presidentes Donald Trump e Javier Milei, da Argentina, pelo apoio recebido pelo senador em sua saída do país. Flávio afirmou que pretende comandar a oposição brasileira a partir do território americano.
A divulgação das diferentes versões da carta ocorreu poucos dias depois da derrota eleitoral e da viagem de Flávio aos Estados Unidos, em um momento de indefinição sobre a posição oficial de Washington diante da reeleição de Lula.
https://www.brasil247.com/mundo/governo-trump-atuou-para-flavio-retirar-de-sua-carta-o-titulo-de-presidente-eleito/
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Vapor Cué: buscan rescatar y poner en valor su riqueza histórica
- ★¿Un santo que baila? La historia de San Francisco de Asís llega al Teatro Municipal
- ★Halloween y ciencia: las actividades para disfrutar en familia en el MuCi
- ★Maternidad, detectives y amores que regresan: qué ver en el teatro este finde
- ★Murió Patrick Stewart, el actor de “X-Men” y “Star Trek”

