
A Juventude Comunista da França (JC) e a Federação Sindical Estudantil (FSE) mantêm o chamado às ruas para 24 de outubro, em meio às proibições e à ampliação da repressão contra a rebelião popular. O governo reacionário de Emmanuel Macron anunciou, em 23 de outubro, a mobilização de 70 mil policiais e gendarmes para a jornada, segundo o monopólio de imprensa Reuters.
Em novo comunicado, a JC defende transformar a revolta popular em “real tomada do Poder, pela expropriação dos capitalistas e sem nenhuma concessão ao velho Estado burguês que queremos derrubar”. A organização chama a juventude a se unir à luta pela Revolução Socialista.
Em publicação de 23 de outubro, a JC convocou a preparação do “Ato II” e destacou que a jornada do dia 17 marcou uma virada no desenvolvimento da luta de classes no país. “Apesar da repressão e da vigilância reforçada, não recuaremos!”, afirmou a organização, que voltou a chamar a juventude às ruas.
A FSE também reafirmou a convocação em comunicado de 22 de outubro, compartilhado pela JC. A federação defendeu os bloqueios e as ocupações dos locais de estudo como formas de pressionar o Estado e fortalecer a revolta: “Hoje, é preciso bloquear tudo”. O documento encerra com o chamado: “Todos às ruas no dia 24 e depois!”.
Na mesma data, a FSE voltou a exigir mais recursos para o ensino superior, a revogação do Parcoursup e do Monmaster e a proibição dos lançadores de projéteis de impacto, conhecidos pela sigla LBD. Na resposta ao anúncio de manifestações proibidas, militares e blindados, a organização declarou: “Mas não temos medo!”.
A nova jornada dá sequência à mobilização que levou 800 mil pessoas às ruas em 17 de outubro, segundo a JC, a FSE e os organizadores. Naquele dia, comunistas e estudantes marcharam com trabalhadores e coletes amarelos. A luta iniciada nos liceus por condições dignas de ensino se ampliou contra a carestia e a destruição dos serviços públicos.
JC defende tomada do Poder e expropriação dos capitalistas
O comunicado, divulgado pelas contas nacional e da região parisiense da JC no Instagram, defende reconstituir organizações revolucionárias a serviço da classe e da Revolução.
Os comunistas defendem a revolta dos secundaristas, sobretudo os dos subúrbios, contra suas condições de vida e de estudo. “Nossa cólera é justa. Não há manifestantes de um lado e ‘vândalos’ do outro”, afirma o texto. A JC aponta os interesses comuns de operários, camponeses, secundaristas e pequenos comerciantes na mobilização: “Juntos, fazemos o Estado tremer”.
A JC sustenta que a vitória exige superar a espontaneidade. Ressalta que atacar os prédios onde se encontra o Poder não significa tomá-lo, assim como derrubar um governo não equivale a fazer uma Revolução nem a mudar de sistema. “Para que nossa classe vença, ela deve se organizar em larga escala, ter sua própria estratégia prolongada”, afirma.
O comunicado defende a Revolução Socialista na França e uma sociedade livre da exploração capitalista, na qual a riqueza produzida pelos trabalhadores atenda às necessidades de estudo, moradia, alimentação e vida digna. Chama a juventude a se unir à JC e conclui: “Somos a juventude da crise, seremos a juventude da Revolução!”.
Unidades especiais e Exército para conter as ruas
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou o emprego das unidades especiais RAID e GIGN, helicópteros, drones e sistemas antidrones, além de blindados e canhões d’água. Ao justificar o dispositivo, voltou a atribuir à “ultraesquerda” os chamados aos enfrentamentos e prometeu uma atuação intransigente das forças repressivas.
O emprego de militares da Operação Sentinelle já havia sido anunciado em 20 de outubro. As tropas, dedicadas ao patrulhamento dito “antiterrorista”, assumirão a guarda de pontos fixos, liberando policiais e gendarmes para atuar contra as manifestações. A JC respondeu naquele dia: “O Estado faz guerra ao povo, não cederemos!”.
Em 22 de outubro, Macron havia declarado que “a recomendação geral é que não haja manifestações nos próximos dias”. O presidente determinou que os representantes do governo nos departamentos proibissem atos solicitados por pessoas que ele considera sem legitimidade para convocá-los. Aos sindicatos, seriam propostos trajetos alternativos para preservar os centros das cidades, os comércios e os prédios públicos.
Em Paris, foi autorizado apenas o cortejo sindical da Confederação Geral do Trabalho (CGT), entre Bastille e Nation. Os pedidos da União Nacional dos Estudantes da França (UNEF) e dos coletes amarelos foram rejeitados. A UNEF afirmou que manterá seus atos apesar das proibições, conforme a Reuters.
Em Lyon, a proibição atinge todas as manifestações previstas para o dia 24. Em Marselha, o veto inicialmente anunciado para todo o departamento das Bouches-du-Rhône foi parcialmente revisto em 23 de outubro: o representante do governo autorizou, por exceção, uma marcha sindical, com concentração às 14h em Réformés. Os demais atos continuam proibidos.
JC organiza solidariedade aos secundaristas reprimidos
A atuação comunista também se volta ao apoio aos atingidos pela repressão. Em 23 de outubro, a seção da JC na região parisiense publicou o vídeo de sua intervenção no ato de solidariedade aos secundaristas do liceu Paul–Éluard que compareceram ao tribunal de Bobigny, em 22 de outubro. Na publicação, reafirmou: “Diante da repressão, rebelar-se é justo. Ousar lutar, ousar vencer!”.
Na entrevista concedida ao AND sobre a rebelião, a JC já havia explicado que organiza apoio humano, financeiro e jurídico aos detidos e às suas famílias. Diante da tentativa de amedrontar e desorganizar a juventude, a organização sintetizou sua resposta: “A melhor resposta à repressão é a organização”.

ACERCA DEL CORRESPONSAL
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