
A Liga Anti-imperialista Internacional (LAI), junto a movimentos populares, estudantis e coletivos, realizou, no dia 21 de outubro, uma manifestação na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, como parte da campanha continental contra a intensificação da intervenção ianque na América Latina.
O ato começou na Praça Saens Peña, seguiu até a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e depois até a Praça Barão de Drummond, no Andaraí. Ao longo da atividade, os manifestantes realizaram intervenções políticas e distribuíram panfletos à população.
Participaram organizações como o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), a Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR), o Movimento Arapuka, a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), a Frente Internacionalista dos Sem Teto (FIST), o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), a Associação Brasileira dos Advogados do Povo – Gabriel Pimenta (Abrapo), o Flamengo Antifascista, o Bonde do Mao, a Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP), o Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate), entre outras organizações e coletivos.

Campanha continental denuncia intervenção ianque
A manifestação integrou a campanha continental impulsionada pela LAI contra a intervenção do imperialismo ianque nos países latino-americanos. Durante o ato, representantes da organização denunciaram o interesse dos Estados Unidos sobre as riquezas e recursos dos países oprimidos e alertaram para as consequências da submissão nacional aos interesses imperialistas.
“O que os Yankees desejam são nossas praias, nossas florestas e nossos alimentos. Eles desejam que daqui a dez, quinze anos, sejam os nossos filhos morrendo nos desertos do Irã e da Palestina para matar pessoas que nunca nos fizeram mal algum”, afirmou uma liderança da LAI.
Em outra intervenção, foi denunciada a exploração das riquezas dos países latino-americanos pelas potências imperialistas e a tentativa de responsabilizar os próprios povos pelas condições de atraso e pobreza impostas ao continente.
“É daqui que vem o alimento, é daqui que vem o trabalho. E se não está suprindo, não é culpa nossa que falamos português e não é culpa dos nossos irmãos que falam espanhol. É culpa das elites da Europa e dos Estados Unidos da América que vem em nossos países, levam nossos alimentos e depois falam que somos nós o problema.”
A campanha da LAI denuncia diferentes formas assumidas pela intervenção ianque no continente, desde a pressão política e eleitoral até a disputa por recursos estratégicos e a presença militar.

Farsa eleitoral não resolverá crise do País, denunciam manifestantes
A poucos dias do segundo turno da farsa eleitoral, os manifestantes também rechaçaram a ideia de que a disputa nas urnas seja capaz de alterar as estruturas de exploração e submissão do País.
Uma das intervenções destacou que o ato não estava organizado em apoio a nenhum dos partidos que disputam a velha institucionalidade e criticou tanto a extrema direita bolsonarista quanto a política de conciliação e submissão do governo de Luiz Inácio.
“Não viemos aqui hoje apoiar nenhum partido político. Seja através de Bolsonaro, que escandalosamente está junto a Trump e nos seus planos criminosos, ou através da política de atraso do atual governo Lula, que aceita que o ministro da Defesa diga que abrirá a porta do Brasil para o exército americano entrar. Isso é traição à pátria”, denunciou a liderança.
Representantes do Cebraspo também relacionaram a intervenção ianque no País aos interesses sobre recursos estratégicos e afirmaram que essas questões não serão resolvidas pelo resultado eleitoral:
“Independente do resultado das eleições, os ianques vão querer tomar as nossas terras raras, vão querer controlar o povo desse país. O que está em jogo agora não é simplesmente a eleição.”

Juventude denuncia repressão dentro e fora do País
A Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) relacionou a mobilização no Brasil às lutas protagonizadas pela juventude em outros países.
“A França está em chamas. A juventude não aguenta os cortes na educação. Diante da opressão, a resistência é justa; diante da violência, a rebelião é uma necessidade”, afirmou uma representante da entidade.
Em outra intervenção, manifestantes denunciaram que a juventude pobre, preta e moradora das favelas está entre os principais alvos da repressão do velho Estado.
“É a realidade e a necessidade do imperialismo de massacrar, de matar a juventude periférica, preta, favelada. Quando a polícia invade o Complexo da Penha e mata mais de seis jovens, é uma realidade quando na Maré a população tem que sair para trabalhar em bolsa de bala.”
Torcedores denunciam repressão e PM tenta intimidar manifestação
O coletivo Bonde do Mao levou ao ato também a denúncia da violência das forças de repressão contra torcedores e do cerceamento à organização popular nos estádios.
“A gente luta pela liberdade do torcedor, pela liberdade de se organizar. A gente sabe as famílias que saem dos estádios e tomam tiro de bala de borracha, tomam bomba de gás lacrimogêneo, só porque foi exercer o seu direito de protestar, de torcer”, denunciaram integrantes do coletivo.
Durante a segunda metade do ato, a própria manifestação foi alvo de uma tentativa de intimidação policial.
Segundo o relato do correspondente, duas viaturas da Polícia Militar, com quatro agentes, avançaram sobre a área onde estavam os manifestantes. Os policiais acionaram as sirenes e aceleraram as viaturas enquanto pressionavam o grupo para o canto da praça. Houve ainda ameaça de utilização de bombas de efeito moral.
A segurança organizada da manifestação, composta por cerca de 12 ativistas, se posicionou diante da movimentação policial. Pouco depois, as viaturas recuaram.
Os manifestantes responderam aumentando as palavras de ordem. Entre elas, foi entoada:
“Ô Bolsonaro, seu fascistinha, a juventude vai botar você na linha!”
“Nós precisamos seguir ocupando as ruas”
Na intervenção final, a LAI defendeu que a mobilização popular prossiga independentemente do resultado do segundo turno e que a luta anti-imperialista seja ampliada entre a juventude e os trabalhadores.
“A eleição de quem quer que seja não vai modificar significativamente a nossa vida. Nós precisamos seguir ocupando as ruas, mobilizando uma luta verdadeiramente anti-imperialista, com a juventude, com os trabalhadores. A única luta é a nossa”, concluiu uma liderança.
Ao longo da manifestação, foram distribuídos cerca de 2 mil panfletos. O ato terminou sob as palavras de ordem:
“Viva a resistência palestina e iraniana! Fora ianques da América Latina!”

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