
Ativistas e revolucionários organizados na Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) – Núcleo Brasília realizaram, no dia 14 de outubro, uma intervenção política na Estação Ceilândia Centro, periferia do Distrito Federal (DF) e área de largo histórico de luta na capital.
Os ativistas agitaram contra a intensificação da intervenção do país Estados Unidos (EUA) na América Latina, particularmente no Brasil. Denunciaram os vassalos da extrema direita, dispostos a entregar o País ao imperialismo para garantir seus interesses e atender aos mandos ianques, bem como o papel auxiliar da falsa esquerda, que prepara terreno para os reacionários ao manter as massas desmobilizadas e governar à direita.
A ação em Brasília atendeu ao chamado internacional da LAI para uma Campanha Continental de Luta, que conclamou os anti-imperialistas a impulsionarem ações entre os dias 12 e 27 de outubro e a desenvolverem uma campanha permanente após esse período.
Apesar da correria do fim da tarde, a recepção das massas de estudantes e trabalhadores que chegavam ao local, saindo do metrô em horário de pico, foi positiva e gerou diversas interações, inclusive com os vendedores ambulantes.
Além do Núcleo Brasília da LAI, participaram ativistas do Coletivo de Base Honestino Guimarães (CBHG), do Movimento Feminino Popular (MFP), que também assinam o chamado da LAI, e do Comitê de Apoio ao AND. Os ativistas distribuíram panfletos, realizaram uma brigada da edição impressa nº 262 de AND e montaram uma banca ao lado da estação.
A atividade dá continuidade ao trabalho desenvolvido na capital após a fundação do Núcleo Brasília da LAI, realizada em setembro durante atividade na Universidade de Brasília (UnB).

Intervenção ianque e farsa eleitoral
Os ativistas denunciaram o caráter duplamente farsesco do processo eleitoral em curso no País: primeiro, por seu caráter burguês de classe e legitimador da velha democracia de burgueses e latifundiários; segundo, pela crescente intervenção do imperialismo ianque sobre o próprio processo político brasileiro.
A intervenção apontou diferentes expressões dessa ofensiva, desde bombardeios no Caribe e o cerco militar na região até pressões políticas, econômicas e eleitorais e o apoio direto da extrema direita brasileira aos interesses de Washington.
Segundo os ativistas, a escalada do assédio ianque à América Latina não pode ser explicada simplesmente pelas decisões do canibal Donald Trump, mas integra a política do imperialismo para aquilo que considera seu “quintal”, buscando afastar seus rivais imperialistas — principalmente a China — e assegurar o monopólio da influência política, econômica, cultural e militar no chamado “Hemisfério Ocidental”.
A farsa eleitoral também esteve no centro das abordagens. Os ativistas argumentaram que quem favoreceu Flávio “Rachadinha” Bolsonaro não foi a abstenção eleitoral, mas o oportunismo da falsa esquerda, que, ao governar à direita e desmobilizar as massas, abriu terreno para que a extrema direita voltasse a se apresentar demagogicamente como oposição.
A presença de partidários da extrema direita e da falsa esquerda panfletando no local em busca de “virar votos” fez com que o tema eleitoral aparecesse em diversas abordagens.
As bandeiras e cartazes dos ativistas chegaram a ser confundidos inicialmente com material de campanha eleitoral. Ao conversarem com os ambulantes, os integrantes da atividade reafirmavam que não tinham ligação com qualquer partido eleitoreiro e defendiam o boicote eleitoral. A explicação rapidamente despertava a atenção de trabalhadores que antes observavam o grupo com desconfiança, acreditando tratar-se de mais uma campanha pedindo votos.
Lurdes, de 62 anos, afirmou que mantinha seu voto “por raiva”, pois não via mudanças reais durante o governo de Luiz Inácio (PT) e já carregava uma “raiva pessoal por esse safado”.
Apesar da escolha eleitoral por Flávio Bolsonaro como contraposição a Luiz Inácio, a aposentada afirmou:
“Nenhum presta, todos querem encher o bolso de dinheiro e ajudar os poderosos.”
O panfleto distribuído pelos ativistas, que abordava a interferência ianque nas eleições como mais uma expressão da falência da velha democracia, também gerou debates com as massas locais.
Alguns moradores apostavam em uma intensificação da chantagem e da intervenção ianque após o pleito em caso de vitória de Flávio Bolsonaro. Outros levantavam a possibilidade de uma nova ofensiva golpista caso Luiz Inácio saísse vitorioso. Apesar das diferenças, aparecia entre os trabalhadores ouvidos a percepção de que a resposta aos problemas das massas não sairia do processo eleitoral, mas da luta popular pela garantia de seus direitos.
Cláudio, morador de Ceilândia, afirmou não temer uma possível intervenção militar ianque:
“Eles já mandam em tudo, não é coisa de agora.”
Ao mesmo tempo, disse acreditar que “o galego [Trump] não sabe onde tá se metendo”. Segundo ele, diante da quantidade de crimes já praticados pelo imperialismo ao redor do mundo, “o povo tá pegando raiva deles”.
“É bem capaz de querer entrar aqui e todo mundo fazer guerra contra eles [os EUA].”
“Nova ofensiva reacionária contra os povos e nações oprimidas”
Os anti-imperialistas de Brasília já haviam manifestado sua adesão à Campanha Continental da LAI. Em vídeo publicado no dia 13 de outubro no perfil oficial da LAI – Seção Brasil, os ativistas apareceram portando uma faixa com os dizeres “Fora Ianques da América Latina!”.
Na declaração, denunciaram as “criminosas sanções, bloqueios, chantagens e bombardeio de embarcações no Caribe, além do cerco a Cuba e o sequestro de Nicolás Maduro, presidente legítimo da Venezuela, junto a sua esposa Cilia Flores” como partes de uma “nova ofensiva reacionária contra os povos e nações oprimidas”, inserida na política de segurança nacional declarada pelo governo ianque.
O representante do Núcleo Brasília afirmou que essa ofensiva assume diferentes formas. Como exemplos, citou os “tarifaços”, as sanções contra burocratas — como as aplicadas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes —, a classificação de organizações como “narcoterroristas” como pretexto para ampliar a ingerência no continente e, mais recentemente, a intervenção aberta na farsa eleitoral brasileira.
Entre os episódios citados estavam a apresentação do fascista Jair Bolsonaro como um “perseguido político” pelo governo ianque e o fechamento da Embaixada e dos consulados às vésperas da votação, apontado pelos ativistas como uma tentativa de produzir uma sensação de anormalidade e influenciar a opinião pública.
A denúncia se insere na compreensão mais ampla desenvolvida pela LAI desde seu primeiro congresso. Em sua declaração fundacional, repercutida por AND na matéria “‘Uma ferramenta para a luta dos povos’: LAI publica declaração de seu 1º Congresso e convoca unidade mundial contra o imperialismo”, a organização defende a articulação internacional entre as diferentes lutas dos povos e nações oprimidas contra o imperialismo.
Os ativistas de Brasília reafirmaram solidariedade com “nossos irmãos e irmãs do continente que igualmente têm enfrentado essas ameaças, tal como enfrentaram tantas outras ao longo da suja história que o imperialismo tem em nossa região”.
Entre os exemplos citados estiveram as classificações de organizações do povo como “narcoterroristas”, como o Exército de Libertação Nacional (ELN), na Colômbia, e o Exército do Povo Paraguaio (EPP), no Paraguai.
“Os mesmos epítetos mentirosos também têm sido utilizados contra organizações proletárias, como o Partido Comunista do Peru (PCP), que trava uma heroica Guerra Popular no país andino”, afirmou o ativista.
Solidariedade à Revolução Agrária
Em solidariedade à luta pela terra, particularmente à Revolução Agrária, classificada pelos ativistas como “parte integrante da luta anti-imperialista” no Brasil, o representante afirmou que a criminalização promovida pelos ianques vem sendo “ecoada pela boca imunda dos reacionários e vassalos de plantão”.
A denúncia destacou especialmente os ataques contra a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), que tem sido acusada de “terrorismo”, “crime organizado”, de portar fuzis e de utilizar táticas de guerrilha.
A ofensiva ganhou nova expressão durante a atual farsa eleitoral, quando Flávio Bolsonaro afirmou que a “LCP é terrorista” e ameaçou que a organização “tem dia e hora pra acabar”.

Os ativistas finalizaram a intervenção reafirmando que tomarão parte ativa nas mobilizações contra o imperialismo e “seus capachos reacionários”, bem como sua solidariedade aos lutadores do povo “não só na América Latina, mas em todo o mundo”.
Ao final, bradaram as consignas: “Viva a luta dos povos e nações oprimidas!”, “Abaixo o imperialismo e toda a reação!” e “Anti-imperialistas do mundo, uni-vos!”.

ACERCA DEL CORRESPONSAL
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