
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (19) a Operação Pacto Simulado para investigar um grupo suspeito de atuar dentro da própria corporação e fraudar documentos utilizados na regularização de estrangeiros no Brasil. Segundo a investigação, os envolvidos estariam produzindo certificações falsas, principalmente declarações de união estável, para facilitar pedidos de autorização de residência apresentados por cidadãos de Angola e da China.
A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em endereços localizados nos bairros da Tijuca, Maracanã, Laranjeiras e Ilha do Governador. As medidas foram determinadas no âmbito da investigação conduzida pela própria Polícia Federal.
De acordo com os investigadores, o esquema teria funcionado durante vários anos. Os suspeitos estariam em atividade desde 2019, utilizando setores de migração da Polícia Federal para emitir ou viabilizar documentos fraudulentos destinados a estrangeiros que buscavam regularizar sua situação no país.
O mecanismo investigado envolvia principalmente a produção de documentos capazes de comprovar uma relação de união estável. Esse tipo de declaração pode fazer parte da documentação apresentada em determinados procedimentos migratórios, o que teria permitido ao grupo explorar as exigências burocráticas para beneficiar pessoas que buscavam autorização de residência.
A investigação também procura identificar a extensão do esquema, quantos documentos foram produzidos e quais pessoas participaram diretamente das fraudes. Esses elementos deverão ser esclarecidos a partir do material recolhido durante as buscas e da análise dos documentos e equipamentos eventualmente apreendidos.
A suspeita de participação de integrantes da própria Polícia Federal acrescenta uma dimensão especialmente grave ao caso, já que os investigadores apuram justamente a utilização de estruturas e procedimentos internos do órgão para viabilizar as irregularidades.
Os estrangeiros que teriam recebido os documentos também poderão ser investigados, dependendo do que for encontrado durante a apuração e do grau de conhecimento que tinham sobre a falsificação. A existência de um documento irregular não significa, por si só, que todos os beneficiários tenham participado conscientemente do esquema, e essa distinção deverá ser feita individualmente pela investigação.
Os envolvidos poderão responder inicialmente por falsidade ideológica e associação criminosa, além de outros crimes que eventualmente sejam identificados durante o avanço da operação.
A Operação Pacto Simulado também deverá permitir que a Polícia Federal examine se houve pagamento pelos documentos falsos e como funcionava a eventual divisão de tarefas entre os integrantes do grupo. A identificação de intermediários, beneficiários e possíveis servidores envolvidos será fundamental para dimensionar a estrutura investigada.
O caso chama atenção ainda porque a fraude teria ocorrido durante um período prolongado, desde 2019. Se confirmada, a atuação por vários anos indicaria que o grupo conseguiu manter o esquema funcionando dentro de procedimentos oficiais sem ser imediatamente identificado.
A partir das apreensões realizadas nesta quarta-feira, os investigadores deverão analisar computadores, celulares, documentos e outros materiais que possam revelar contatos entre os suspeitos, registros de pagamentos e pedidos de regularização migratória.
A investigação ainda está em andamento e, até o momento, não significa que os alvos das buscas tenham sido condenados ou que todas as suspeitas estejam comprovadas judicialmente. A operação tem justamente o objetivo de reunir novas provas e esclarecer a participação de cada envolvido.
O caso também evidencia a importância dos mecanismos de controle dos procedimentos migratórios. Documentos falsos inseridos em processos oficiais podem comprometer a segurança e a confiabilidade do sistema de regularização de estrangeiros, além de permitir que pessoas obtenham benefícios administrativos mediante informações que não correspondem à realidade.
A Polícia Federal agora tenta descobrir o tamanho da rede, quem coordenava a produção dos documentos e quantas regularizações podem ter sido obtidas de forma fraudulenta. O material recolhido durante a Operação Pacto Simulado deverá ser decisivo para determinar os próximos passos da investigação e possíveis novas medidas judiciais.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileño, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur. Especializado en integración regional, geopolítica y derechos humanos, desarrolla una destacada labor en el ámbito de la comunicación internacional.
Posee un Máster en Desarrollo y Cooperación Internacional y mantiene una amplia red de relaciones profesionales, académicas y diplomáticas en América Latina y Asia.
Entre sus reconocimientos destacan el Micrófono de Oro de la Asociación Nacional de Locutores de México (2021), el Doctorado Honoris Causa de la Universidad Internacional México Blanco (2020) y el título de Amigo de la Niñez y la Adolescencia.
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