O documentário “Miss Universe Brasil — Por Trás das Câmeras”, lançado pelo RecordPlus, revela pela primeira vez em uma produção dedicada aos bastidores como foi construída a edição de 2026 do concurso que escolheu a representante brasileira para o Miss Universo. Dividido em dois episódios, o projeto acompanha as candidatas desde os meses de preparação até a noite da coroação, mostrando treinamentos, avaliações, ensaios, produção do espetáculo e a rotina de confinamento que antecedeu a grande final. A edição deste ano reuniu 31 candidatas e marcou uma transformação importante no formato da competição, com a inclusão inédita de representantes de rotas turísticas brasileiras, além do fim do limite de idade e da participação de mães. A grande vencedora foi Marcella Kozinski, representante da Ilha do Mel, no Paraná, que agora se prepara para representar o Brasil no Miss Universe 2026, marcado para 24 de novembro, em Porto Rico.
O lançamento do documentário acontece poucos dias depois de uma edição que representou uma mudança significativa na trajetória recente do concurso. Depois de sete anos fora da televisão aberta, o Miss Universe Brasil voltou à programação da RECORD, com transmissão simultânea pelas plataformas digitais RecordPlus e R7. A decisão ampliou novamente a exposição nacional do evento e transformou a competição em uma produção televisiva de grande porte, com palco, equipes técnicas, transmissão ao vivo e conteúdo complementar produzido especialmente para o streaming.
O documentário parte justamente desse contraste entre aquilo que o público vê durante algumas horas na televisão e o trabalho que existe por trás de uma noite de gala. A produção acompanhou a preparação das candidatas durante meses e registrou também a complexidade da montagem do espetáculo, permitindo observar uma competição que, para o público, termina com a entrega da coroa, mas que para as participantes envolve uma longa sequência de treinamentos e avaliações.
Uma competição que mudou de perfil
A edição de 2026 foi marcada por alterações importantes nas regras. O concurso deixou de trabalhar com um limite máximo de idade, ampliou a possibilidade de participação de mulheres que são mães e passou a incorporar representantes de destinos turísticos brasileiros.
Essa mudança produziu uma competição diferente daquela tradicionalmente associada aos concursos de beleza. Entre as participantes estavam mulheres com experiências profissionais e trajetórias pessoais bastante diversas, enquanto algumas candidatas representavam não apenas estados, mas também destinos como Ilha do Mel, Cataratas do Iguaçu, Chapada Diamantina, Vale dos Vinhedos, Litoral Paulista, Triângulo Mineiro e Berço da República.
A presença das rotas turísticas criou uma dimensão adicional para o concurso. A candidata passou a carregar não apenas a responsabilidade de representar uma unidade geográfica, mas também a possibilidade de promover internacionalmente um destino brasileiro.
Essa estratégia acabou tendo um resultado simbólico particularmente forte: Marcella Kozinski, representante da Ilha do Mel, foi justamente a primeira vencedora desse novo modelo de representação.
Antes das câmeras, meses de preparação
Muito antes de subir ao palco, as candidatas passaram por um processo estruturado de preparação.
Uma das principais bases dessa preparação foi o Morro dos Anjos Resort, em Bandeirantes, no Norte Pioneiro do Paraná. O local recebeu as participantes para atividades que combinaram treinamento técnico, desenvolvimento pessoal, comunicação, saúde mental, passarela, idiomas, oratória e projetos de impacto social.
A proposta aproximou o modelo brasileiro de uma tendência observada em grandes concursos internacionais: concentrar as candidatas em um mesmo espaço durante um período prolongado, permitindo que a organização acompanhe não apenas o desempenho delas no palco, mas também seu comportamento, capacidade de comunicação e adaptação às diferentes atividades.
O confinamento também criou uma situação que dificilmente poderia ser percebida pelo telespectador durante a final. As candidatas precisaram conviver durante vários dias, administrar a pressão da competição e, simultaneamente, preparar-se para entrevistas, apresentações, ensaios e avaliações.
Em outras palavras, a coroa começou a ser disputada muito antes da primeira entrada no palco.
O concurso deixou de ser apenas uma avaliação estética
Uma das principais transformações destacadas pela organização foi a ampliação dos critérios de avaliação.
Além da aparência, os jurados observaram postura, personalidade, comunicação, oratória, elegância na passarela, autenticidade e envolvimento em projetos sociais. Parte dessas avaliações ocorreu de forma contínua durante o período de preparação e confinamento, e não somente durante a transmissão final.
Essa mudança acompanha uma transformação mais ampla dos concursos internacionais de beleza, que passaram a enfatizar cada vez mais a capacidade das participantes de representar causas, comunicar ideias e atuar como figuras públicas.
No caso brasileiro, a organização procurou apresentar a vencedora não apenas como uma modelo que recebe uma faixa e uma coroa, mas como uma representante nacional que deverá assumir compromissos públicos, participar de eventos, trabalhar sua comunicação e representar o país diante de uma audiência internacional.
A pressão de uma final televisionada
O documentário também ganha importância porque permite compreender a diferença entre participar de um concurso e participar de um concurso transformado em grande evento televisivo.
A final aconteceu no Komplexo Tempo, em São Paulo, com apresentação de Michelle Barros e Natália Guimarães. A transmissão pela RECORD exigiu uma estrutura de televisão profissional, enquanto o RecordPlus produziu conteúdo complementar para os espectadores interessados nos bastidores.
O júri reuniu nomes de diferentes áreas, entre eles Adriane Galisteu, Giba, Vera Viel, Isabella Menin, Jakelyne Oliveira, Leo Reis e Felipe Borges. A composição do grupo reforçou a intenção de avaliar as candidatas sob diferentes perspectivas, envolvendo comunicação, entretenimento, esporte, moda, beleza e outras áreas.
A competição também foi estruturada em etapas eliminatórias. Das 31 candidatas, inicialmente foram selecionadas 20, depois 12, seis e finalmente três, que disputaram a fase decisiva.
Esse sistema significa que cada candidata precisava apresentar consistência ao longo de várias etapas. Um bom desempenho em apenas um desfile não era suficiente para garantir a permanência na disputa.
Marcella Kozinski e uma vitória com significado
No final da noite, a coroa ficou com Marcella Kozinski, representante da Ilha do Mel.
A paranaense tem 26 anos, nasceu em Curitiba e já possuía experiência anterior em concursos de beleza. Ela foi Miss Paraná em 2021 e trabalha como modelo desde 2019, tendo participado anteriormente de uma competição internacional na China.
Sua vitória também trouxe um elemento inédito para a história da competição: ela tornou-se a primeira campeã escolhida dentro da nova categoria de rotas turísticas.
A Ilha do Mel, localizada no litoral do Paraná, é conhecida por suas praias, trilhas, patrimônio histórico e áreas de preservação. Aproximadamente 93% do território da ilha está inserido em unidades de conservação, o que transforma a representação de Marcella também em uma oportunidade de divulgação internacional do destino paranaense.
A modelo derrotou na etapa final Flávia Klemz, representante do Espírito Santo, que ficou em segundo lugar, e Jaque Ciocci, da Chapada Diamantina, que terminou em terceiro.
A frase que marcou a vitória
Durante a competição, Marcella também chamou atenção pela maneira como respondeu às perguntas dos jurados.
Ao falar sobre autenticidade, defendeu a importância de cada pessoa assumir sua própria identidade e afirmou que ser autêntica é o melhor caminho para inspirar outras pessoas.
Depois da vitória, ela resumiu sua visão sobre o título ao defender a ideia de que “beleza sem propósito é apenas aparência”, uma frase que sintetiza a mudança de discurso que a organização tenta incorporar à competição.
Essa dimensão pode se tornar particularmente importante durante sua preparação para o concurso internacional. No Miss Universe, a representante brasileira não estará apenas diante de jurados avaliando aparência e passarela, mas diante de uma audiência internacional interessada também em personalidade, comunicação, cultura e posicionamento.
Da coroa brasileira para o palco internacional
A etapa brasileira terminou, mas para Marcella a competição está apenas começando.
Ela terá agora uma agenda de treinamentos, compromissos públicos, preparação de passarela, comunicação, entrevistas e desenvolvimento de projetos antes de viajar para Porto Rico.
O Miss Universe 2026 está programado para 24 de novembro, e Marcella terá a missão de tentar conquistar para o Brasil uma terceira coroa internacional. Até hoje, o país teve duas vencedoras do Miss Universo: Iêda Maria Vargas, em 1963, e Martha Vasconcellos, em 1968.
A distância entre os dois títulos ajuda a dimensionar o tamanho do desafio. Uma vitória brasileira novamente no cenário internacional representaria não apenas o sucesso individual de Marcella, mas também um acontecimento importante para a história dos concursos de beleza no país.
O documentário mostra o que a televisão não conseguiu mostrar
É justamente nesse ponto que “Miss Universe Brasil — Por Trás das Câmeras” ganha relevância.
A transmissão ao vivo mostrou o resultado final: vestidos, passarela, entrevistas, jurados, emoção e a coroação. O documentário procura mostrar o caminho percorrido até aquele momento.
A produção revela meses de preparação, seis dias de imersão final, treinamentos técnicos e mentais, atividades de oratória, projetos sociais, ensaios e a montagem da estrutura que recebeu a grande final.
Para quem acompanha concursos de beleza, isso muda a perspectiva sobre a competição. A coroa deixa de parecer o resultado de uma única noite e passa a ser compreendida como o ponto final de um processo muito mais longo.
O antes, o agora e o depois do Miss Universe Brasil
Antes de 2026, o concurso atravessava uma fase de menor exposição na televisão aberta. O retorno à RECORD depois de sete anos alterou novamente sua presença no mercado audiovisual brasileiro e ampliou a possibilidade de alcançar públicos que não acompanhavam regularmente o concurso pelas plataformas digitais.
Agora, o Miss Universe Brasil passa por uma fase de reformulação de identidade. A inclusão de rotas turísticas, a ampliação das regras de participação, a valorização da comunicação e a presença de conteúdo exclusivo no streaming indicam uma tentativa de aproximar o concurso das transformações sociais e da lógica contemporânea do entretenimento.
Depois, o verdadeiro teste será medir se essas mudanças conseguirão consolidar uma nova geração de público e transformar o concurso em uma plataforma permanente de cultura, turismo, moda, comunicação e representação feminina.
Para Marcella Kozinski, entretanto, o próximo capítulo já está definido: ela deixará de representar apenas a Ilha do Mel e passará a representar o Brasil inteiro.
E o documentário lançado pelo RecordPlus funciona justamente como registro desse momento de transição: a história de uma competição que voltou à televisão, mudou suas regras, incorporou novos territórios à disputa e encontrou sua vencedora em uma representante de um destino turístico que, pela primeira vez, colocou a Ilha do Mel no centro do principal concurso nacional de beleza.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileño, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur. Especializado en integración regional, geopolítica y derechos humanos, desarrolla una destacada labor en el ámbito de la comunicación internacional.
Posee un Máster en Desarrollo y Cooperación Internacional y mantiene una amplia red de relaciones profesionales, académicas y diplomáticas en América Latina y Asia.
Entre sus reconocimientos destacan el Micrófono de Oro de la Asociación Nacional de Locutores de México (2021), el Doctorado Honoris Causa de la Universidad Internacional México Blanco (2020) y el título de Amigo de la Niñez y la Adolescencia.
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