Entre os dias 6 e 8 de maio, dez membros do Parlamento Europeu chegam a Brasília e ao Rio de Janeiro para reuniões com o governo Lula, empresários e parlamentares. A visita ocorre exatamente uma semana após a entrada em vigor do maior acordo de livre comércio da história. O que está em pauta vai muito além do protocolo.
O mundo do comércio internacional ainda assimilava o impacto da entrada em vigor do Acordo Mercosul-UE, ocorrida em 1º de maio de 2026, quando uma nova movimentação diplomática de alto nível tornou-se pública: uma delegação de dez eurodeputados da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com o Brasil partiu para Brasília e o Rio de Janeiro, com agenda densa entre os dias 6 e 8 de maio. A informação foi confirmada pelo próprio Serviço Europeu para a Ação Externa (EEAS), que publicou nota oficial detalhando os objetivos da missão. O grupo será recebido pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e participará da 5ª Reunião Interparlamentar UE-Brasil, além de encontros com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e com lideranças do Senado Federal. A chegada da comitiva europeia sete dias depois do início da aplicação provisória do acordo não é mera coincidência: é a materialização da nova diplomacia comercial bilateral, que precisa converter 25 anos de negociações em resultados verificáveis no menor prazo possível.
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A composição da delegação reflete a diversidade política do Parlamento Europeu e, ao mesmo tempo, o peso estratégico que o acordo tem para diferentes grupos. O grupo é liderado por Hélder Sousa Silva, eurodeputado do Partido Popular Europeu de Portugal, presidente da Delegação para as Relações com o Brasil e chefe da missão. O português foi preciso na declaração que fez antes de embarcar: «Estamos diante de uma oportunidade única para fortalecer os laços políticos, econômicos e culturais entre a UE e os países do Mercosul. Após 25 anos de negociações, o tempo das promessas acabou; agora é hora de transformar palavras em ações.» Além de Sousa Silva, integram a missão representantes da Áustria, Polônia, Espanha, Bélgica, França e Itália — um espelho do continente europeu em sua pluralidade ideológica. A presença de um eurodeputado polonês e de uma francesa na comitiva é particularmente simbólica: França e Polônia são os países que mais resistiram ao acordo dentro da UE e que, mesmo assim, estão representados na delegação que chega ao Brasil para discutir sua implementação.
Além da agenda comercial, a delegação do Parlamento Europeu colocará na mesa outros temas de peso geopolítico e ambiental. Os avanços globais na luta contra as mudanças climáticas — especialmente à luz dos resultados da COP30, que aconteceu em Belém em 2025 — estarão na pauta, assim como o papel do Brasil em fóruns multilaterais como o G20 e o grupo dos BRICS. O multilateralismo é, de fato, o fio que conecta todas as conversas previstas nesta semana: em um momento em que os Estados Unidos adotam uma política comercial protecionista e a China expande sua influência econômica global, a aproximação entre a União Europeia e o Mercosul adquire um significado que vai muito além de tarifas e cotas. É a construção de uma aliança estratégica entre democracias que compartilham valores e precisam de parceiros confiáveis em um mundo cada vez mais fragmentado. Segundo o portal Tempo.pt, que reproduziu a nota oficial do EEAS, o acordo comercial elimina ou reduz drasticamente os direitos aduaneiros sobre os principais produtos de exportação europeia, como automóveis, medicamentos, azeite, bebidas espirituosas e vinho, com previsão de aumento de 50% das exportações agroalimentares da UE para a região do Mercosul.
«Após 25 anos de negociações, o tempo das promessas acabou; agora é hora de transformar palavras em ações. Do ponto de vista geopolítico, geoestratégico e geoeconômico, é imperativo encerrar este capítulo e avançar para sua implementação.»
— Hélder Sousa Silva, presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com o Brasil, EEAS, 3 de maio de 2026
A visita dos eurodeputados coloca em evidência um aspecto muitas vezes negligenciado do processo de implementação de acordos comerciais de grande escala: a necessidade de um trabalho político contínuo e de proximidade para garantir que os compromissos formais se transformem em fluxos reais de comércio e investimento. O texto do acordo prevê a eliminação gradual de direitos de importação sobre mais de 91% das mercadorias que a UE exporta para o Mercosul — um mercado de mais de 700 milhões de pessoas — mas a velocidade e a qualidade dessa implementação dependem de como os parlamentos, governos e setores empresariais de ambos os blocos se organizarem. A missão desta semana é, portanto, muito mais do que uma visita protocolar: é a primeira vez que o Parlamento Europeu, como instituição, envia uma delegação formal ao Brasil especificamente para monitorar o início da implementação do acordo mais ambicioso da história da integração birregional.
A escolha do Rio de Janeiro como segunda parada — além de Brasília — também não é aleatória. A cidade representa o polo cultural e econômico que mais facilmente traduz o potencial brasileiro para um público europeu. As reuniões com empresários previstas na agenda têm como objetivo criar pontes diretas entre o setor produtivo brasileiro e os mercados europeus, identificando setores de oportunidade imediata e barreiras não tarifárias que ainda precisam ser removidas. O Brasil responde por cerca de 70% do PIB do Mercosul e por aproximadamente 89% das exportações do bloco para a União Europeia, o que explica por que São Paulo e Brasília concentram a maior parte da atenção europeia. No entanto, a delegação sinaliza com a inclusão do Rio que o interesse europeu vai além da capital política e do polo industrial: trata-se de uma relação que precisa ser construída também com a sociedade civil, com universidades e com os centros de inovação e cultura que moldam a imagem do Brasil no exterior.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileño, originario de Goiás, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur y Director General de Radio Mercosur. Su trayectoria está vinculada al periodismo internacional, la integración regional, la geopolítica y los derechos humanos.
Cuenta con un Máster en Desarrollo y Cooperación Internacional y un Doctorado Honoris Causa por la Universidad Internacional México Blanco. También se desempeñó como Director General del Comité Paraguay de la Cámara de Industria y Comercio del Mercosur y las Américas.
En 2016 fue repatriado desde Ecuador a Brasil junto con su familia, en una misión de la Fuerza Aérea Brasileña, tras el terremoto ocurrido en ese país.
Entre sus reconocimientos se encuentran el Micrófono de Oro de la Asociación Nacional de Locutores de México, recibido en 2021, el Doctorado Honoris Causa y el reconocimiento como Amigo de la Niñez y la Adolescencia por Plan Internacional Paraguay. Su labor mantiene especial atención en el Mercosur, las relaciones internacionales y la cooperación regional.
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