
247 – A Polícia Civil prendeu neste sábado (7) o empresário Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara, conhecido popularmente como Rei da Sucata, durante uma diligência realizada em uma joalheria de luxo situada em um centro de compras de alto padrão na capital paulista. Apontado pelos investigadores como um dos principais operadores de uma estrutura financeira voltada para a lavagem de capitais do Comando Vermelho, o empresário encontrava-se foragido desde o final de maio de 2026, quando deflagrou-se uma fase ostensiva da Operação Contenção. O mandado de prisão foi cumprido de forma conjunta por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), pelo Grupo de Segurança Institucional do Ministério Público de Minas Gerais (GSI/MPMG) e pelo Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Após a captura no estabelecimento comercial, o investigado foi conduzido às dependências do Palácio da Polícia de São Paulo, na região central da cidade, para os devidos procedimentos legais decorrentes de uma apuração que ainda está sob investigação e não representa condenação definitiva.
Operação Contenção mapeia movimentação milionária ligada ao tráfico
A captura do empresário decorre dos desdobramentos da Operação Contenção, iniciada em 29 de maio de 2026, cujo foco principal consistiu em desarticular o braço financeiro e a rede de ocultação de bens da facção criminosa baseada no Rio de Janeiro. De acordo com os relatórios produzidos pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes, as investigações identificaram uma complexa estrutura interestadual de lavagem de dinheiro que teria movimentado montantes superiores a R$ 453 milhões por meio de diferentes mecanismos corporativos e bancários. Entre as estratégias utilizadas pelo grupo criminoso, os investigadores apontaram a utilização de empresas de reciclagem, o comércio de sucatas e metais, a realização de depósitos fracionados em espécie, além do uso de contas de passagem e transferências cruzadas entre pessoas jurídicas e físicas sem aparente compatibilidade econômica ou vínculo comercial legítimo.
As autoridades policiais constataram que Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara permaneceu fora do país durante parte do período em que era considerado foragido, tendo buscado refúgio nos Estados Unidos. Monitoramentos realizados pelas equipes de inteligência apontaram que ele havia retornado ao território brasileiro no início de outubro, o que permitiu o rastreamento de seus passos até a sua localização na joalheria paulista. Constava ainda contra ele um mandado de difusão internacional, integrando formalmente os registros de procurados da Interpol devido à gravidade das acusações e à magnitude dos valores movimentados pelo esquema ilícito que operava no setor de fundição e comércio de metais não ferrosos.
Empresa de metais repassou milhões a operador financeiro de Rabicó
O eixo central da investigação financeira recai sobre a atuação da Indústria e Comércio de Metais Pequi Ltda., uma empresa especializada na fundição de metais não ferrosos e suas ligas. Embora estivesse formalmente registrada em nome de seu pai, Carlos Roberto de Alcântara, preso durante a primeira fase da operação em maio, a gestão efetiva do negócio era exercida por Rodrigo, apontado pelas autoridades como o administrador de fato da companhia. A estratégia de ocultação patrimonial e societária servia para blindar o verdadeiro controlador das transações financeiras ilícitas direcionadas ao núcleo de liderança do tráfico de drogas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Relatórios de inteligência financeira elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram que a Metais Pequi efetuou dezenas de transferências bancárias para Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como Tek e apontado pelos investigadores como o principal operador financeiro e testa de ferro de Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, identificado como chefe do tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, localizado em São Gonçalo. Em um primeiro intervalo compreendido entre abril de 2023 e maio de 2024, foram contabilizadas 27 transações que totalizaram R$ 3,7 milhões. Posteriormente, entre maio e setembro de 2024, novos repasses somaram R$ 898,8 mil, totalizando aproximadamente R$ 4,6 milhões em transferências direcionadas ao operador de Rabicó.
Circuito empresarial e conexões com outras companhias suspeitas
Além das transferências destinadas diretamente ao operador financeiro da facção carioca, as apurações conduzidas pela polícia demonstraram que a Metais Pequi mantinha um fluxo constante de recursos com outras empresas integrantes do mesmo circuito corporativo investigado. Entre os negócios identificados nos relatórios financeiros constam empresas como Ebrafios, Jornal Corporativo e L E Reciclagem. Os repasses efetuados pela companhia de Rodrigo para contas vinculadas a duas dessas entidades alcançaram a marca de aproximadamente R$ 1,6 milhão, evidenciando o uso sistemático de uma rede de empresas do setor de reciclagem e comércio de sucatas para dar aparência de legalidade à circulação de capitais ilícitos provenientes do narcotráfico.
O setor de sucatas e reciclagem de metais, em especial o comércio de cobre, já havia despertado a atenção de órgãos de fiscalização e segurança pública em períodos anteriores devido a vulnerabilidades exploradas por redes criminosas. Documentos anexados aos autos da investigação apontam que o próprio Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara já havia sido alvo de apurações em Minas Gerais e no Distrito Federal, onde esquemas semelhantes envolveram a emissão de notas fiscais fraudulentas, a constituição de empresas de fachada em nome de pessoas sem capacidade econômica — incluindo beneficiários de programas sociais — e a utilização de instrumentos financeiros complexos para simular transações comerciais bilionárias e gerar créditos tributários fictícios.
A prisão do empresário em São Paulo representa um marco significativo para os investigadores que buscam desmantelar a infraestrutura econômica do Comando Vermelho fora do estado do Rio de Janeiro. A articulação entre diferentes forças de segurança e órgãos de controle fiscal permitiu mapear os desdobramentos de um império construído sob a fachada do comércio de metais, cujas ramificações atingiram centenas de milhões de reais em movimentações financeiras atípicas. O caso permanece sob escrutínio das autoridades competentes, enquanto a defesa do empresário e dos demais investigados terá a oportunidade de apresentar manifestações nos autos do processo judicial em curso, respeitando-se o devido processo legal até a conclusão das instâncias judiciais.
https://www.brasil247.com/brasil/empresario-conhecido-como-rei-da-sucata-e-preso-em-joalheria-de-luxo-em-sao-paulo/
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