
Desde 2018, quando Jair Bolsonaro chegou à Presidência da República, com a inegável contribuição do episódio da facada, o Brasil passou a viver um dos períodos mais tóxicos de sua história política recente. A intolerância se espalhou, amizades foram destruídas, famílias se dividiram e o ódio político contaminou até as relações mais pessoais. O país foi transformado em território de permanente confronto.
Em 2026, Flávio Bolsonaro perdeu a eleição para Lula, livrando o Brasil da perspectiva de mais um capítulo dessa perigosa aventura política. Mas o que veio depois de sua derrota foi ainda mais assustador. Na primeira versão de uma carta escrita nos Estados Unidos, para onde fugiu, numa operação cinematográfica, Flávio teve a ousadia de se autoproclamar “presidente eleito do Brasil”.
Confesso: entrei em pânico. Que pretensão era aquela? Estaria o ainda senador ensaiando uma nova aventura golpista? A declaração não me pareceu um simples deslize, mas um sinal alarmante de desprezo pela democracia e pela vontade soberana dos eleitores. Naquele instante, passei a enxergá-lo como alguém que não hesitaria em flertar com o golpismo para alimentar suas ambições políticas. Afinal, o exemplo paterno estava ali, com seu lamentável histórico de ataques às instituições e de contestação das regras democráticas.
Foi necessária, segundo as informações divulgadas, uma intervenção do governo americano para que a expressão fosse retirada. Nem mesmo nos Estados Unidos pareceu conveniente dar abrigo a uma declaração de tamanha irresponsabilidade política.
Com esse episódio, Flávio Bolsonaro ultrapassou um limite: não se trata apenas de uma frase infeliz ou de uma manifestação de arrogância. Trata-se de uma atitude que revela uma preocupante dificuldade de aceitar a realidade democrática quando ela contraria seus interesses. Ele conseguiu comprometer ainda mais uma biografia politicamente frágil e destruir a credibilidade que porventura ainda lhe restava.
Meu respeito por Flávio Bolsonaro não foi apenas abalado. Foi definitivamente perdido. E não vejo razão alguma para recuperá-lo.
https://www.polemicaparaiba.com.br/opiniao/pra-tudo-ha-um-limite-quem-fuga-perder-o-respeito-por-ronaldo-cunha-lima-filho/
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
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