
Santiago Peña, que apresentou sua renúncia à Presidência do Paraguai nesta quinta-feira (5), é um político de direita. Filiado ao conservador Partido Colorado, o economista deixa o poder em meio a uma grave crise política provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição financeira que deixou milhões de clientes temporariamente sem acesso às próprias contas.
Peña chegou à Presidência em 2023 com o apoio de Horacio Cartes, ex-presidente e uma das figuras mais poderosas da direita paraguaia. Economista, ele também trabalhou no Fundo Monetário Internacional (FMI) antes de construir sua trajetória política.
O Partido Colorado, ao qual pertence, é uma das principais forças conservadoras da América Latina. A legenda sustentou a ditadura de Alfredo Stroessner, que governou o Paraguai entre 1954 e 1989, e domina a política do país há décadas.
Na economia, Peña defende políticas favoráveis ao mercado, investimentos privados e abertura a capitais estrangeiros. Nos costumes, também se posicionou de maneira conservadora durante sua trajetória política, especialmente em temas como aborto e direitos LGBTQIA+.
A resposta, portanto, é direta: Santiago Peña pertence à direita paraguaia. Politicamente, sua ascensão esteve ligada principalmente ao grupo comandado por Cartes dentro do Partido Colorado.
Durante o governo, Peña também manteve relações próximas com governos e lideranças conservadoras de outros países.
Sua queda, no entanto, ocorreu em meio a uma crise que colocou sob os holofotes justamente as relações entre poder político, sistema financeiro e grandes grupos empresariais no Paraguai.
Santiago Peña também recebeu elogios públicos de integrantes da família Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro exaltou a gestão do paraguaio ao afirmar que ele estava “nadando de braçada na América do Sul”, em uma crítica ao governo Lula. Já Flávio Bolsonaro chamou Peña de “presidente e amigo” em uma publicação nas redes sociais.
As manifestações mostram a proximidade política dos filhos de Jair Bolsonaro com o dirigente conservador, integrante do Partido Colorado, legenda que sustentou a ditadura de Alfredo Stroessner, que comandou o Paraguai entre 1954 e 1989.
Crise do Ueno derruba presidente
O epicentro da crise é o Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais paraguaios, com cerca de 3 milhões de clientes em um país de pouco mais de 6 milhões de habitantes.
O Banco Central do Paraguai interveio na instituição depois de identificar problemas graves nos índices de solvência. Com o fechamento das operações, milhões de clientes ficaram sem acesso às contas, provocando protestos e aumentando a pressão sobre o governo.
O caso atingiu Peña diretamente porque o presidente foi acionista da Ueno Holding até 2025, antes de vender sua participação. O mandatário negou ter cometido irregularidades.
Segundo informações divulgadas durante a crise, a instituição concentrava centenas de milhões de dólares em depósitos de órgãos públicos, incluindo recursos ligados à Previdência e à saúde.
A crise levou ainda à prisão de executivos ligados ao banco e ampliou as investigações sobre a administração da instituição.
Renúncia e impeachment
Pressionado pela oposição, pelas manifestações nas ruas e pela perda de sustentação dentro do próprio Partido Colorado, Peña anunciou nesta quinta-feira sua renúncia.
“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade de nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, afirmou.
A saída, entretanto, não interrompeu imediatamente a ofensiva no Congresso. Pouco depois do anúncio, a Câmara dos Deputados aprovou por 78 votos a zero a acusação para o julgamento político de Peña.
O processo ainda dependia do Senado, enquanto a renúncia precisava ser aceita institucionalmente. O vice-presidente Pedro Alliana é o nome previsto para assumir a Presidência e completar o mandato, que vai até 2028.
A queda de Peña transforma a crise do Ueno Bank em um dos maiores terremotos políticos recentes do Paraguai e coloca sob escrutínio a relação entre o governo, o sistema financeiro e os grupos empresariais que ganharam espaço durante sua administração.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
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