
O cataclismo político que atingiu o Executivo paraguaio, consolidado com a recente renúncia do presidente Santiago Peña diante do colapso do Ueno Bank, ganhou novos contornos de indignação nos corredores do Congresso Nacional da nação vizinha. No ápice da turbulência institucional que paralisou a economia do país e deixou milhares de correntistas sem acesso às suas economias, parlamentares resgataram episódios do passado recente para ilustrar o padrão de conduta da gestão que acaba de ruir.
O deputado Pastor Alberto Vera Bejarano, representante do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), proferiu duras críticas ao ex-mandatário que deixou o cargo. Na avaliação do legislador liberal, a atual catástrofe financeira vivenciada pela população não é um fato isolado, mas sim o resultado direto da conduta desmedida de Peña ao longo de seu mandato. Bejarano conectou as perdas sofridas hoje pelos trabalhadores com controvérsias pregressas do antigo governante, destacando o emblemático e nebuloso “escândalo dos envelopes do poder”. A informação foi reportada pelo jornal paraguaio ABC Color.
O caso mencionado pelo parlamentar remonta a setembro de 2025. Na ocasião, a ex-funcionária da residência oficial da Presidência Luz Candado revelou a rotina atípica no Palácio Mburuvicha Róga, marcada pela circulação sistemática de quantias volumosas em dólar alocadas em pacotes de papel.
Segundo os relatos apresentados à época, o desaparecimento de uma dessas somas em espécie deflagrou uma reação severa por parte do ex-chefe de Estado. Luz Candado e seus familiares foram sumariamente responsabilizados pelo suposto furto, mesmo sem a apresentação de evidências materiais ou autorização judicial para investigação formal. A denúncia da ex-empregada apontou ainda que os acusados teriam sido submetidos a métodos arbitrários de coerção, incluindo interrogatórios à margem da lei e a aplicação coercitiva de exames poligráficos, popularmente conhecidos como detectores de mentiras.
Na visão de setores oposicionistas e de analistas políticos, a presença recorrente de montantes elevados em espécie na sede governamental levantou fortes suspeitas sobre a origem dos valores, fomentando hipóteses de recebimento de vantagens indevidas e acertos ilícitos no alto escalão. Para Bejarano, a postura adotada por Peña no episódio dos envelopes expôs uma conduta de ambição que se contrapõe à ética exigida para o exercício do cargo executivo máximo.
Ao contextualizar aquele escândalo com o cenário presente do Ueno Bank, o deputado enfatizou que a simples saída de Santiago Peña da presidência, ocorrida poucas horas após o início das deliberações sobre o processo de impeachment, não encerra a responsabilidade do Estado perante a sociedade. O parlamentar ressaltou a urgência de uma devassa fiscal e patrimonial ampla para rastrear os recursos dissipados na crise bancária e restabelecer a integridade das instituições públicas.
O resgate desses episódios amplia a pressão sobre o Ministério Público e o Judiciário paraguaios. Além do trâmite de transição constitucional no Congresso, ganha força a exigência por investigações aprofundadas que contemplem tanto a liquidação da instituição financeira quanto os potenciais desvios de conduta acumulados no palácio presidencial nos últimos anos.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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