
247 – Apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a utilizar as redes sociais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pedir interferência estadunidense no Brasil após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mobilização, segundo a revista Veja, inclui apelos por ajuda, acusações de fraude eleitoral e tentativas de ampliar a repercussão internacional da derrota do candidato bolsonarista.
Levantamento da Ativaweb DataLab, organização especializada em inteligência digital e análise estratégica, aponta que a reação dos bolsonaristas apresenta uma mudança significativa em relação às manifestações que se seguiram à derrota de Jair Bolsonaro em 2022. Em vez de concentrar protestos diante de quartéis militares, parte da militância passou a direcionar sua mobilização aos perfis de Trump no Instagram e no Facebook.
O estudo examinou 1.234.989 interações, entre comentários e curtidas, além de uma análise qualitativa de sete publicações do presidente estadunidense registradas em 29 de outubro. Os resultados mostram a predominância de mensagens que solicitam ajuda externa e procuram colocar em dúvida a legitimidade da vitória de Lula.
De acordo com os pesquisadores, 34,1% das interações analisadas foram classificadas como pedidos de socorro, categoria que concentrou 33,4% das curtidas. Mensagens associadas a acusações de fraude eleitoral e à narrativa de que o Brasil viveria sob uma ditadura representaram quase 8% dos comentários e 9,2% das curtidas.
Outra modalidade identificada foi o uso de mecanismos para estimular a participação dos usuários, como enquetes informais e convocações para clicar ou reagir às publicações. Essas mensagens corresponderam a 7,4% dos comentários, mas concentraram 40% das curtidas, indicando sua capacidade de mobilizar engajamento.
Curtidas funcionam como demonstração de força política
Para o cientista de dados Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab, a mobilização não representa propriamente uma tentativa de estabelecer diálogo com o presidente norte-americano. O objetivo seria produzir uma demonstração pública de apoio político e contestação ao resultado eleitoral brasileiro.
“Ninguém ali está conversando com Trump. Estão fazendo uma contagem pública de cabeças, e a curtida é o voto que eles sentem que perderam na urna”, afirma Maracajá.
Na avaliação do especialista, a dinâmica transforma os espaços de comentários em instrumentos de mobilização política, nos quais o número de interações passa a ser utilizado como demonstração simbólica de força.
O levantamento também identificou indícios de comportamento digital inautêntico, incluindo contas rotuladas como vinculadas à inteligência artificial e oscilações abruptas no volume de curtidas. Segundo a análise, esses elementos aparecem em meio à mobilização para questionar a vitória petista e pressionar por uma reação internacional.
“Quando as palavras mais usadas são SOS e Help, não há debate. Há um pedido de resgate a quem não tem jurisdição sobre a urna brasileira”, acrescenta Maracajá, em referência às expressões utilizadas pelos apoiadores de Flávio Bolsonaro.
https://www.brasil247.com/brasil/bolsonaristas-recorrem-as-redes-sociais-de-trump-para-tentar-contestar-vitoria-de-lula-nas-urnas/
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