
Na última sexta-feira, o presidente da Argentina, Javier Milei, atraiu a atenção não apenas pela sua presença política, mas também pelo inusitado uso da mitologia grega em sua palestra na Universidade Torcuato Di Tella. Durante o evento, intitulado “A moral como política de Estado”, o líder argentino passou cerca de quinze minutos mencionando Odisseu, o célebre herói da “Odisseia” de Homero, e o confundindo com Eliseo, o personagem principal da série “Meu querido zelador”, da Disney+, que é interpretado pelo ator Guillermo Francella. Essa incorreção não passou despercebida e deixou muitos dos presentes surpresos, já que ninguém se atreveu a corrigi-lo.
O discurso de Milei parecia buscar analogias entre a narrativa clássica e a realidade política contemporânea da Argentina, utilizando a figura de Odisseu para elucidar suas opiniões sobre a moralidade e decisões de seus oponentes políticos. Ele mencionou especificamente a tragédia “Filoctetes”, de Sófocles, para ilustrar comportamentos que considerou característicos de seus adversários, especialmente durante o governo kirchnerista. Milei argumentou que, assim como Odisseu, que se recusa a reconhecer seus erros e pedir perdão a Filoctetes, seus opositores também evitam confrontar seus próprios deslizes, tentando, em vez disso, corrigir um erro com outro.
A confusão com os nomes continuou quando Milei se referiu ao personagem Neoptólemo, filho de Aquiles, durante sua explicação sobre as estratégias de persuasão em relação a Filoctetes. Ele acabou misturando os personagens ao afirmar que Neoptólemo havia enviado Pátroclo, sobrinho de Aquiles, o que demonstrou uma clara dificuldade em articular as relações das figuras mitológicas que estava citando.
Apesar dos tropeços, a palestra de Milei revela uma tentativa de vincular a cultura clássica à política, o que pode ser visto como uma estratégia para engajar um público mais amplo. Contudo, a falta de precisão ao utilizar esses referenciais culturais levanta questões sobre a profundidade de seu entendimento sobre temas tão complexos. É um lembrete de que, mesmo na política, a interpretação da história e da mitologia pode gerar mais confusão do que clareza.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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