
O Ibovespa se encaminha para encerrar esta sexta-feira (30) com a maior queda registrada na primeira semana após uma eleição presidencial em 37 anos. O movimento ocorre em meio à revisão das expectativas dos investidores sobre a política econômica do governo Lula, principalmente em relação às contas públicas e à trajetória da dívida brasileira.
O desempenho negativo da Bolsa de Valores de São Paulo começou na segunda-feira (26), primeiro pregão após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). Na ocasião, o Ibovespa recuou 13,88%, encerrando o dia aos 176.608,23 pontos, enquanto o dólar subiu 8,31% e chegou a R$ 5,4027.
A reação provocou o acionamento do “circuit breaker”, mecanismo utilizado para conter oscilações acentuadas do mercado. A última vez que esse sistema havia sido acionado foi durante a pandemia. As perdas continuaram nos pregões seguintes.
Desde o fechamento anterior à eleição, a desvalorização acumulada do principal índice da Bolsa brasileira chegou a 17,50%, colocando o período entre os mais negativos da história recente do mercado financeiro nacional.
Queda supera reações observadas em eleições anteriores
O movimento contrasta com o comportamento da Bolsa nas dez eleições presidenciais realizadas entre 1989 e 2022. Segundo a Exame, em oito dessas disputas, o Ibovespa apresentou valorização na primeira semana após o segundo turno, mesmo quando o resultado representou uma mudança de governo.
A maior queda semanal até então havia ocorrido em 1994, quando o índice recuou 8,24% após a eleição de Fernando Henrique Cardoso. Já as maiores altas foram registradas em 1989, com a vitória de Fernando Collor, e em 2014, após a reeleição de Dilma Rousseff.
Em 1989, o avanço semanal chegou a 18,70%. Em 2014, a valorização foi de 5,18%, apesar das incertezas políticas e econômicas daquele período. O histórico mostra que uma mudança na Presidência não provoca necessariamente perdas no mercado acionário. A reação também depende das condições econômicas, das expectativas dos investidores e das perspectivas para a condução das políticas públicas.
Expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro influenciou o mercado
Parte da intensidade da queda está relacionada ao comportamento dos ativos financeiros antes da votação. Desde o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, investidores ampliaram as apostas em uma possível alternância de poder. Naquele momento, o cenário indicava vantagem de Flávio Bolsonaro, que havia recebido 7,70% dos votos, diante dos 6,91% de Lula, conforme os números apresentados no levantamento.
Entre o primeiro e o segundo turno, o Ibovespa acumulou alta de 6,75%, passando de 192.115 pontos para 205.082,56 pontos.
Com a confirmação da reeleição de Lula, que recebeu 51,75% dos votos válidos contra 48,25% do adversário, os investidores passaram a rever as posições assumidas anteriormente.
Essa mudança de expectativas contribuiu para a desvalorização dos ativos, especialmente daqueles que haviam apresentado ganhos expressivos durante a campanha eleitoral.
Situação fiscal concentra preocupações dos investidores
Além da reação ao resultado eleitoral, as perspectivas para as contas públicas brasileiras estão entre os principais fatores de pressão sobre a Bolsa. O mercado acompanha a possibilidade de continuidade do crescimento da dívida pública e os efeitos dessa trajetória sobre os juros, os investimentos e a atividade econômica.
Economistas alertam para a possibilidade de o endividamento brasileiro alcançar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) já no início da próxima década. O cenário também estima um déficit primário inicial de 0,6% do PIB, com melhora gradual até a obtenção de um superávit de mesma proporção.
Mesmo com essa recuperação do resultado primário, o peso dos juros sobre a dívida continuaria pressionando as contas públicas.
A preocupação dos investidores é que um endividamento elevado mantenha o custo do financiamento em patamares altos, dificultando a redução dos juros e limitando a capacidade de crescimento da economia.
Juros elevados podem afetar empresas e consumidores
A instabilidade no mercado financeiro pode produzir consequências que vão além das oscilações diárias da Bolsa. A manutenção de juros elevados encarece o crédito para empresas e famílias, reduzindo o espaço para investimentos produtivos e consumo.
Companhias que dependem de financiamento para ampliar operações ou desenvolver novos projetos podem enfrentar custos maiores. Esse cenário também afeta setores mais sensíveis às condições de crédito, como construção civil e comércio.
A desvalorização das ações, por sua vez, pode dificultar a captação de recursos por empresas listadas na Bolsa, especialmente quando acompanhada de custos de financiamento mais elevados.
Recuperação depende de sinais sobre a política econômica
https://timesbrasil.com.br/investimentos/bolsa/bolsa-tem-pior-semana-pos-eleicao-em-37-anos/
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Maersk Restringe Reservas para Khor Fakkan e Aperta a Rota do Brasil ao Golfo
- ★Brasil — Exportações para a Argélia crescem no ano
- ★UCV conmemora el 70 aniversario de los estudios metalúrgicos en Venezuela
- ★Egresan nuevas cohortes de diplomados de la Facultad de Ciencias
- ★EXTENSION UNIVERSITARIA La Expo UNNE llegó Corrientes con talleres, experiencias vocacionales y recorridos por las facultades



















