
O Ibovespa fechou em queda de 2,68% nesta quarta-feira (28), aos 171.006,10 pontos, ampliando as perdas registradas desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A bolsa brasileira foi pressionada principalmente pelas ações dos grandes bancos, enquanto investidores continuaram ajustando suas posições diante das incertezas sobre os rumos das políticas econômica e fiscal.
O dólar, por sua vez, recuou 0,19%, a R$ 5,3402, após uma sessão volátil marcada pela expectativa sobre o próximo ministro da Fazenda e pela decisão de juros nos Estados Unidos.
O principal índice da bolsa brasileira oscilou entre a mínima de 170.162,48 pontos e a máxima de 175.711,22 pontos ao longo do pregão. O volume financeiro somou R$ 41,8 bilhões, em mais um dia de movimentação expressiva após o tombo de 13,88% registrado na segunda-feira (26), quando houve acionamento do circuit breaker.
No câmbio, a moeda americana oscilou entre R$ 5,3116 e R$ 5,3992 durante a sessão. Apesar da queda no fechamento, o dólar chegou a se aproximar dos R$ 5,40, refletindo a cautela dos investidores diante das indefinições sobre a condução da economia brasileira no próximo mandato de Lula.
Além das preocupações fiscais, o mercado acompanhou os desdobramentos da saída de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após sua derrota no segundo turno presidencial.
Bancos aprofundam queda do Ibovespa
As ações dos grandes bancos estiveram entre os principais fatores de pressão sobre o Ibovespa nesta quarta-feira, com perdas expressivas em meio à revisão das expectativas dos investidores sobre a economia brasileira.
As ações preferenciais do Bradesco despencaram 6,68%, enquanto as units do BTG Pactual recuaram 6,52%, a R$ 56,32. Santander também registrou forte baixa, de 5,88%, a R$ 24,35, seguido por Itaú, com queda de 3,42%, a R$ 39,78, e Banco do Brasil, que perdeu 3,39%, a R$ 16,79.
As ações da Petrobras apresentaram perdas mais moderadas. Os papéis ordinários caíram 1,02%, a R$ 59,03, enquanto os preferenciais recuaram 0,53%, a R$ 52,51. A companhia tem prevista para esta quarta-feira a divulgação de seu relatório de produção e vendas do terceiro trimestre.
Entre as maiores quedas do índice, a Cosan liderou as perdas, com tombo de 12,31%, a R$ 2,35, seguida por Vamos, que caiu 11,34%, a R$ 2,58, e Cogna, com baixa de 10,00%, a R$ 1,71.
Na ponta positiva, a MBRF avançou 2,82%, a R$ 16,75, enquanto TIM subiu 2,26%, a R$ 19,44, e Weg ganhou 2,25%, a R$ 47,20.
Incerteza fiscal e cenário político mantêm pressão sobre a bolsa
A sequência de perdas do mercado acionário brasileiro ocorre em um momento de reorganização das expectativas após a reeleição de Lula, que contrariou parte das apostas dos investidores antes do segundo turno.
A ausência de definições sobre a composição da equipe econômica e as prioridades fiscais do próximo mandato continua elevando a cautela dos participantes do mercado.
Entre os principais pontos de atenção está a escolha do novo ministro da Fazenda, considerada uma sinalização importante sobre a condução das contas públicas, o controle de despesas e a trajetória da dívida brasileira nos próximos anos.
O mercado também acompanhou informações de que o governo estaria estudando a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos atualmente isentos de Imposto de Renda, como Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Letras de Crédito Imobiliário (LCI). A possibilidade acrescentou preocupação às negociações, embora ainda não haja confirmação de adoção da medida.
Outro fator de atenção foi a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, após deixar o Brasil na sequência de decisões judiciais relacionadas à entrega de seus passaportes. O episódio aumentou as dúvidas sobre a reorganização das forças de oposição ao governo Lula.
Dólar recua após decisão do Fed nos Estados Unidos
O dólar encerrou a quarta-feira em leve baixa frente ao real, acompanhando a perda de força da moeda americana no exterior durante a tarde.
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decidiu manter os juros inalterados na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, em uma decisão já esperada pelo mercado.
O banco central americano manteve a cautela diante da inflação ainda elevada, enquanto investidores acompanharam as declarações de seu presidente, Kevin Warsh, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.
Após a decisão, o dólar perdeu força internacionalmente, contribuindo para a redução da pressão sobre o câmbio brasileiro.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,20%, aos 102,116 pontos.
O euro avançava 0,25%, a US$ 1,1156, enquanto a libra subia 0,17%, cotada a US$ 1,3329.
No mercado futuro brasileiro, o contrato de dólar para novembro recuava 0,06% às 17h19, negociado a R$ 5,3535.
Apesar do alívio no câmbio, a moeda americana permaneceu em patamar elevado depois da disparada registrada na segunda-feira, quando chegou a fechar acima de R$ 5,40 após o resultado das eleições presidenciais.
https://timesbrasil.com.br/investimentos/bolsa/ibovespa-despenca-268-puxado-por-bancos-dolar-recua-a-r-534-com-juros-nos-eua/
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