
A presença de destaque de Janones no discurso de vitória de Lula certamente gerou ciúmes e inveja, mas talvez seja o indício de que algo pode mudar na relação desastrosa do PT com as redes sociais.
Em outubro de 2026, muito mais até que em outubro de 2022, Janones se desdobrou para ajudar a eleger Lula.
Acabada a eleição de 2022, cantamos mais algumas vezes “Tá Na Hora Do Jair, Já Ir Embora”, e tanto o Janones, quanto principalmente aquela grande mobilização só duraram até a posse de Lula em janeiro de 2023.
Aí veio o 8 de janeiro e depois entramos numa falsa normalidade, como se o bolsonarismo tivesse desaparecido.
Impulsionado pela Meta, Nikolas ajudou a barrar a regulação das big techs.
E se o Janones não for levado a sério dessa vez, é bem provável que a extrema direita volte à presidência em 2030.
O provável candidato, Tarcísio de Freitas, mostrou toda sua força com vitória folgada no primeiro turno em SP.
Difícil saber o que aconteceria neste segundo turno para presidente com um adversário menos repugnante do que Flávio Bolsonaro.
Mais difícil ainda vencermos sem uma lenda viva como Luiz Inácio Lula da Silva.
No seu discurso de vitória, Lula falou em regular as big techs. Não vai ser fácil, mas é imprescindível.
O governo Trump deve perder as eleições parlamentares dos EUA na semana que vem, mas continuará seu projeto golpista por mais dois anos.
O governo não pode entrar no modo burocrático que entrou logo após a posse.
Os desafios são imensos, toda ajuda é necessária, mas arrogância e salto alto não ajudam.
Nosso governo não pode ter apenas destaques na Economia. Precisamos de mais entrega, especialmente na Saúde, na Educação e na Segurança.
Assim como Lula falou sobre a Segurança, não dá mais para que essas questões fiquem nas mãos apenas dos estados, é preciso da participação direta do governo federal.
Lula falou contra o puxa-saquismo no início de 2023, mas o governo e o PT acabaram sucumbindo a esse mal terrível, que agrada o ego, mas não ajuda ao nosso progresso coletivo.
Algumas pessoas responsabilizaram o Congresso horroroso que está aí e que infelizmente vai piorar em 2027.
Mas como explicar as várias PECs aprovadas pelo Haddad?
Como explicar a quase unanimidade da aprovação da PEC do Fim da 6X1, que antes parecia impossível de sequer ser aprovada?
Tudo isso mostra que é possível, mas que é necessário ousadia!
E, além disso, é preciso entender os da periferia que votaram no Flávio Bolsonaro.
Para quem conversou com o outro lado tentando virar voto sabe que uma das maiores queixas é ser tratado como carente, totalmente desempoderado.
O PT foi criado para combater o assistencialismo.
O Bolsa Família e o BPC são conquistas civilizatórias, mas o povo quer poder. Pelo menos o mesmo poder que tem o usuário dos serviços privados.
E para isso precisamos refletir e superar nossos medos, principalmente quem é servidor público como eu, em ser avaliado pela população.
É a população que é dona dos serviços públicos, nós somos seus servidores.
O corporativismo está matando a esquerda!
E aqui, no DF, o PT dificilmente ganhará eleição majoritária sem uma profunda reflexão e mudança de rumo em relação ao corporativismo.
Queremos reconquistar a confiança e o apoio da periferia ou queremos ganhar apenas na Asa Norte?
Para defender os serviços públicos e reconquistar a periferia, precisamos colocar o foco nos usuários dos serviços públicos!
Nossas políticas públicas devem ser definidas a partir do ponto de vista dessa parcela da população, a mais oprimida!
Se toda essa energia dessa reta final de campanha se encerrar novamente na posse do Lula, se o Janones não for levado a sério pelos dinossauros do PT, talvez estejamos selando a volta da extrema direita em 2030.
E saberemos disso já nas eleições municipais de 2028.
Minha esperança é que o Lula realmente tenha levado o Janones à sério!
*Mauro Patrão é doutor em economia e matemática pela UnB.
**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.
https://revistaforum.com.br/opiniao/janones-levado-a-serio/
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