
Flávio “Rachadinha” Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil e está em voo para o país Estados Unidos (EUA), informou o monopólio de imprensa Metrópoles. Segundo o portal, pessoas próximas ao clã Bolsonaro confirmaram a saída, cujo destino final seria a Flórida. O senador da extrema direita estava proibido de deixar o País e não entregou os passaportes no prazo determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A Polícia Federal (PF) cancelou os documentos comum e diplomático e informou que comunicaria o descumprimento ao ministro Alexandre de Moraes. A ordem havia sido divulgada por Flávio em 26 de outubro, um dia depois de perder a disputa presidencial para Luiz Inácio (PT). A medida integra a investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Flávio nega irregularidades.
A última mensagem de “Rachadinha”, segundo o Metrópoles, foi enviada às 8h ao senador Rogério Marinho, coordenador de sua campanha. Disse que estava “esfriando a cabeça”, mas não respondeu se havia deixado o Brasil. Horas depois, a notícia apontava o destino que o clã de covardes conhece bem: a Flórida.
A rota de saída ainda não estava esclarecida. Antes da reportagem das 13h41, o monopólio de imprensa Folha de S.Paulo informou que aliados próximos do clã haviam sido avisados da fuga, mas a PF não encontrara registro de passagem pelos pontos regulares da fronteira com a Argentina. O governo argentino, chefiado pelo lacaio Javier Milei, também negava registro de entrada. Essas informações não estabelecem o trajeto nem a aeronave utilizada pelo senador.

‘Dark Horse’ e negócios com Willer Tomaz
“Rachadinha” é investigado no STF pelo financiamento de “Dark Horse”, peça de propaganda de extrema direita que apresenta Jair Bolsonaro como herói. O senador negociou com o ex-magnata Daniel Vorcaro, do Banco Master, um compromisso de aproximadamente R$ 134 milhões para o filme. Autorizado por André Mendonça, o inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, além da origem e do destino dos recursos. Flávio sustenta tratar-se de patrocínio privado.
Na apuração sobre as relações com Willer Tomaz, a PF investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em negócios com bets. Os investigadores identificaram “Rachadinha” como usuário master da conta da Alcazar Holdings, empresa do advogado sediada na Ilha da Madeira: segundo a PF, o perfil lhe daria poderes de acesso e gerenciamento. Tomaz também é investigado pelas fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Ambos negam irregularidades.
Em 23 de outubro, depois de a PF constatar que Tomaz viajara a Miami, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens do advogado, a quebra dos sigilos e a suspensão dos passaportes. Três dias depois, a ordem contra Flávio também o proibiu de se comunicar com Tomaz.

O caminho de Jair, ‘O Fraco’, e de Eduardo ‘Bananinha’
O patriarca já havia mostrado como termina a valentia do clã. Em 30 de dezembro de 2022, derrotado na eleição presidencial, Jair Bolsonaro fugiu do Brasil rumo à Flórida, antes de encerrar o mandato. O mesmo que prometera sair da Presidência somente “preso, morto ou com vitória” preferiu o avião. Enquanto sua base de massas fanatizada promovia as agitações golpistas de 8 de janeiro de 2023 e seus integrantes eram presos, o “capitão-do-mato” permanecia em solo ianque e procurava se afastar dos acontecimentos.
Em 2024, depois de ter o passaporte apreendido, Jair, “O Fraco”, voltou a procurar abrigo estrangeiro: hospedou-se por duas noites na Embaixada da Hungria, em Brasília. O episódio levantou suspeitas de busca por proteção contra uma eventual prisão; sua defesa negou que pretendesse pedir asilo.
A pose de destemor também desmoronou nas mensagens reveladas em 2025. Cobrado por Eduardo e Silas Malafaia a agir publicamente para reforçar a pressão estrangeira, Bolsonaro respondeu: “Não posso me expor”. E explicou: “Se eu der uma de machão agora, não resolve nada”. A bravata dirigida aos adversários dava lugar ao medo quando o próprio destino estava em jogo.
Eduardo “Bananinha” Bolsonaro também se instalou no EUA e articulou sanções contra o Brasil para tentar salvar o pai. As investigações e mensagens divulgadas em 2025 documentaram os repasses milionários de Jair para sustentar o filho no exterior e sua atuação junto ao governo Trump. A fuga não significou afastamento da política: transformou-se em articulação contra o País a partir do território da potência imperialista.
Depois da derrota de Flávio, o irmão voltou a implorar por intervenção estrangeira. Em vídeo divulgado em inglês na madrugada de 26 de outubro, pediu que governos de outros países não reconhecessem o resultado eleitoral. O clã que se apresenta como defensor da Pátria procura no governo ianque tanto sua proteção pessoal quanto os instrumentos para pressionar o Brasil.

Liderança precária e sobrevivência pessoal
A saída de Flávio ocorre sobre uma liderança que já era frouxa. O capital eleitoral recebido do pai não lhe assegurou a mesma autoridade sobre os diferentes grupos da extrema direita, muito menos capacidade equivalente de mobilização de massas — já em declínio no próprio Jair. As disputas com Michelle e a busca de outros chefetes pelo espólio bolsonarista antecederam a derrota presidencial.
No A Propósito #370, transmitido em 23 de julho, o diretor-geral de AND, Victor Costa Bellizia, já havia sintetizado: “Bolsonaro ainda é hegemônico, mas já não é como antes, e sua liderança declina”. A candidatura do filho servia também para preservar o comando familiar sobre esse campo, impedindo que outro representante assumisse imediatamente a direção.
Na noite de 25 de outubro, durante o A Propósito #378, o representante do jornal relacionou a insistência de Flávio em prolongar a disputa à sua própria sobrevivência política e pessoal. Ao tratar das investigações, afirmou que o senador tinha um “teto de vidro” e precisava “buscar um jeito de sobreviver”. Examinou, inclusive, a possibilidade de que a força do PL no Senado fosse usada para pressionar o STF por um acordo que o preservasse e evitasse uma fuga. A análise expunha o interesse material por trás da encenação do candidato inconformado.
O respaldo de Washington tampouco veio na forma exigida pelos Bolsonaro. Em 26 de outubro, Donald Trump alimentou, sem provas, a suspeita de fraude, mas, questionado sobre o que faria, respondeu que não governava o Brasil e afirmou gostar de Luiz Inácio. O cabecilha ianque conservou a chantagem sem assumir a salvação política do clã.
A fuga do playboy aprofunda a crise de uma liderança já contestada e favorece os chefetes que disputam o espólio bolsonarista. Esses grupos procuram assumir o comando da extrema direita, conservando seu programa de guerra ao povo e submissão nacional. A desmoralização do clã não dissolve as forças que ele ajudou a assanhar.
Ao buscar abrigo no EUA, “Rachadinha” repete a proeza do pai e do irmão: insuflar os seguidores e, quando a própria pele entra em jogo, correr para a barra da saia dos suseranos ianques. O clã que ameaça o povo e se jacta de defender a Pátria entrega o País de bandeja ao imperialismo e depois rasteja por sua proteção. Para salvar a família, chega a pedir castigos contra os próprios brasileiros. A valentia desses chefetes acaba onde começa o risco pessoal. São um bando de covardes e traidores da Pátria.

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