
O cabecilha ianque Donald Trump voltou a explorar o temor da grande burguesia do país Estados Unidos (EUA) à revolta popular para atacar os imigrantes, durante um comício eleitoral realizado em Park City, no Kansas, em 19 de outubro.
No ato em apoio à reeleição do senador republicano Roger Marshall, Trump alertou que protestos como os que sacodem a França poderiam ocorrer no EUA se o Partido Democrata conquistasse a maioria no Congresso nas eleições de novembro. O cabecilha ianque também culpou os imigrantes, sem apresentar provas, pela rebelião francesa, cujas primeiras mobilizações partiram de estudantes e se ampliaram com reivindicações contra a carestia e a deterioração dos serviços públicos.
“Quando vocês virem campanários em chamas e incêndios violentos na França, lembrem-se de que é isso que os ‘democratas’ radicais querem fazer com o EUA”, afirmou Trump. A tentativa de espalhar pânico para favorecer seu Partido Republicano é flagrante: os episódios de incêndio documentados incluem edifícios públicos, como a Prefeitura de Limoges, na França, e a Suprema Corte da Albânia, mas não comprovam o cenário de ataques a igrejas apresentado pelo ultrareacionário.
Ao imputar crimes aos imigrantes, Trump procurou explorar o histórico racista ianque para consolidar sua posição eleitoral no Kansas, estado no qual 71,2% da população se declara branca e não hispânica. Contudo, sua fala foi interrompida diversas vezes por manifestantes, retirados do comício por agentes de segurança. Sem apresentar provas, acusou-os de serem “manifestantes pagos”. Do lado de fora, uma mulher foi presa na área designada para manifestações.
O que o presidente canibal aparenta ignorar é que seus mandatos têm sido marcados por intensos protestos, como as jornadas antirracistas de 2020 e as mobilizações em defesa dos imigrantes de 2025 e 2026. Estas se intensificaram após os assassinatos dos estadunidenses Renee Good e Alex Pretti por agentes federais mobilizados na repressão anti-imigração em Minneapolis, em janeiro.
A agitação também alcança fábricas e escolas. Em 20 de outubro, a petrolífera Phillips 66 impediu cerca de 385 trabalhadores sindicalizados de retornar ao serviço na refinaria Bayway, em Nova Jersey, após o fim de uma prorrogação contratual. Em 7 de outubro, estudantes de sete cidades de três estados participaram de mobilizações em defesa da Palestina..
O avanço da brutalidade policial e da militarização do Estado imperialista ianque impulsionou iniciativas de autodefesa popular e o movimento anti-imperialista. Em cidades como Filadélfia e Nova Iorque, grupos que reivindicam o legado do Partido dos Panteras Negras para Autodefesa realizaram rondas em defesa das comunidades imigrantes.
Na Costa Oeste, até mesmo um acampamento estudantil anti-imperialista, com atividades de estudo e recreação, foi alvo de alarde da imprensa burguesa. Realizado no Noroeste do território estadunidense, o encontro reuniu estudantes secundaristas, universitários e jovens operários interessados na luta dos povos do mundo. O monopólio de imprensa New York Post, contudo, apresentou a atividade como um encontro “secreto” destinado a promover “táticas de guerrilha” e “terrorismo”.

Pentágono autoriza testes de arma térmica na fronteira com o México
Dois dias após o comício, o monopólio de imprensa CNN informou que o Pentágono autorizou o Departamento de Segurança Interna a testar, por sete meses, um armamento destinado à dispersão de multidões na fronteira com o México. Conhecido como Sistema de Negação Ativa (ADS), o equipamento emite um feixe de ondas eletromagnéticas capaz de atingir pessoas a mais de 800 metros e provocar intensa sensação de queimadura na pele, além de formigamento. Segundo a reportagem, o efeito gera “um impulso instintivo e irresistível de fugir do efeito”.
A autorização, assinada pelo secretário de Guerra ianque, Pete Hegseth, permite os testes e a elaboração de procedimentos de uso, mas não determina o emprego imediato da arma. Sua possível utilização contra imigrantes ou manifestações populares suscita riscos de queimaduras e acidentes durante a fuga, inclusive quedas ou afogamentos em áreas próximas à água, preocupação relatada por antigos funcionários da segurança fronteiriça.
O equipamento, porém, não é novo: foi desenvolvido há mais de duas décadas e chegou a ser enviado ao Afeganistão, sem utilização em combate. O Estado ianque também cogitou empregá-lo para controlar multidões em instalações que mantinham prisioneiros acusados de “terrorismo” e, em 2018, contra imigrantes na fronteira, mas essas propostas não avançaram. A retomada dos testes, em meio ao endurecimento da repressão interna, expõe a preparação de novos instrumentos para enfrentar a crescente revolta popular.

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