Goiás transformou o Cerrado em parte da experiência de hospedagem. Casas inteiras de vidro diante das montanhas, cabanas com arquitetura A-frame, piscinas de borda infinita, banheiras com vista para a natureza e refúgios às margens de lagos fazem parte de uma nova geração de acomodações que transforma o lugar onde o turista dorme em uma atração por si só.
A seleção reúne dez hospedagens anunciadas no Airbnb em diferentes regiões de Goiás, principalmente na Chapada dos Veadeiros, mas também em Pirenópolis, Bela Vista de Goiás e Alexânia. A proposta não é estabelecer um ranking, e sim mostrar como arquitetura, paisagem e conforto passaram a ser utilizados para criar experiências turísticas cada vez mais sofisticadas.
A concentração de imóveis diferenciados na Chapada dos Veadeiros não acontece por acaso. Alto Paraíso de Goiás, Vila de São Jorge e Cavalcante estão entre os principais destinos de natureza do estado e funcionam como bases para visitantes interessados em cachoeiras, trilhas, montanhas e no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. O próprio cadastro turístico oficial de Alto Paraíso mostra uma ampla oferta de hospedagens, incluindo pousadas, chalés, casas de temporada e outras modalidades.
1. Glass House: uma parede de vidro diante da Chapada
Em Alto Paraíso de Goiás, a Glass House aposta em uma arquitetura praticamente integrada à paisagem. Grandes esquadrias de vidro permitem observar as montanhas a partir do interior e acompanhar diferentes momentos do dia sem que o visitante precise sair da casa.
A propriedade está a cerca de 3,9 quilômetros do centro de Alto Paraíso e o acesso inclui trecho de estrada de terra. O imóvel recebe até quatro pessoas, possui dois quartos, dois banheiros, cozinha, Wi-Fi, estacionamento e área externa com espaço para fogueira. O anúncio também informa que a hospedagem aceita animais de estimação.
2. B. House: concreto, vidro e piscina de imersão
Também em Alto Paraíso, a B. House segue uma linguagem arquitetônica mais contemporânea, combinando concreto, grandes superfícies envidraçadas e integração direta com o Cerrado.
Um dos destaques é a piscina de imersão voltada para o céu e para o pôr do sol. O espaço ainda possui terraço, redário, fogueira, churrasqueira e fogão a lenha. A casa recebe até quatro hóspedes e conta com dois quartos, cozinha, Wi-Fi e área de trabalho. O anúncio também oferece serviços adicionais, como massagens mediante agendamento.
A procura por esse tipo de hospedagem mostra uma mudança no comportamento do turista: a acomodação deixou de ser apenas o local para tomar banho e dormir depois de um passeio. Em destinos de natureza, a própria casa passou a ser parte do roteiro.
3. Cabana Lume: formato A-frame e piscina de borda infinita
A Cabana Lume aposta em uma das arquiteturas mais reconhecíveis do turismo contemporâneo: o formato A-frame, com estrutura triangular e grandes aberturas voltadas para a paisagem.
O imóvel possui piscina de borda infinita, varanda, rede e mirante com vista para o Morro do Sertão Zen. O quarto fica no mezanino, enquanto sala, cozinha e varanda formam um ambiente integrado. A cabana recebe até quatro hóspedes e também oferece lareira e ar-condicionado no quarto.
O sucesso desse tipo de construção está justamente no contraste: uma estrutura relativamente compacta consegue produzir uma experiência visual que parece muito maior quando se abre para a paisagem.
4. Casa Ipê: praticamente na porta do Parque Nacional
Na Vila de São Jorge, a Casa Ipê leva a proposta de isolamento ainda mais longe. Segundo o anúncio, a propriedade está em uma área de aproximadamente 40 mil metros quadrados de Cerrado nativo, fazendo divisa com o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
Pensada para duas pessoas, a hospedagem combina vidro, vegetação e uma piscina interna privativa aquecida. Possui um quarto, cozinha, Wi-Fi, estacionamento e ar-condicionado. A localização é particularmente estratégica para quem pretende explorar os atrativos naturais da Chapada.
Nesse caso, o diferencial não está apenas no luxo. Está na possibilidade de dormir praticamente dentro de uma paisagem que normalmente seria visitada durante o dia.
5. Casa Jagô: a paisagem como uma moldura
De volta a Alto Paraíso, a Casa Jagô utiliza grandes portas de vidro para transformar o deck panorâmico em uma espécie de moldura para o vale.
O imóvel fica a aproximadamente 600 metros da avenida principal, combinando acesso relativamente fácil com uma proposta de contato direto com a natureza. A casa possui jardim de inverno no centro da construção, suíte voltada para a paisagem, banheira de hidromassagem, internet de fibra óptica, cozinha equipada, Smart TV e ar-condicionado nos dois quartos.
Com capacidade para até cinco hóspedes, a Casa Jagô mostra outra tendência do turismo de experiência: oferecer isolamento visual sem necessariamente obrigar o turista a ficar distante da infraestrutura urbana.
6. Cabana Belchior: o charme está nos materiais naturais
Em Cavalcante, a Cabana Belchior segue um caminho diferente. Em vez de apostar predominantemente no vidro e na estética de luxo contemporâneo, a construção utiliza bambu e adobe e segue princípios de arquitetura bioclimática.
A hospedagem fica cercada pela vegetação e, segundo o anúncio, está a aproximadamente cinco minutos a pé do centro da cidade. Pode receber até quatro pessoas e possui três quartos, cozinha, Wi-Fi, estacionamento e área externa com lareira.
É talvez uma das propostas mais interessantes da seleção porque demonstra que uma hospedagem pode adquirir aparência cinematográfica sem depender de grandes estruturas. Materiais naturais, arquitetura integrada e paisagem podem produzir o mesmo efeito de exclusividade.
7. Summer Glass: vidro e madeira em Pirenópolis
A Summer Glass, em Pirenópolis, leva a tendência das casas transparentes para outro dos principais destinos turísticos de Goiás.
Localizada a aproximadamente oito quilômetros do centro, a hospedagem combina vidro e madeira e possui deck voltado para as serras e a vegetação do Cerrado. Entre as comodidades anunciadas estão ofurô externo, fogueira, cozinha, espaço para yoga e piscina.
Pirenópolis vem ampliando sua presença no turismo de natureza e de experiência. Dados citados pelo Mais Goiás apontam crescimento de 18% no turismo da cidade em 2025, reforçando a importância do município como destino para quem procura combinar patrimônio histórico, gastronomia, cachoeiras e hospedagens diferenciadas.
8. Cabana Energia: uma piscina sobre as serras
Também em Pirenópolis, a Cabana Energia foi construída em uma área cercada por vegetação e voltada para um mirante natural.
O principal destaque é uma piscina com aquecimento solar diante das montanhas, acompanhada por uma ducha instalada entre as árvores. A propriedade está a aproximadamente oito quilômetros da cidade, com parte do percurso em estrada de terra.
O anúncio alerta para a necessidade de atenção no trecho final durante o período chuvoso. A capacidade é de até seis hóspedes, distribuídos em dois quartos, com cozinha, Wi-Fi e estacionamento.
9. Cabana da Floresta: um lago como cenário particular
Em Bela Vista de Goiás, a Cabana da Floresta, da Villa Collibri, muda completamente a paisagem. Em vez das montanhas da Chapada ou das serras de Pirenópolis, o imóvel foi orientado para um lago.
O deck fica diretamente voltado para a água, enquanto a janela do quarto se abre para o bosque. A hospedagem possui duas banheiras de imersão, cozinha completa, cama queen e sofá-cama, além de acesso a áreas compartilhadas da propriedade, como jardins, lagos e piscina.
O espaço recebe até quatro pessoas, mas estabelece uma restrição importante: é destinado a hóspedes com mais de 12 anos e não aceita animais de estimação.
10. Cabana do Tatu: o Lago Corumbá IV como quintal
A última hospedagem da seleção está em Alexânia, às margens do Lago Corumbá IV. A Cabana do Tatu fica em um condomínio fechado e oferece acesso ao lago, além de proximidade com uma cachoeira.
A piscina aquecida cria o principal contraste visual da propriedade, enquanto o reservatório amplia a sensação de espaço. A cabana recebe até quatro hóspedes, possui dois quartos, três camas, cozinha, Wi-Fi, estacionamento e sistema de self check-in.
É uma mudança de cenário em relação à Chapada dos Veadeiros: aqui, a água passa a dominar a experiência turística, mostrando como diferentes paisagens de Goiás podem sustentar propostas arquitetônicas completamente distintas.
O novo luxo é a paisagem
Existe um elemento comum entre essas dez propriedades: o Cerrado deixou de ser apenas a paisagem observada pela janela e passou a fazer parte do projeto arquitetônico.
Vidro, madeira, decks, piscinas, banheiras, mirantes e grandes aberturas são utilizados para aproximar o visitante da natureza. Em algumas hospedagens, a principal atração pode estar justamente a poucos metros da cama.
Isso também explica por que destinos como Alto Paraíso e Pirenópolis passaram a atrair uma modalidade de viajante disposto a pagar não apenas por uma cama confortável, mas por uma experiência visual e arquitetônica diferenciada. O Airbnb atualmente reúne uma oferta expressiva de chalés e casas de temporada em Goiás, com propriedades que incluem desde construções ecológicas até cabanas com piscinas, jacuzzis, vistas panorâmicas e acesso a áreas naturais.
O fenômeno revela uma transformação no turismo de natureza brasileiro. O visitante já não escolhe apenas para onde viajar. Em muitos casos, também escolhe onde quer acordar — e a própria hospedagem pode ser tão importante quanto a cachoeira, a trilha ou o mirante que motivou a viagem.
Em Goiás, essa combinação ganhou uma característica particular: arquitetura contemporânea e natureza do Cerrado passaram a disputar o protagonismo na mesma fotografia. E, para quem procura uma viagem com aparência de filme, talvez nem seja necessário chegar a Hollywood.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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