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Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO anunciou, durante a 20ª sessão realizada em Nova Delhi, na Índia, a inscrição do Sarawja de Moquegua na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A manifestação é uma tradição emblemática de música e dança do povo Aymara, no sul do Peru.
O reconhecimento internacional destaca uma prática cultural que integra música, dança e convivência comunitária, mobilizando anualmente famílias e comunidades em torno de valores como reciprocidade, hospitalidade e fortalecimento dos laços sociais.
Conhecida também como sarawjatana, a celebração ocorre todos os anos após a Semana Santa. Nesse período, grupos familiares denominados ruedas percorrem as cidades de Cuchumbaya, San Cristóbal e Carumas, levando canções e danças tradicionais. As visitas são marcadas pela troca de gestos de hospitalidade, com a oferta de frutas e pratos típicos, posteriormente retribuída pelas famílias anfitriãs.
As melodias do Sarawja são executadas exclusivamente com charangos de diferentes tamanhos, chilladores e coros cantados em aimará e espanhol, criando um contraponto vocal característico. A dança, por sua vez, reproduz os movimentos dos kiwlas, pequenos pássaros andinos. Mais do que uma festividade, o Sarawja representa uma expressão viva de identidade cultural e coesão social, transmitida de geração em geração.
Durante a sessão, o Comitê Intergovernamental destacou que a candidatura apresentada pelo Estado peruano atendeu aos cinco critérios exigidos para a inscrição e elogiou a ampla participação das comunidades aimarás na elaboração do dossiê, considerado um exemplo de protagonismo comunitário.
Para as comunidades portadoras da tradição, o reconhecimento é considerado um marco histórico. O prefeito provincial de Mariscal Nieto, John Larry Coayla, afirmou que a inscrição representa “um momento de profundo orgulho”, ressaltando que o Sarawja expressa a herança ancestral, a alegria e a resiliência das comunidades locais. Já Rosa Guevara Jiménez, presidente da Associação dos Portadores de Sarawja, destacou que a distinção internacional amplia a visibilidade da tradição e abre novas oportunidades para o turismo cultural e a valorização do patrimônio imaterial.
Inscrito ao lado de outras manifestações culturais reconhecidas neste ano — muitas relacionadas ao artesanato, à música, à arte e à culinária tradicional —, o Sarawja se destaca como exemplo de como o patrimônio cultural imaterial fortalece as relações intergeracionais, dinamiza os vínculos comunitários e contribui para a sustentabilidade cultural.
A 20ª sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial ocorreu entre 8 e 13 de dezembro e reuniu os 24 Estados Partes responsáveis pela avaliação de 68 novas candidaturas. Atualmente, as listas da UNESCO, no âmbito da Convenção de 2003, reúnem 788 elementos inscritos em 150 países. Entre as manifestações analisadas neste ano estiveram o son cubano, o koshary do Egito, o Festival das Luzes Deepavali, da Índia, o iodelei da Suíça e a culinária italiana.
Fonte: UNESCO.
Diplomacia Business
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