
A redação do Enem 2026 propôs discutir a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal. Aplicado a partir deste domingo, 8 de novembro, para mais de 5 milhões de inscritos, o exame trouxe um tema considerado atual e acessível por professores, mas que também exige reflexão sobre formas de fortalecer o sistema e assegurar atendimento a toda a população. Thiago Braga, professor e autor do Colégio e Sistema pH, elaborou um exemplo de abordagem.
O texto começa lembrando que, em 1986, a 8ª Conferência Nacional de Saúde reuniu milhares de pessoas em Brasília e aprovou a ideia de que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Em 1988, esse princípio entrou no artigo 196 da Constituição e deu origem ao SUS, um dos maiores sistemas públicos e gratuitos do mundo. Apesar disso, quase quatro décadas depois, muitos brasileiros ainda o veem como uma alternativa para quem não pode pagar, e não como um direito de todos. A distância entre a realidade do sistema e essa percepção é atribuída à pouca visibilidade de suas ações e à visão da saúde como bem de consumo.
A redação argumenta que um direito precisa ser reconhecido para ser valorizado, mas muitos serviços do SUS passam despercebidos. Quem recebe uma vacina em campanha nacional ou é atendido por uma ambulância nem sempre relaciona esses serviços ao mesmo sistema que associa às filas dos postos. A pandemia de covid-19 evidenciou esse desconhecimento: a crise levou o país a perceber que leitos e vacinação dependiam de uma estrutura pública já existente. Com o fim da emergência, porém, essa lembrança perdeu força, e a gratidão pontual não substituiu o reconhecimento contínuo do direito.
Outro obstáculo apontado é a transformação da saúde em mercadoria. No Brasil, o plano de saúde tornou-se símbolo de ascensão social, enquanto o atendimento público passou a ser associado à falta de opção. Em O Espaço do Cidadão, o geógrafo Milton Santos descreve a substituição do cidadão pelo consumidor como parte de uma “cidadania mutilada”. Quando quem pode pagar deixa de se reconhecer como titular do direito à saúde, a defesa do SUS fica concentrada em apenas uma parcela da população. Assim, a lógica do consumo afasta brasileiros do sistema e enfraquece a ideia de que ele pertence a todos.
Como proposta, o texto defende que o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde incluam no currículo da educação básica conteúdos sobre o direito à saúde e o funcionamento do SUS. Materiais didáticos poderiam ajudar estudantes a identificar os serviços do sistema em seu cotidiano e a se reconhecer como titulares desse direito. Também caberia ao Ministério da Saúde destacar, em campanhas e unidades de atendimento, quais serviços são oferecidos pelo SUS. Dessa forma, o princípio aprovado em 1986 poderia ser reconhecido como um compromisso compartilhado pela sociedade.
As provas do Enem 2026 acontecem em dois domingos consecutivos, 8 e 15 de novembro. O exame tem 180 questões objetivas e uma redação. No primeiro dia, são 45 questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e 45 de Ciências Humanas e suas Tecnologias, além da redação dissertativo-argumentativa. A prova começa às 13h30 e termina às 19h. No segundo domingo, há 45 questões de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e 45 de Matemática e suas Tecnologias; o exame ocorre das 13h30 às 18h30.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Canadá — Teoria sugere que universo é mais antigo e dispensa matéria escura
- ★Italia — Honda apresenta bicicleta elétrica de montanha com motor de 750 W
- ★Osmary Pacheco rompió sus registros nacionales y se clasificó para final de 400 metros en Dakar 2026
- ★Em pronunciamento, Lula falará sobre conquistas, soberania e futuro
- ★Estados Unidos — EUA pedem ao Iraque fechamento da maioria dos postos de fronteira com o Irã




















