
247 – A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na sexta-feira (6) o lutador de jiu-jítsu Lucas Portela Fontana Gomes, 32, após o suspeito invadir apartamentos e espancar três vizinhas na madrugada de quinta-feira (5), em um condomínio localizado na Avenida Maracanã, no bairro da Tijuca, na Zona Norte da capital fluminense. O caso, inicialmente tratado como ocorrência de menor potencial ofensivo que levou à soltura temporária do agressor, ganhou gravidade após a análise de imagens de câmeras de segurança e o depoimento das vítimas, resultando na decretação de sua prisão preventiva por tentativa de feminicídio, lesão corporal, violação de domicílio, resistência e ameaça. A investigação conduzida pela 18ª DP (Tijuca) aponta que o atleta possuía um perfil problemático no edifício, segundo o jornal O Globo, marcado por comportamentos agressivos, barulhos excessivos e provocações a moradores, além de levantar questionamentos sobre o uso de substâncias anabolizantes e sua conduta em academias de treinamento.
Polícia Civil cumpre mandado de prisão preventiva
O mandado de prisão contra o lutador foi cumprido na manhã de sexta-feira (6), após agentes da 18ª Delegacia de Polícia reunirem novos elementos probatórios fundamentais para o avanço da investigação, incluindo os atestados médicos das vítimas, laudos e as gravações do sistema de segurança do prédio. Na sequência dos procedimentos legais, o suspeito foi transferido para o Presídio José Frederico Marques, localizado no complexo penitenciário de Benfica, na Zona Norte fluminense, unidade que funciona como porta de entrada e triagem para o sistema prisional do estado antes do encaminhamento definitivo dos detentos.
A detenção ocorre após uma reviravolta nos procedimentos iniciais adotados pelas autoridades policiais logo após o episódio. No dia do crime, Lucas chegou a ser detido em flagrante e encaminhado à Central de Custódia, mas acabou liberado sob o entendimento de que se tratava de uma infração de menor potencial ofensivo, visto que faltavam naquele momento registros cruciais como os depoimentos detalhados das mulheres feridas — que recebiam atendimento médico — e as imagens do circuito interno de monitoramento do edifício onde ocorreram as agressões.
Dinâmica dos ataques na madrugada
O episódio de extrema violência teve início durante a madrugada de quinta-feira, quando o lutador iniciou uma discussão com gritos e barulhos dentro do próprio apartamento, localizado no condomínio na Tijuca. Sem motivação aparente ou relação prévia com as moradoras além da convivência cotidiana de vizinhança, o suspeito passou a circular pelas dependências do edifício, invadindo unidades residenciais e proferindo ameaças de morte contra os habitantes locais, o que obrigou uma das famílias a fugir apressadamente pelas escadas de emergência do prédio.
Em seguida, o agressor invadiu outro apartamento e agrediu fisicamente uma idosa de 65 anos, que precisou ser socorrida e hospitalizada. O terceiro e mais violento ataque ocorreu nas dependências do elevador do edifício, por volta da 1h10, após uma diarista de 40 anos sair para prestar socorro ao ouvir os gritos de socorro vindos dos corredores. Imagens capturadas pelas câmeras de segurança registraram o momento em que o lutador desferiu aproximadamente 31 golpes em cerca de três minutos, aplicando socos, cotoveladas, chutes e técnicas de estrangulamento, como o mata-leão, contra a trabalhadora.
Histórico de conflitos e apuração sobre anabolizantes
Durante os depoimentos prestados à Polícia Civil, funcionários e moradores do condomínio relataram que Lucas apresentava um comportamento recorrentemente conflituoso e desafiador. Entre as queixas relatadas à administração e aos investigadores constam o hábito de ouvir música em volume excessivamente alto durante horários inadequados, promover gritaria nos corredores e provocar vizinhos de maneira sistemática e gratuita, transformando a convivência no edifício em um ambiente de constante tensão.
O delegado titular da 18ª DP (Tijuca), Álvaro Gomes, informou que a corporação também apura o histórico de condutores e comportamentos agressivos do atleta em academias onde realizava seus treinamentos de luta. Questionado pelas autoridades durante o interrogatório na delegacia, o lutador permaneceu em silêncio quanto aos fatos e declarou não se lembrar de nada do ocorrido, admitindo apenas fazer uso regular de substâncias anabolizantes, embora não tenha sido submetido a exames toxicológicos ou de alcoolemia imediatos.
“São peças soltas de um quebra-cabeça que nos ajudam a tentar entender um pouco melhor esse perfil psicológico dele, mas que ainda não são determinantes para traçar esse perfil. O que temos de concreto foi a atitude bárbara dele, que, independentemente de qualquer coisa, não teria justificativa”, afirmou o delegado Álvaro Gomes sobre a complexidade da investigação em curso.
Condomínio avalia medidas judiciais de expulsão
Morador do edifício na condição de inquilino há aproximadamente quatro anos, o lutador agora enfrenta o risco de exclusão definitiva do condomínio. Representantes jurídicos da administração do prédio informaram que não havia registros formais de ocorrências ou desentendimentos envolvendo o suspeito antes da sequência de ataques daquela madrugada, mas o impacto do episódio gerou forte comoção e temor generalizado entre os moradores da torre residencial na Avenida Maracanã.
O condomínio avalia ingressar diretamente com uma ação cível na Justiça para solicitar a expulsão judicial do inquilino, contornando a necessidade de uma assembleia geral ordinária ou extraordinária devido ao receio manifestado pelos moradores em relação à própria segurança e exposição. A medida judicial, contudo, poderá ser descartada caso o proprietário do imóvel consiga formalizar a retomada da posse do apartamento antes do desfecho da movimentação cível pretendida pela administração do edifício.
https://www.brasil247.com/brasil/lutador-de-jiu-jitsu-preso-por-agredir-vizinhas-tem-historico-problematico/
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