
As empresas do setor aéreo propuseram a adoção da escala 5×2 com semana de seis dias para os aeroviários, pessoal de solo que inclui mecânicos de aeronaves e atendentes de call center. A proposta, enviada no âmbito do acordo coletivo que definirá os expedientes sob a nova regra constitucional, não agradou aos representantes dos trabalhadores. A informação foi confirmada por sindicatos e associações do setor.
Proposta prevê compensação em semana distinta
De acordo com as claims, as empresas preveem compensação de folgas em semana distinta e propõem mudança de escala sem aviso com antecedência. A medida permitiria alterações por necessidade operacional, como falta de funcionário, sem pagamento adicional e com cumprimento obrigatório. Atualmente, a escala é comunicada com cinco dias de antecedência, e o empregado não é obrigado a seguir alterações fora dessa regra, segundo o sindicato.
O principal ponto de discordância entre os dois sindicatos está relacionado às folgas previstas na emenda constitucional que alterou as regras de jornada e instituiu o fim da escala 6×1. A transição para a escala 5×2 é vista como conquista dos trabalhadores, e abrir mão dela não faz sentido para a categoria.
Sindicato reafirma compromisso com a 5×2
“Todos os sindicatos estão dispostos a negociar, mas mantendo alguns parâmetros mínimos. A 5×2 não tem negociação. Foi uma luta dos trabalhadores; abrir mão de cumprir a escala 5×2 não faz sentido”, diz Álvaro Quintão, advogado do SNA (Sindicato Nacional dos Aeroviários), à reportagem. A declaração reforça a posição da entidade diante da proposta patronal.
A Azul, a Gol e a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) disseram que não vão comentar o tema. A Latam afirmou que se manifestaria por meio do SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias). O SNEA disse em nota à Folha que “mantém negociação com os 12 sindicatos que representam os trabalhadores do setor aéreo desde o início de outubro”.
Negociação segue com reunião em novembro
Quintão afirma que ainda há negociação pela frente neste mês. A próxima reunião está marcada para o dia 12 de novembro. A data-base do acordo é 1º de dezembro. O impasse atual remete ao dissídio coletivo de 2025, quando o acordo foi homologado pelo TST somente em fevereiro deste ano.
A convenção anterior determinou duração máxima de 42 horas semanais para o aeroviário e esforço para adoção da escala 5×1, na qual se trabalha cinco dias consecutivos e folga um. O desafio agora é conseguir as duas folgas na semana, segundo Quintão.
Impacto econômico preocupa empresas auxiliares
A Abesata (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares ao Transporte Aéreo) divulgou nesta semana uma carta ao mercado estimando aumento de 23,9% nos custos das empresas do setor com o fim da escala 6×1. O dado evidencia o impacto financeiro da mudança para as companhias aéreas e prestadoras de serviços.
Para o comércio e a indústria do interior paulista, a alteração na jornada dos aeroviários pode influenciar a logística e os custos do transporte aéreo de cargas, afetando indiretamente negócios de Araçatuba e região noroeste. A fonte não detalhou projeções específicas para o setor produtivo local.
Perguntas Frequentes
O que as empresas aéreas propõem para a escala 5×2 dos aeroviários?
As empresas propõem compensação de folgas em semana distinta e mudança de escala sem aviso com antecedência, com cumprimento obrigatório e sem pagamento adicional.
Qual é o principal ponto de discordância entre os sindicatos e as empresas aéreas na negociação da escala 5×2?
O principal ponto de discordância está relacionado às folgas previstas na emenda constitucional que instituiu o fim da escala 6×1, pois os sindicatos não abrem mão de cumprir a escala 5×2.
Como funciona atualmente a comunicação de escala para os aeroviários e o que as empresas propõem?
Hoje a escala é comunicada com cinco dias de antecedência e, se a empresa descumprir, o empregado não é obrigado a seguir a escala alterada. As empresas propõem permitir alteração por necessidade operacional sem antecedência mínima, com cumprimento obrigatório e sem pagamento adicional.
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