
Eleita senadora pelo Distrito Federal com votação recorde, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) representa um verdadeiro enigma na disputa dos dois candidatos de oposição por apoios para chegar à presidência do Senado. Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) enfrentam o atual detentor do cargo e postulante a mais dois anos de mandato, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aliado de ocasião do governo Lula, na corrida que será decidida em 1º de fevereiro de 2027.
Coordenador da campanha do ex-presidenciável Flávio Bolsonaro, hoje autoexilado nos Estados Unidos, Marinho lançou sua candidatura oficialmente na última quarta-feira, 4, na sede do PL, ao lado do cacique nacional Valdemar Costa Neto e da imensa maioria da futura bancada de 29 senadores do partido. Os três senadores eleitos do Novo também o apoiam, assim como o ex-secretário de Segurança de São Paulo Guilherme Derrite, eleito pelo Progressistas. Michelle, contudo, não compareceu, justificando que estava preparando o almoço do marido Jair Bolsonaro.
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A explicação para a ausência pode ser verdadeira, mas não dissipa a ambiguidade sobre qual candidato da oposição conta hoje com o apoio da popular ex-primeira-dama. Quando Flávio Bolsonaro ainda não havia anunciado seu candidato a vice, ela chegou a interceder junto à direção nacional do Progressistas a favor de um acordo para que Tereza Cristina assumisse o posto. Mais adiante, a legenda de Ciro Nogueira decidiu manter-se neutra no primeiro turno. Michelle também é uma defensora da ascensão de mulheres conservadoras na política.
Agora, com a ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro no páreo pelo comando do Poder Legislativo, sua principal cabo eleitoral é a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), uma das melhores amigas e aliadas de Michelle. “A Tereza reúne dureza e austeridade com serenidade para tocar nossas pautas sem abrir mão dos nossos valores”, declarou Damares. Questionada sobre a principal dentre essas pautas, ela responde sem titubear: “Impeachment de ministros do Supremo que pisarem na bola — ou já pisaram.”
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A ostentação dessa bandeira de campanha ajuda a explicar por que, apesar dos sinais e de seu capital político, Michelle ainda não se pronunciou sobre a corrida pela sucessão de Alcolumbre. A própria Damares já havia afirmado, em outra ocasião, que a ex-primeira-dama tem tanto medo de uma eventual decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, revogando a prisão domiciliar e mandando Jair Bolsonaro de volta para a cadeia que evita declarações ou ações que o responsável pela execução penal de seu marido possa interpretar como uma violação das proibições impostas a ele.
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https://veja.abril.com.br/politica/o-enigma-de-michelle-bolsonaro-na-disputa-pela-presidencia-do-senado/
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