
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à COP31, em Antália, na Turquia, em 10 de novembro de 2026, com duas prioridades: cobrar dos países ricos mais financiamento climático e defender recursos para a transição energética nos países em desenvolvimento. O governo também quer atrair novos aportes para o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre) e apresentar propostas para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
Será a 1ª agenda internacional do presidente depois da reeleição. A viagem também marca a passagem da presidência da conferência do Brasil para a Turquia. Lula embarca na 2ª feira (9.nov.2026) e chega ao país na 3ª feira (10.nov). A cúpula de líderes será realizada em 11 e 12 de novembro. A COP31 começa no dia 9 e termina em 20 de novembro.
O governo brasileiro pretende preservar na nova gestão iniciativas construídas durante a COP30, realizada em Belém (PA), em 2025. A organização da COP31 terá um formato compartilhado: a Turquia assume a presidência da conferência, enquanto a Austrália conduz as negociações diplomáticas.
Lula vai apresentar resultados obtidos pelo Brasil, em vez de levar novas promessas. São eles:
- emissões: redução de 560 milhões de toneladas de CO₂ entre 2022 e 2024;
- transição energética: mapas do caminho para reduzir a dependência de combustíveis fósseis;
- desmatamento: menor nível da história, segundo os dados do governo;
- financiamento climático: TFFF com US$ 7,8 bilhões em compromissos e busca por novos países contribuintes; Fundo Amazônia com R$ 7,8 bilhões captados;
- liderança pelo exemplo: resultados brasileiros em energia renovável, descarbonização e preservação ambiental.
Financiamento e TFFF
O Brasil cobra que os países desenvolvidos ampliem o financiamento climático para as economias em desenvolvimento. Lula defende que essas nações não podem assumir sozinhas os custos da redução de emissões e da transição energética. A cobrança considera a contribuição histórica dos países ricos para o aquecimento global e sua capacidade econômica.
A meta é mobilizar pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para financiar ações climáticas nos países em desenvolvimento, com recursos públicos e privados. Na COP29, em Baku, os países estabeleceram que as nações desenvolvidas devem liderar a mobilização de ao menos US$ 300 bilhões anuais até 2035. O Brasil considera o valor insuficiente.
O Mapa do Caminho de Baku a Belém, elaborado pelas presidências das COP29 e COP30, propõe ampliar a oferta de recursos concessionais, reduzir o custo do capital, mobilizar investimentos privados e reformar mecanismos financeiros internacionais. A presidência brasileira da COP30 busca avançar na implementação dessas propostas.
Já o TFFF é uma das iniciativas que o Brasil apresenta para ampliar os recursos destinados à proteção ambiental. O fundo soma cerca de US$ 7,8 bilhões em compromissos e remunera países pela preservação de florestas tropicais. Reino Unido e Países Baixos devem formalizar seus aportes durante o evento sobre florestas da COP31, no dia 15.
A meta é chegar a US$ 10 bilhões até o fim de 2026. O governo não confirma que o valor será alcançado durante a conferência. Também pretende apresentar os resultados do Fundo Amazônia, que recebeu R$ 7,8 bilhões em recursos entre 2023 e 2025.
Transição energética
A presidência brasileira da COP30 apresentou o Mapa do Caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis. O documento propõe reduzir a dependência dessas fontes e ampliar o uso de sistemas de baixa emissão. Não é um acordo negociado entre os países, mas uma contribuição brasileira para orientar a implementação do Acordo de Paris.
Lula também pretende apresentar um mapa nacional para essa transição. A proposta convive com os planos do governo de ampliar a produção de petróleo, inclusive na Margem Equatorial. A exploração deve ser um dos pontos de tensão da posição brasileira nas negociações.
O governo argumenta que a transição precisa considerar as condições de cada país e garantir segurança energética. Defende que a redução do uso de combustíveis fósseis seja acompanhada de alternativas capazes de sustentar o desenvolvimento econômico.
Cooperação internacional
O cenário é de menor participação de alguns países nas políticas climáticas. Os Estados Unidos voltaram a se retirar do Acordo de Paris no governo Donald Trump (Partido Republicano). Na Europa, divergências sobre competitividade econômica e custos da transição energética afetam o ritmo das medidas ambientais.
Por isso, Lula vai defender o multilateralismo, a ciência e a cooperação internacional no combate à mudança do clima durante seu discurso. A programação da cúpula de líderes, em 12 de novembro, vai abarcar discussões sobre a implementação do Acordo de Paris e o acesso a financiamento. Também estão na agenda a transição energética, a eletrificação e os investimentos em indústrias de baixo carbono.
Agenda de Lula
A programação concentra os compromissos do presidente em 11 e 12 de novembro. No 1º dia, Lula participa da abertura da conferência, apresenta o posicionamento brasileiro e participa de um evento sobre financiamento para a proteção das florestas. No dia seguinte, terá um encontro com representantes da sociedade civil.
Eis a agenda completa do presidente na COP31
Dia 11 de novembro:
- 11h – chegada à sede da COP31;
- 11h45 – foto oficial com os líderes;
- 12h – discurso de abertura, ao lado do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese. Segundo o Itamaraty, a participação dos 3 líderes na abertura reflete o papel do Brasil na agenda climática;
- 15h – evento sobre florestas, na plenária Akdeniz, com representantes do TFFF e de países que aderiram recentemente à iniciativa, como Noruega, Reino Unido, Congo e Guiana.
- 17h – pronunciamento nacional, na plenária da conferência.
Dia 12 de novembro:
- à tarde – diálogo com representantes da sociedade civil nacional e internacional, com novo pronunciamento de Lula.
Na noite de 12 de novembro, Lula segue para Manila. Nas Filipinas, fará uma visita de Estado em 14 de novembro, a 1ª de um presidente brasileiro ao país. No dia 15, participa da 49ª Cúpula da Asean, onde o Brasil busca ser elevado à condição de parceiro de diálogo pleno do bloco.
Leia também:
- Lula passará bastão na COP31 e buscará continuidade climática
- Brasil entrega mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis
- Lula diz que Brasil chega como “o mais preparado” à COP sobre clima
https://www.poder360.com.br/poder-governo/lula-cobrara-financiamento-climatico-e-transicao-energetica-na-cop31/
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