
Era bola cantada. As projeções não indicavam 99% de chances — mas algo em torno de 70% — de manutenção da taxa Selic nesta quarta-feira (4). Ainda assim, a decisão era dada como certa e amplamente esperada pelos agentes financeiros.
Com isso, ao optar pela continuidade dos juros no nível de 13,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central atendeu às expectativas do mercado.
Foram cinco cortes consecutivos, entre março e setembro deste ano, que diminuíram a taxa básica de 15% para 13,75% ao ano. O comitê, entretanto, não sinalizou se a pausa se estenderá ou se pretende fazer mais cortes na última reunião deste ano, em 8 e 9 de dezembro.
Segundo o comunicado do Copom, um combinado de questões locais e globais justificaram a decisão de manutenção nesta quarta.
- LEIA TAMBÉM: O mercado desistiu do Brasil? Gestores reduzem apostas em bolsa e reforçam dólar antes do Copom
Logo no começo do texto, os diretores do BC evidenciaram a deterioração do cenário global:
«O ambiente externo tornou-se mais adverso em função do prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, com impactos altistas sobre o preço do petróleo e derivados, e da política monetária mais restritiva nas economias avançadas», diz o comunicado.
Já no cenário local, o Copom joga luz a piora da inflação. «Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram, situando-se acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta [4,5%]», diz o texto.
Virada nas expectativas
Entretanto, há poucas semanas, o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic era dado como certo pelos agentes financeiros. Todas as projeções apontavam nesse sentido, inclusive o Boletim Focus do próprio BC.
Mas tudo mudou em 25 de outubro. O resultado eleitoral apagou todas as expectativas positivas que o mercado traçou para o Brasil nas semanas anteriores — o corte nos juros incluso.
O último Focus, divulgado nesta terça-feira (3), mostrou uma piora relevante das expectativas de inflação e juros de longo prazo.
A projeção do IPCA para 2028, data mais próxima do período avaliado pelo Copom, subiu de 3,75% para 4%, enquanto a de 2029 avançou de 3,50% para 3,98%.
No caso dos juros, a mediana de projeção dos economistas para a Selic subiu de 11,75% para 12,50% em 2027, de 10% para 11% em 2028 e de 10% para 10,25% em 2029.
Em outras palavras, o mercado passou a esperar inflação mais alta e juros elevados por mais tempo.
A justificativa do Copom para a Selic
De acordo com o comunicado do Copom, a decisão tem como base a piora recente do cenário inflacionário local devido a pressões globais.
Mesmo antes do resultado do pleito eleitoral, economistas já apontavam que os determinantes de inflação têm se mostrado voláteis recentemente.
No aspecto global, o preço do petróleo — que oscila na faixa de US$ 100 o barril — e o impacto do El Niño para as safras de grãos são os principais fatores de pressão.
Em seu comunicado, o BC afirma que «tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities«.
Já os determinantes locais são o aumento da taxa de câmbio, a incerteza fiscal com a reeleição do presidente Lula e o mercado de trabalho apertado, que sustenta a renda média da população e pressiona os preços.
O câmbio é o aspecto mais recente. Foi depois do pleito eleitoral que a taxa subiu, de uma cotação na faixa dos R$ 5 para os atuais R$ 5,50.
Para os diretores do BC, esses fatores locais exigem acompanhamento para avaliar até onde eles podem impactar a economia por meio de um aumento significativo da inflação ou mesmo na deterioração nas expectativas futuras de preço.
«As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus distanciaram-se em relação à meta desde a última reunião, situando-se em 5,2% e 4,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, elevou-se para 3,5% no cenário de referência, com a incorporação dos choques de oferta materializados desde a última reunião», diz o texto.
Além disso, o Copom avalia que os riscos para a inflação pendem para o lado altista, e não em direção a uma queda nos próximos meses.
O comunicado deixa em aberto as decisões futuras do colegiado: «o Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta.»
Neste ano, o Copom tem apenas mais uma reunião, nos dias 8 e 9 de dezembro. Segundo o Boletim Focus, a Selic terminal de 2026 seria de 13,50%. Para este cenário se confirmar, o comitê teria que fazer mais um ajuste de 0,25 ponto percentual.
Mas, até lá, quem sabe como as expectativas estarão.
https://www.seudinheiro.com/2026/economia/copom-segura-selic-em-1375-e-interrompe-ciclo-de-cortes-nos-juros-mlim/
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Tras la derrota legislativa de Trump, el riesgo país anotó otro máximo en 2026
- ★El INDEC reveló que más de un tercio de los hogares urbanos no tiene gas de red
- ★Realizarán un encuentro por el Día de la Tradición
- ★Estrenaron una nueva sesión en vivo de música entrerriana
- ★Uruguay — Más de 1.100 autos llegarán a la ciudad para La Costa Show Car

