
O Dia da Favela, celebrado nesta quarta-feira (4), marca sete anos de mobilização cultural no Espírito Santo. Desde 2019, a comemoração reúne artistas, moradores e lideranças comunitárias. Além disso, a iniciativa busca valorizar a cultura e combater o preconceito contra as periferias.
Ao longo dos anos, o movimento ampliou sua atuação e chegou a diferentes municípios capixabas. Dessa forma, a programação passou a incluir música, literatura, dança, esporte e ações sociais.
A primeira comemoração aconteceu na Serra, em 2019, com a participação do Instituto das Favelas e Periferias (INFAPE). O fundador e presidente da instituição, Gabriel Nadippeh, liderou a mobilização.
Na ocasião, o município recebeu o 1º Favela Literária. O evento reuniu escritores, poetas e artistas das periferias da Grande Vitória. Assim, a iniciativa abriu espaço para talentos das comunidades e fortaleceu a produção cultural local.
Dia da Favela começou na Serra e chegou a outras cidades
Após a primeira edição, o movimento ampliou suas atividades para outros municípios do Espírito Santo.
Em 2021, Vila Velha recebeu uma programação de aproximadamente 12 horas. O encontro aconteceu na quadra da Escola de Samba Independentes de São Torquato.
Durante o evento, o público acompanhou apresentações musicais, dança, capoeira e oficinas culturais.
Além disso, Cachoeiro de Itapemirim também comemorou a data naquele ano. A programação aconteceu no bairro Zumbi e contou com artistas, moradores e lideranças comunitárias.
Já em 2022, as comemorações retornaram à Serra. Dessa vez, a programação durou dois dias e reuniu diferentes manifestações culturais.
Entre as atrações estavam música, literatura, cinema, capoeira, congo e atividades de empreendedorismo.
Segundo os organizadores, mais de três mil pessoas participaram das comemorações realizadas na Serra em 2022.
Dia da Favela passou a integrar o calendário oficial do Espírito Santo
A mobilização cultural também acompanhou avanços no reconhecimento oficial da data.
Em 2021, o Espírito Santo instituiu o Dia Estadual da Favela, comemorado em 4 de novembro.
A Lei Estadual nº 11.387/2021 surgiu de um projeto do então deputado estadual Fabrício Gandini. Posteriormente, o governador Renato Casagrande sancionou a legislação.
No mesmo ano, Vila Velha também incluiu a comemoração em seu calendário oficial. A iniciativa partiu do vereador Jonimar Santos Oliveira, por meio da Lei Municipal nº 6.444/2021.
Em 2022, Cachoeiro de Itapemirim seguiu o mesmo caminho. O município reconheceu a data por meio da Lei nº 7.934/2022, proposta pelo vereador Sandro Dellabella Ferreira.
Dessa maneira, o Dia da Favela conquistou espaço nos calendários oficiais e ampliou a visibilidade das comunidades.
Semana da Favela reúne cultura, música e projetos sociais
Com o passar dos anos, o movimento também passou a promover a Semana da Favela. A iniciativa ampliou as atividades culturais e incentivou a participação dos moradores.
Em 2025, por exemplo, a programação contou com música, capoeira e ações comunitárias.
Além disso, o público acompanhou o Concurso Poesia da Favela. A atividade destacou a produção literária de jovens das periferias.
A edição também recebeu a banda capixaba Herança Negra, que participou das apresentações musicais.
Já em 2026, a Semana da Favela INFAPE conquistou reconhecimento no Prêmio Super da Cultura Capixaba. A iniciativa recebeu destaque na categoria Artes Integradas – Impacto Social.
Instituto desenvolve projetos para moradores das periferias
Além das comemorações, o INFAPE desenvolve projetos sociais em diferentes municípios do Espírito Santo.
Atualmente, a instituição atua nas áreas de cultura, esporte, empreendedorismo, qualificação profissional e inclusão social.
Entre as iniciativas estão:
- Central de Valores: incentiva o empreendedorismo feminino e fortalece oportunidades de geração de renda.
- Favela Esportiva: promove a inclusão social por meio do esporte.
- Poesia da Favela: valoriza a literatura e a expressão artística de jovens das periferias.
Segundo o instituto, essas ações buscam ampliar oportunidades e combater os estigmas associados às comunidades.
Neste Dia da Favela, o INFAPE também celebra a trajetória iniciada na Serra há sete anos.
Para a instituição, a data representa mais do que uma comemoração. Afinal, as periferias também produzem cultura, conhecimento, inovação e oportunidades.
Assim, o movimento reforça a importância de reconhecer os talentos e as contribuições das favelas para o desenvolvimento do Espírito Santo.
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