
O assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, em 31 de outubro de 2002, continua entre os crimes de maior repercussão do Brasil. Vinte e quatro anos depois, relatos do ex-investigador Robson Feitosa relembram detalhes percebidos na residência da família, no Brooklin, Zona Sul de São Paulo, que ajudaram a questionar a hipótese inicial de roubo seguido de morte.
No programa Investigação AH, Feitosa contou que sua equipe do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) foi chamada pela 27ª Delegacia de Polícia, no Campo Belo. Ele e o delegado Ricardo Guanaes estavam entre os primeiros a chegar. No quarto, Manfred e Marísia estavam em lados opostos da cama, ambos com marcas de violência na cabeça; perto dele havia uma arma sem munição.
Um detalhe que chamou a atenção dos policiais foi a diferença entre as condições dos corpos. Segundo Feitosa, Marísia apresentava sinais de agressões mais intensas, enquanto o rosto de Manfred parecia mais limpo, como se tivesse sido lavado. Para o investigador, isso indicava que as vítimas haviam recebido tratamentos diferentes depois dos ataques e levantava dúvidas sobre a versão de um assalto.
A equipe também observou um jarro com água no criado-mudo de Marísia e uma toalha molhada colocada em sua boca. Feitosa considerou possível que ela tivesse reagido durante a agressão. Mesmo após perder a consciência, uma pessoa pode emitir sons involuntários, que talvez fossem ouvidos por vizinhos em uma área residencial silenciosa. Ele apresentou essa hipótese como uma possibilidade para explicar os vestígios, não como uma conclusão sobre os últimos momentos da vítima.
No escritório de Manfred, os investigadores encontraram uma pasta aberta e revirada. Depois, souberam que ela guardava o dinheiro destinado às despesas dos filhos: segundo Feitosa, havia cerca de oito mil mensais para os dois, em reais, dólares e euros. Os pais repunham os valores conforme eram usados. Como Suzane conhecia o local, a pasta e a quantia retirada se tornaram elementos relevantes; a investigação concluiu que parte do dinheiro foi usada para pagar Cristian Cravinhos.
A compra de uma motocicleta por Cristian após o crime também despertou suspeitas, pois não parecia compatível com a condição financeira conhecida de sua família. Além disso, Suzane descreveu um corte em uma pasta de couro, afirmando que a casa havia sido invadida. Os peritos perceberam que o dano não poderia ser visto do lugar onde ela dizia estar ao encontrar a cena, o que contradizia seu relato e sugeria que já conhecia o corte.
A advogada criminalista e especialista em perícia Roselle Soglio explicou que vestígios precisam ser identificados, registrados e preservados individualmente. Ela alertou que se prender à hipótese inicial de crime patrimonial pode impedir que os investigadores percebam inconsistências. A arma sem munição junto a Manfred e os sinais de sufocamento de Marísia com um saco plástico também foram considerados incompatíveis com um roubo seguido de morte comum. Em conjunto, os indícios levaram ao aprofundamento das apurações sobre pessoas próximas à família. Suzane e os irmãos Cravinhos acabaram condenados.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Detran divulga lista de 3 mil convocados para tirar CNH de graça no ES; veja nomes
- ★Caixa Tem terá depósito de R$ 777 para 50 milhões de brasileiros em novembro
- ★Saiba quanto rende a Mega da Virada de R$ 1 bilhão na poupança
- ★Brasil — Porte de arma é aprovado para 10 novas profissões no Brasil e autorização vai ficar mais fácil
- ★Tras cuatro femicidios, diputadas porteñas acompañaron el paro de trabajadoras sexuales

